~Legends Hunter~
Caso 4 – A Mulher da Praça
Praça São Jorge, Santo André, São Paulo
08:47
Com a saída da Catherine, Robinson e Lizanne, as coisas haviam ficado chatas. Não tinha ninguém pra conversar, nada pra fazer e ninguém pra me fazer café. Depois de uma semana tomando o meu café, só desejava o da Catherine novamente. Eu não sei fazer café bom como o dela!
Após sair pra comprar pão na padaria na padaria, passei pela praça que havia ali perto na qual eu costumava brincar quando criança, apenas pra relembrar os bons tempos. As árvores estavam enormes e os poucos brinquedos continuavam lá, mas a beleza se foram à anos. Era gostoso lembrar da infância.
Apesar da “beleza” da praça, uma coisa me chamou a atenção: um casal de idósos encostados na maior árvore da praça. Eles pareciam tão... felizes. O senhor estava deitado com a cabeça apoiada nas pernas da senhora e ela estava sentada acaraciando-o a cabeça. De algum modo, essa visão havia me machucado por dentro de uma forma que meus olhos queriam encher de lágrimas. Então, antes que começasse a chorar no meio da rua, segui caminho pra casa.
Dia após dia, toda vez que passava pela praça eu via a mesma mulher, mas nunca o mesmo homem. As vezes eram idosos, as vezes homens mais novos, mas nunca o mesmo.
Pra ajudar, eu estava ciente de que homens estavam desaparecendo e sendo encontrados no corrego perto da praça. Algo não estava certo com essa mulher.
Após a morte de mais um jovem na mesma praça, decidi que precisava investigar isso com urgência.
Praça São Jorge, Santo André
9:00
Havia chegado cedo na praça. A mulher estava lá, mas sem acompanhante. Me aproximei dela enquanto estava estava de costas olhando pros prédios ao redor e a chamei a atenção.
Jonathan: Oi, Senhora. Está tudo... oh...
Quando ela se virou, percebi que era Lizanne que estava ali. Ela me olhou alegre, mas surpresa.
Jonathan: Lizanne!?
Lizanne: Jonathan! O que faz aqui?
Jonathan: Eu que lhe pergunto. Achei que havia voltado pra Ribeirão Pires.
Lizanne: Bom, sim, mas decidi dar uma passada aqui pra matar a saudade.
Jonathan: Ah...
Lizanne: vem, senta aqui comigo.
Me sentei ao lado da Lizanne na árvore, mas me mantive um pouco afastado. Porém, ela se aproximou de mim.
Jonathan: Então... como anda o namoro?
Lizanne: Com o Marques? Nós terminamos.
Jonathan: Sinto... O nome dele não era Marcos?
Lizanne: Marcos?... Ah, sim. Mas o chamava de Marques carinhosamente.
Jonathan: Ah. Sinto muito...
Lizanne: Tudo bem. Fico feliz em te ver. Estava tão solitária aqui...
Jonathan: N-Não se sinta só. Estou contigo pro que der e vier.
Lizanne sorriu pra mim me dando o olhar mais doce e apaixonante que podia dar.
Lizanne: Posso lhe fazer uma pergunta?
Jonathan: Claro!
Lizanne: Você me ama?
Meu coração congelou de choque e acelerou logo em seguida. Mesmo sabendo a resposta, estava nervoso pra responder. Isso veio tão de repente.
Jonathan: S-Sim, claro!
Lizanne: Você me guardaria pra sempre em seu coração, independente do que acontecer?
Jonathan: Sim, SIM!!! Não aguentaria a vida sem você!
Lizanne deu um sorriso e me abraçou. Meu coração estava extremamente agitado e alegre. Não conseguia acreditar que isso estava acontecendo de verdade. Finalmente...
Lizanne: Eu deveria ter aceitado seu pedido. Você é um doce, sabia?
Jonathan: Não tão doce quanto você.
Lizanne: Hahaha. Deita aqui, fica comigo.
Lizanne deu uns leves tapas em sua perna. Me deitei em lentamente e repousei minha cabeça em suas coxas macias. Ela começou a acariciar minha cabeça lentamente, enquanto me dava o mais belo e apaixonante olhar. Eu não podia resistir, ela tinha uma mágia que ninguém jamais teve.
Comecei a ficar sonolento, era difícil manter os olhos abertos. Quando a olhei mais uma vez, não sabia dizer o que era, mas sei que não era humano. Senti como se estivesse sendo puxando por um buraco negro e não conseguia fazer nada além de fechar os olhos e dormir. O Sentimento era muito bom pra deixar acabar. Então, fui engolido pela escuridão.
Quando acordei, me vi em uma densa e escura floresta, havia apenas uma estrada de terra pra me guiar. Isso tinha começa, então deve ter fim.
Sem muitas opções, decidi seguir a estrada e ver até onde vai.
Caminhei alguns minutos até me deparar com uma aréa ao céu aberto com três casas brancas, todas exatamente iguais. Eram minúsculas, quase um cubículo. Tinham uma porta de madeirada fechada com corda e uma janela. Estranhamente, apenas essa parte da floresta era iluminada pela luz da lua, enquanto o tudo ao redor permanecia um completo breu.
Jonathan: Onde que eu fui me meter... Que droga de lugar é esse???
De repente, comecei a ouvir gritos e xingamentos de homem e mulher, como se um casal estivesse brigando. Me aproximei da primeira casa e os gritos ficaram mais alto.
Jonathan: Ei, o que está acontencendo ai???
Bati na porta, mas ninguém me respondia. Olhei pela janela pra ver o que estava acontecendo, mas tudo que podia ver era uma cama de casal bagunçada, dois guarda-roupas e uma porta em um quarto escuro. Porém, não conseguia ver ninguém ali dentro.
Os gritos foram ficando mais alto e os xingamentos piores. Por mais que eu tentasse, dificilmente conseguia entender o motivo da briga e as coisas que a mulher dizia.
Os gritos ficaram mais agressivos e desesperadores. Até que, finalmente ouvi um nome: Lizanne. Logo em seguida, gritos de socorro e estalos podiam ser ouvidos.
Rapidamente, tentei arrombar a porta, mas sem sucesso. Estava tão firme que nem se movia. Tentei quebrar a janela, mas também sem sucesso. Podia bater, chutar, empurrar mas nada adiantava.
De repente, ouvi um tiro e alguém caíndo. Os gritos, então, cessaram. Misteriosamente, a janela abriu uma enorme rachadura, impedindo a visão.
Jonathan: Lizanne, LIZANNE!!!
Gritei o mais alto que pude, mas ninguém me ouvia.
De repente, comecei a ouvir as mesmas vozes vindo da casa ao lado. Mas, ao invés de gritos, eram gemidos de dor e prazer. Fui até a janela checar, mas vi a mesma coisa da casa anterior. Estava ficando agitado e nervoso. Que droga de lugar é esse!?
Decidi ir checar a ultima casa, ouvia apenas choro de uma mulher sozinha. As vezes, estalos de chicote podiam ser ouvidos com clareza. Novamente, o interior permanecia o mesmo.
???: Você me deixou sozinha...
Olhei pra trás assustado com a voz misteriosa e a vi na minha frente vestida com seu uniforme, mas estava cheia de cortes e manchada com sangue.
Jonathan: L-Lizanne!? O que houve???
Lizanne: Você me abandonou... você fez isso comigo...
Jonathan: E-Eu não fiz nada. Do que está falando???
Lizanne começou a se aproximar lentamente até mim.
Lizanne: Você disse que me amava... disse que eramos amigos... por que você fez isso comigo?...
Jonathan: E-eu...
Lizanne: Por favor, não me esqueça...
De repente, ela caiu em meus braços e olhou em meus olhos.
Lizanne: Por favor... não... me deixe...
Seu corpo começou a abrir e se desfazer em pedaços de carne em minhas mãos.
Lizanne: ...morrer...
De repente, me vi deitado na árvore da praça. Me levantei assustado, tremendo e ofegante. Meu coração havia corrido uma maratona de tão agitado que estava.
Olhei ao redor e Lizanne não estava lá. Era tudo uma ilusão!
Jonathan: Que droga foi essa!?
Me levantei da grama e olhei ao redor. Felizmente, a praça não estava movimentada. Ninguém pra me confundir com um mendigo morto.
Peguei meu celular no bolso e fui checar o perfil da Lizanne no Facebook. (In)felizmente, Marcos e ela ainda estava juntos. Realmente, foi tudo uma ilusão. Fui feito de bobo por uma Demobia!
Jonathan: Não acredito que caí nisso tão fácil... Espero que Lizanne esteja bem.
Guardei o celular no bolso e segui caminho de volta pra casa. Sinto que aquela mulher não vai voltar tão cedo.
Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo.
11:02
Quando cheguei, percebi o quão frágil e ingênuo posso ser estando sozinho. Se Lizanne estivesse comigo, isso não teria acontecido... Infelizmente, isso não vai acontecer tão cedo, mas ainda precisava de novos membros na equipe. Felizmente, ainda mantinha guardado os papeis de trabalho de quando fundei a equipe original.
Fui pra fora do prédio grudar alguns papeis na parede. Depois disso, era só questão de tempo.
Agora só preciso fazer um relatório desse Demobia. Tenho que dar créditos pra ela por me fazer de trouxa. Ao menos serviu pra saber que ainda consigo ser inocente.
Por fim, precisava fazer o meu almoço... essa é a parte mais difícil do dia.
Relatório do Caso
Caso: Mortes Misteriosas
Entidade Chave: “Mulher da Praça” (Possesão)
Estudando um pouco a respeito dessa entidade, cheguei a conclusão que ela é uma Demobia razoavelmente perigosa. Sua notável habilidade de entrar e bagunçar a cabeça da sua vítima é quase uma brincadeira. A fatalidade está no nível dessa “brincadeira”. Se a vítima tiver um coração fraco, as chances de sofrer uma parada é altissima. Isso é o causador das mortes dos idosos e alguns jovens. No meu caso, sinto que ela decidiu pegar leve por algum motivo. Mas, desde o momento em que fui pego pela sua mágia, eu não consigo parar de pensar na Lizanne e o que pode estar acontecendo com ela. Nâo sei o que ela fez, mas a minha preocupação é real.
Possesão – Demobia feminino capaz de possuir a mente de sua vítima e mexer com suas memórias.
Possesão é o único de sua espécie, mas sua habilidade é algo que faz até os próprios Demobias temerem sua pessoa. Utilizando os próprios medos e memórias como arma, ela cria situações na cabeça de sua vítima que aceleram sua pulsação e causa paradas cardiacas. Se a vítima for capaz de sobreviver, um trauma e preocupações são certos de surgirem, impedindo que a vítima tenha uma vida tranquila.
???, ???
???: Então, seu plano foi bem sucedido?
Possesão: Mordeu a ísca sem nem lutar contra.
???: Ótimo. Você pode ter o dia livre.
Possesão: Muito obrigada, Majestade. As minhas sementes logo logo vão crescer dentro dele.
???: E quando isso vai acontecer?
Possesão: Eu não sei dizer, Majestade. Isso pode levar anos ou meses. Isso vai depender da estabilidade emocional dele.
???: Destrua a vida dele. Interfira em seus planos. Quero que ataque a garota também. Nada o destruíria mais do que mexer com ela.
Possesão: Oh, atingir logo a ferida. Ótimo plano, Majestade.
???: Agora vá, Possesão. Traga seus corações fracos para o nosso mundo. Portadores de Lamcrox devem ser destruídos!
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