terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Caso 5 - Deixado Para Ser Esquecido

~Legends Hunter~

Caso 5 – Deixado Para Ser Esquecido

???, ???
03:00
Narrativa: ???

Havia acordado no chão em um quarto escuro onde a única luz que iluminava era a da lua que passava por uma minúscula janela na parede. Meu corpo doía, minha cabeça estava confusa e as memórias embaralhadas. Não fazia ideia de onde estava e nem como cheguei aqui.
  Caminhei pela sala passando a mão pela parede fria e repleta de rachaduras em busca de uma porta e, consequentemente, uma saída. Infelizmente, a única que havia encontrado era uma porta de ferro firmemente trancada. Tentei puxar, chutar, bater, mas nada adiatava. Única coisa que podia fazer era observar através por um pequeno buraco na porta. Eu não sei como, mas iria sair daqui a todo custo.

De repente,  ouvi um alarme ecoando pelos corredores e várias portas se abrindo. Logo depois, ouvi gritos e tiros. Não sabia o que estava acontecendo e nem o por que, mas minha porta se mantinha fechada. Talvez fosse melhor assim, estava mais seguro aqui dentro. Não tinha outra opção além de me sentar no chão e esperar...
  Quando os tiros e gritos cessaram, a porta se abriu e fui cegado pela forte luz vermelha que entrou iluminando o quarto. Saí lentamente, observando o corredor. A visão não era agradável, vários corpos com roupas brancas e cabeça raspada estavam jogados no chão, mortos, caídos no próprio sangue que escorria pelos vários buracos de bala. Não sabia dizer se eram amigos ou inimigos, mas sei que não quero terminar como eles.

Continuei caminhando com cautela pelos corredores procurando a saída. Enquanto isso, os tiros continuavam, mas agora no andar de cima.  Infelizmente, minha única saída era subindo as escadas no fim do corredor. Meu medo de ser pego estava consumindo meu ser.

Subindo as escadas, havia chegado em um corredor largo cheio de camas. Havia vários corpos no chão e alguns haviam sido mortos dormindo. Todos com as mesmas caracteristicas dos que foram mortos no andar de baixo. No mesmo corredor, havia duas portas, uma esquerda e uma direita. Na esquerda, havia uma cozinha; na direita, havia uma igreja e uma saída pro exterior atrás de um altar com uma enorme cruz de madeira. Atravessei a porta pra igreja, mas, quando coloquei o pé ali, dois homens armados vieram do exterior pro interior conversando e não me viram voltando pro corredor.
 Continuei a observa-los pela fresta entre a porta e a parede pra ver pra onde eles iriam. Infelizmente, um ficou na porta de saída, enquanto o outro correu por uma porta à esquerda da igreja. Minha saída estava bloqueada.

Segui pra cozinha e, infelizmente, não havia saída nenhuma. As janelas estavam fechadas com grades e não havia nenhuma porta. Felizmente, havia um duto de ar aberto com um corpo pendurado de alguém que já estava pensando em fugir. Eu o puxei com delicadeza e o apoiei no ombro pra coloca-lo no chão. Ninguém merecia ter seu corpo desrespeitado como um ser qualquer. Tenho certeza que todos aqui tem sua história e motivo pra estar aqui. Não sei onde estava, não sei se era uma prisão ou sanatório, mas sei que eu devo ter feito algo pra parar aqui. Infelizmente, as respostas não iriam ser encontradas aqui.
  Entrei nos dutos e me arrastei lentamente, evitando fazer qualquer tipo de barulho. O cheio forte de podridão estava entrando no meu nariz como se não houvesse restrição. Os cadaveres e a imundice dentro dos dutos estava colaborando pra me derrubarem, mas minha vontade de fugir era ainda maior. Poderia aguentar até encontrar a saída.

Continuando a me arrastar pelos dutos, havia chegado em uma sala aberta onde pude ouvir vários soldados conversando. Por curiosidade, eu parei pra ouvir. Mas, devido ao meu peso, o duto se partiu e caí bem em frente à porta de saída já aberta.

Soldado: Parece que deixaram um passar. Atirem!

Os Soldados começaram a disparar contra mim, mas já havia conseguido me levantar e sair do prédio, me abrigando atrás da parede.
  A saída principal estava bloqueada por carros e o portão estava fechado. Ao meu lado, havia uma cerca com arame farmado levando pra um campo com grama alta. Sem muitas opções, corri em direção à cerca, escalei até o topo e pulei por cima, arranhando as costas e o braço no arame e caíndo de costas no chão de terra. Felizmente, havia escapado. Enquanto me mantivesse na grama, os soldados não iriam me encontrar.
  Daqui em diante, apenas iria seguir um caminho direto pra cidade. Eu só quero voltar pra casa e ver minha família...


Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
07:58
Narrativa: Jonathan

Dois dias se passaram desde o meu encontro “agradável” com a Posseção. Desde então, não tenho dormido direito e sonho com aquela ilusão o tempo todo. Além disso, não paro de pensar na Lizanne. Se soubesse que me apaixonar seria tão complicado e doloroso, teria me afastado quando tive chance.

Essa noite, tudo que queria era ter uma boa noite de descanso sem ter aquele sonho de novo. Nada poderia-

???: Ei, acorda vagabundo.
Jonathan: Hmm...?
???: Vamos, acorda. Já é quase oito da manhã.

Quando abri os olhos, a primeira coisa que vi foi um homem barbado, cabelo curto jogado pra trás, branco, alto, vestindo apenas roupas pretas por baixo de uma jaqueta de couro preta e óculos escuro. Acordei num pulo da cama de cueca e peguei meu abajur como arma.

Jonathan: QUEM CARALHOS É VOCÊ!? SAIA DA MINHA CASA!
???: Gostaria, mas estou preso nela.
Jonathan: QUÊ???
???: Você não se lembra mesmo de mim? Dos seus amigos da adolescência?
Jonathan: Tá falando do que véi?
???: Obrigado pela resposta.
O homem pegou um caderno meu da minha gaveta de tralhas, virou as páginas e jogou aberto na minha cama. Quando peguei e chequei, era um rascunho das histórias que escrevia na adolescência.

Jonathan: Isso é um rascunho do Metal Ops... STAN!?
Stan: BINGO!

DROGA DROGA DROGA!!!

Jonathan: O que faz aqui?! Vocês haviam sumido faz anos!
Stan: E voltamos. Legal, não?
Jonathan: Não, não é legal não. Voltou por quê?
Stan: Porque você se sente sozinho e, ao contrário de você, somos seus amigos e não te abandonamos. Aliás, perceba o plural, por favor.

De repente, ouvi vários barulhos vindo da sala no andar de baixo. Minha situação era pior do que pensei.
  Corri pra fora do quarto e observei a sala por cima. Minha casa havia virado uma zona!

Jonathan: E-Estão todos aqui...

Todas as minhas criações do passado estavam lá. O pior disso tudo, não havia ninguém lá realmente, apenas eu e minha imaginação.

Jonathan: Não acredito que estão todos aqui...
Stan: Yep, cada um de nós, suas criações. Legal, não?
Jonathan: Não. Isso não é legal não!

Apoiei meus braços na beirada da cerca e cobri o rosto com as mãos.

Jonathan: Inacreditável...
Stan: Achou que ia se livrar de nós?

Olhei pro Stan por um breve momento. Ele colocou a mão atrás da orelha e alguém gritou da sala.

???: ACHOU ERRADO, OTÁRIO!

Ótimo, até a personaficação da minha juventude estupida estava aqui também.

Stan: Seria bom você se vestir. Talvez tenha uma visita hoje.
Jonathan: Como você sabe!?
Stan: Você não colocou os papeis lá fora?

Olhei pro Stan com o olhar mais cansado e raivoso que podia olhar. Em troca, ele me deu um sorriso, um dedo do meio e desceu as escadas. Apenas voltei a cobrir o rosto. Tava cedo demais pra ter que aturar minha cabeça.

Jonathan: Filho de uma cadela...
Stan: Desculpa, Mãe.

MAS QUE FILHO DA...

Desisti de argumentar com o Stan. Decidi ir tomar um banho e me arrumar. Se Stan estiver certo, posso umar um novo ajudante hoje e preciso estar com  uma boa aparência pra isso. A parte ruim é que isso seria estranho... imagine prever o futuro apenas por ter tido um passado solitário? Na verdade, não seria tão ruim...
  Voltei ao meu quarto, peguei roupas limpas no guarda-roupa e fui ao banheiro. Antes de ir pro chuveiro, parei pra me olhar no que havia sobrado do espelho depois do meu ataque de raiva. Minha aparência estava um lixo. Estava com olheiras, o rosto cansado e engordando cada dia mais. Tudo isso combinando com meu olhar morto e triste que havia adquirido nas ultimas semanas. Já tive dias melhores...


08:12

Após me arrumar, desci pra sala e chamei todas aquelas desgraças pra minha mesa. Felizmente, todos que não me pertenciam haviam sumido durante o banho. Não posso dizer o mesmo dos outros...

Stan: Chamou?
Jonathan: sim. Se alinhem na horizontal, por favor.

Todos se alinharam na frente da mesa um do lado do outro. Felizmente, apenas minhas criações estavam ali. Infelizmente, eram muitos.

Jonathan: Geez... estão todos aqui mesmo.
Stan: Nunca fomos embora, você que nos esqueceu.
Jonathan: É, tanto faz. Podem se apresentar?
Stan: De novo!?
Jonathan: Eu mal lembro de você direito, apenas lembro que vocês me faziam pensar coisas estranhas!
Stan: Quanta sinceridade...
Jonathan: Andem logo!

Stan bateu na minha mesa com força e me olhou direto nos olhos com seriedade.

Stan: Grita comigo de novo que eu embaralho sua cabeça! Quero ver você lembrar de quem você é depois disso.
Jonathan: Hmph...
Stan: Hmph. Bom mesmo. Eu sou Stan Hunter.
???: Me chamo Jackie Taker, mestre.

Jackie se destacava fácilmente no meio de todos. Sue visual puxava pra um lado  “Glam Metal”. Seu cabelo rosa espetado, Jaqueta de couro beje, cachecol vermelho e branco e calça jeans preta chamava muita atenção.

???: Paulo Napalm, otário.

Paulo támbém se destacava, mas por outros motivos. Enquanto Jackie e Stan tinham um visual “Metal”, Paulo havia adotado um visual Punk. Sua cabeça era raspada, sendo um enorme moicano o pouco de cabelo que tinha. Usava uma camisa cinza rasgada que deixava o ombro direito exposto, uma calça jeans preta bem justa nas pernas e rasgada nos joelhos e três cintos vermelhos pendurados na cintura.

Pauloco: Pauloco, meu bom. (Série Metal OPS).
Jonathan: Pau... pode repetir?
Pauloco: Pauloco, ué.
Jonathan: Pauloco... É Pau loco ou Paulo loco?
Pauloco: Quê?
Jonathan: Esquece.

Pauloco era uma anomalia naquele meio, pois não era criação minha, mas sim um resultado do tempo que eu e Paulo, um amigo do colégio, passamos juntos na adolescência. Seu visual era pro lado Skinhead. Era Alto, careca, vestia roupas pretas justas e pulseiras pretas.

???: Leon Mein Dorman, senhor.

De todos ali, Leon era o único que ainda estava fresco na memória e o que se vestia de forma diferente. Suas roupas e aparência era chamativo. Seu cabelo era loiro e longo igual sua barba que cobria toda a linha do queixo. Vestia um casaco longo roxo e azul que cobria boa parte de seu corpo. Por baixo, usava uma túnica marrom escuro com o símbolo de uma águia dourada. Usava uma calça cinza larga e duas botas roxas de couro coberta com pelo roxo.

Jonathan: De você ainda lembro.

Leon era protagonista do meu primeiro livro “A Lenda Eterna: Sunfall”, que publiquei aos vinte anos. Esse livro havia colocado Metal OPS nas sombras por um tempo.
Stan: Dele você lembra...
Jonathan: Enfim... já que todos se apresentaram, peço que não façam bagunça na minha mente, por favor.
Stan: Não, mas ok.

De repente, alguém abriu a porta da frente. Era uma mulher branca mediana, com cabelos longos preto com uma franja tapando o lado direito do rosto, vestindo uma camisa rosa e vestindo uma saia azul.

???: Oi, é aqui que estão contratando?
Jonathan: Isso, é aqui mesmo.
Stan: Boa sorte.

De repente, Stan e o os outros sumiram, mas ainda podia ouvi-los.
  A mulher fechou a porta e caminhou nervosa até a mesa. Ela puxou a cadeira, colocou sua bolsa na frente se sentou.

Jonathan: Bom dia.
???: Bom dia.
Jonathan: Como se chama, senhora?
???: Ciel Starr, com dois Rs.
Jonathan: Por que dois Rs?
Ciel: Minha mãe era fã do Ringo Starr.
Jonathan: Do Beatles!? Isso é bacana.
Ciel: Sim! Você gosta???
Stan: Sim.
Jonathan: Sim...

O QUE?! Eu não gosto de Beatles!

Ciel: Que legal! Difícil encontrar alguêm que goste hoje em dia.
Jonathan: Eeeh... na verdade, eu prefiro muito mais Pink Floyd, mas gosto um pouco de Beatles também.
Ciel: Ah...  então, qual a sua música favorita deles? Eu adoro “Here Come The Sun”...

Eu iria ficar aqui por um bom tempo... obrigado, Stan.

Enquanto isso...

???, São Paulo
04:35

Narrativa: ???

Após atravessar o campo e seguir uma trilha de terra floresta adentro, havia chegado em uma antiga vila coberta por uma densa neblina. O Clima era depressivo, mas ruas estavam movimentadas. Haviam mulheres com vestidos caros, crianças, jovens, adultos e idosos caminhando e brincando por todos os lados. Algo muito incomum de se ver em tal horário.
  De algum modo, o lugar era confortante. A vila havia uma aparência familiar, mas as casas estavam velhas e a madeira já estava podre. Os trilhos dos trens de carga já estavam enferrujados e não eram usados por muito tempo.

De todo modo, esse não era meu lar. Era, de fato, um lugar agradável, mas não é aqui que eu deveria estar.
  Ao longe, pude ouvir o buzinar de trens. O som era um pouco diferente do normal, mas era um trem sem duvidas. Peguei a estrada e segui em direção à estação mais próxima.

Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
08:26

Narrativa: Jonathan

Após conhecer um pouco melhor Ciel, descobri que ela era uma mulher super bacana com ótimos gostos. Também, portadora de Lamcrox. Mas, diferente de mim e Lizanne, sua, Lamcrox era etéria e podia ser controlada com a mente. E eu achando que a Lamcrox da Lizanne era melhor que a minha...

Eu e Ciel iriamos fazer um trabalho teste, algo pequeno, apenas para testa-la como fiz com a Lizanne. Mas, para minha surpresa, outras duas mulheres haviam entrado no escritório ao mesmo tempo. Uma alta e uma baixinha.
  Enquanto a mais alta entrava, a baixinha havia ficado na porta.

???: Oi, é aqui que estão contratando?
Jonathan: Huh... sim, é aqui sim.

Estava um pouco nervoso com ela. Nunca tive visita frequênte, ainda mais pedindo emprego.

???: Certo, aqui meu curriculo.

A Mulher tirou o papel da bolsa e colocou gentilmente na minha mesa. Peguei pra dar uma rápida olhada, não que houvesse alguma utilidade, mas apenas por curiosidade.

Seu nome era Mila Hylia, era uma jovem-adulta alta, negra, cabelos pretos e ondulados, usava uma camisa xadrez vermelha e preta e uma calça jeans azul. Suas aparência era encantadora e hipnotizante. Não chegava aos pés de Lizanne, mas chegava próximo. SE ainda houvesse um pouco de auto-controle, não cometeria o mesmo erro que cometi com ela.
 Olhando um pouco melhor seu curriculo, percebi que ela trabalhou brevemente na mesma delegacia que Lizanne.

Jonathan: Ei, você conhece a Lizanne?
Mila: Você conhece ela?! Trabalhamos juntas.
Ciel: Vocês conhecem a Lizanne???

Até ela conhecia!

Jonathan: Uau... inesperado.
Ciel: Ela trabalhou aqui? Eu gosto dela. Faz tempo que não a vejo...
Jonathan: É, ela trabalhou por um tempo.
Mila: Mas que coisa. Se ela tivesse me dito antes...

Por algum motivo, o ambiente havia sido tomado por um silêncio estranho. Não esperava que as duas conhecessem Lizanne.

Jonathan: Enfim... aguarde na sala que logo logo saíremos pra um caso teste.
Mila: Só isso?
Jonathan: Eu não sou exigente, prefiro ver vocês em ação e decidir se contrato ou não.
Mila: Uh... isso é incomum.
Jonathan: Não se preocupe, sua parte está garantida no pagamento independente da escolha.
Mila: Hm. Tudo bem então.

Mila se sentou no sofá junto com Ciel. Enquanto isso, olhei pra porta pra chamar a outra garota, mas ela havia ido embora. Será que demorei tanto?

Jonathan: Ei, que era aquela mulher que estava com você? Ela não vai entrar?
Mila: A baixinha? É a minha amiga.Ela vio só pra me acompanhar.
Jonathan: Ah...
Mila: Minha Minish é meio fechada.
Jonathan: Minish!?

Minish eram criaturinhas minúsculas do jogo “The Legend of Zelda: Minish Cap”. Com certeza o apelido era devido ao seu tamanho.

Mila: Ah, desculpa. Não é nada.
Jonathan: Não não, eu sei o que é Minish. Você gosta de Zelda???
Mila: É mue jogo favorito, cara!
Jonathan: O meu também! Nunca achei que outra pessoa nesse país gostasse de Zelda.

Ciel olhou pro lado um pouco inojada.

Ciel: Odeio Zelda. Mario é muito melhor.

Quê???

Jonathan:... Tá. Mas tipo, não sei o que Mario tam a ver com Zelda. São jogos completamente diferentes!
Ciel: Não ligo. Prefiro Mario.
Mila: Tá né...

As duas ficaram de costas uma pra outra. Ótimo, acabei de contratar e já se odeiam por causa de jogo!

Rio grande da Serra, São Paulo
08:00

Narrativa: ???

Mesmo após horas de caminhada, eu não me sentia cansado. Medo e tristeza era a única coisa que conseguia sentir desde o momento que acordei. Ainda não entendia o que havia acontecido, mas o tempo que passei lá não foi pouco e só percebi quando cheguei em Rio Grande da Serra.
  A Estação, apesar de sua aparência rústica, era diferente de como me lembrava. As paredes estavam descascando e em mal estado. Os suportes de madeira eram novas também. A entrada era controlada por um tipo de roda giratória metálica e apenas funcionavam com um papel especial. Infelizmente, eu não tinha um centavo pra entrar. Sem outra escolha, tive que passar por debaixo da roda. Felizmente, nenhum guarda havia me visto. Ao mesmo tempo que era um alivio, eu também ficava preocupado, pois ninguém havia me notado desde o momento que fugi.

Fiquei no aguardo do trem que iria pra Santo André. Eu estava tão longe de casa, tão longe da minha família. Tudo que quero é ve-los novamente.

Quando o trem chegou, percebi também a gritante mudança. Os trens não eram nem de longe algo que eu me lembrava. A caixa metálica que eu costumava andar agora era tinha um formato redondo e pintado de vermelho. Agora eu percebi que muitos anos se passaram. Todas essas coisas não eram nada como eu lembrava.
  Entrei no trem um pouco receoso e me sentei em um banco na janela. Até os interiores sujos agora eram limpos e refletentes. De algum modo, eu não conseguia ver meu reflexo, apenas objetos próximos e pessoas ao redor. O que está acontecendo!?

Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
08:57

Narrativa: Jonathan

Após me arrumar, eu e Mila nos preparamos pra sair, enquanto Ciel nos manteria informados com qualquer informação nova que ela pudesse encontrar.
  Mas, de repente, um Espirito Negativo invadiu o escritório.

Jonathan: Mila, afaste-se!
Mila: O que é isso???

Empurrei Mila pra trás e mantive minha mão erguida na frente do espirito. Minha Lamcrox ainda estava na mesa, bem longe de mim.
  O Espirito, apesar de sua aparência agressiva e intimidadora, ele não parecia querer causar mal algum. Na verdade, parecia assustado.

Estação Capuava, São Paulo
08:47

Havia finalmente chegado em Capuava, estava próximo de voltar pra casa.
  De todos os lugares que observei até aqui, Capuava não havia mudado tanto. Havia apenas alguns prédios novos, mas ainda permanecia tudo igual.

Atravessei a rodovia principal e segui pela estrada à esquerda. A estrada tinha a visão completamente bloqueada por árvores no lado esquerdo, o enquanto o lado direito havia somente casas. As vezes via uma outra rua, mas não tinha nada de diferente por lá além de mais casas.

Continuando em frente, havia chegado na praça onde crianças costumavam brincar e os idosos iam se encontrar pra jogar xadrez. Não sei quanto tempo se passou, mas a praça não havia tanta gente como costumava ter e as árvores e a grama estavam enormes. Eles haviam abandonado um lugar de lazer e diversão. Me dói ver o lugar onde conheci meu namorado estar largado desse jeito.

Quanto mais observava o mundo ao meu redor, mais percebia minha situação. Não havia se passado um dia, muito menos semanas ou meses, mas anos, decadas ou, talvez, séculos. Me sentia tão vivo, mas, na verdade, poderia muito bem estar morto. De tantos sentimentos e duvidas, apenas sentia medo, dor e tristeza. Eu não estou em meu tempo, estou longe de casa e muito longe da minha paz.

Após horas, finalmente havia chegado em minha casa. De todos os prédios e casas que haviam mudado, meu lar permanecia o mesmo. Era um álivio voltar.

Para minha surpresa, quando abri as portas, um homem e duas mulheres estavam lá dentro. As mobilias haviam sido mudadas e novas agora faziam parte da decoração. As paredes foram pintadas e as escadas mudadas. Não era isso que eu esperava!

???: O Que significa isso!? Quem são vocês???

Narrativa: Jonathan

Rapidamente, peguei a Lamcrox em minha mesa e levantei em sua direção, tentando amedronta-lo. Mas não surtiu nenhum efeito.

Jonathan: Já que initimidação não funciona, vai do jeito antigo.
Corri na direção do Espirito Negativo com a Lamcrox em mãos, mas quando ameacei ataca-lo, ele se agachou e cobriu o rosto com as mãos. Algo estava errado...

Jonathan: Você está se defendendo!?
???: Por favor, não me machuque! Eu só quero ver minha família novamente! Por favor, me deixe entrar em minha casa.

Família... Casa...?... Ah, eu sei do que ele está falando. Não havia trombado com um Espirito Negativo qualquer, mas sim um Espirito Perdido.

Jonathan: Sinto dizer, mas essa já não é mais sua casa.
???: O que!? C-como assim?! Eu moro aqui, meus pais também!
Jonathan: Desculpe a pergunta, mas você sabe seu nome?
???: Claro que sim. Me chamo David Silveira.

David Silveira... de algum modo, esse nome era familiar.

Jonathan: Certo, espere um pouco.

Corri até minha mesa e peguei a papelada do aluguel. Quando li quem era o dono original, lembrei porque a familiaridade. De bonus, também descobri que o senhorio é parente dele. Depois terei uma conversa com aquele corno.

Jonathan: Você realmente era o dono da casa...
David: Eu falei! Me deixe entrar!
Jonathan: Mas... a casa estava abandonada desde 1968!
David: O-o que?...

David se sentou no chão sem reação. Ele devia estar vagando por muito tempo pra chegar até aqui. O desespero dele devia ser imenso.

Jonathan: Eu... eu posso saber de onde você veio?
David: Eu não sei... eu fugi de algum tipo de hospital. Haviam soldados armados lá. Mataram todos nós.
Jonathan: Oh... eu sinto muito.
David: Eu me sinto tão mal... não tenho pra onde ir, todos quem eu conhecia já estão mortos e perdidos.
Jonathan: Há uma solu-
David: Eu me sinto tão vivo... o que aconteceu comigo? Como eu morri?
Jonathan: Você não-
David: Por que eu ainda estou aqui? POR QUE!? Me deixe descansar. ME DEIXE EM PAZ!

De repente, David foi tomado por uma aura negra. Ele colocou a mão em meu bolso e pegou minha pistola, me ameaçando com a mesma logo em seguida. Sem duvida nenhuma o Negativo havia tomado conta de seu espirito por completo.

David: Onde está minha família? ONDE?
Jonathan: Ei, ei,ei, abaixa isso!

Ciel correu até mim e se posicionou do meu lado, mantendo uma mão na cabeça e a outra apontada pro David.

Jonathan: Eu não sei onde sua família está, mas sei que eles não gostariam de ver isso. Abaixe a arma, por favor!
David: Por que fizeram isso? Eu só queria ter uma vida normal!
Ciel: Abaixe a arma!
Jonathan: Nós não fizemos nada!
David: MENTIRA!

Sua mão começou a tremer violentamente enquanto apontava pra mim. Um deslize e poderia acontecer uma tragédia.

Jonathan: Me escute, por favor! Abaixe essa arma, você não quer fazer isso. Você não é uma pessoa má.
David: Eu... eu...
???: David!?

Atrás de David havia surgido um outro Espirito Negativo. Quando David se virou, a aura sombria havia sumido. Ele havia retomado controle sob si.

David: Roger?

David largou a pistola e correu em direção ao Roger. Sem perder tempo, deram um forte e demorado abraço, um chorando com o outro. Era a brecha que eu precisava.
  Peguei minha Lamcrox e me preparei pra atacar, mas algo impediu minha mão de continuar. Não podia ver, apenas sentir. Quando olhei pra Ciel, ela estava apontando diretamente pra mim.

Ciel: Não faça isso. Eu resolvo.


Ciel fez vários sinais com as mãos e finalizou com um sinal da cruz. De repente, os espiritos foram cobertos por uma forte luz solar. A luz era tão forte que nem conseguia olhar, me obrigando a cobrir os olhos.
  Quando a luz cessou, os dois espiritos haviam desaparecido. Nunca havia visto tamanho poder em minha vida.

Jonathan: O que você fez?
Ciel: Eu dei o descanso que eles queriam.
Jonathan: Eu poderia ter feito isso!
Ciel: Sua Lamcrox apenas iria entrega-los à justiça divina. A minha é garantido.

Como que todos sabem a respeito da minha Lamcrox e eu não sei nada de ninguém!?

Jonathan: Como que vocês sabem tanto???
Assim que tudo acabou, fui até a porta e peguei minha pistola do chão. Quando olhei de volta pras mulheres, Mila em particular, ela parecia extremamente confusa. Acho que esse não era o tipo de emprego que ela procurava...

Stan: Boa sorte pra explicar isso.

Caminhei até minha mesa, deixei minha Lamcrox e a pistola na mesa e me sentei. Não demorou pra Mila vir até mim.

Mila: Então... quando vai decidir explicar o que foi aquilo???
Jonathan: Apenas um dia comum.
Mila: Como assim!? Isso acontece TODOS os dias???
Jonathan: Esse tipo de coisa não. Mas se envolver com espiritos sim.
Mila: Por que não me disse logo!?!

De repente, Mila pegou sua bolsa na mesa e correu em direção à saída.

Jonathan: Ei, onde está indo?
Mila: Vou procurar um trabalho de verdade.
Jonathan: EI!
Mila: Não se ofenda, você é legal e tal, mas não é isso o que eu estava procurando.
Jackie: Talvez ela seja meio estupida.
Jonathan: Hm...
Mila: A gente pode se encontrar em algum momento, mas não nesse trabalho. Desculpe.

Assim que Mila saiu e fechou a porta, Ciel se levantou de sua mesa perto da saída e veio até mim.

Ciel: Liga não. Ela parecia ser meio otária.

Apenas olhei Ciel nos olhos com desprezo.
Jonathan: Fica na sua.

Me levantei e comecei a subir as escadas em direção ao meu quarto.

Ciel: ei, pra onde vai?
Jonathan: Pro meu quarto. Daqui a pouco estamos saindo. Preciso fazer algo antes.
Ciel: Ah... ok.

Ciel voltou pra sua mesa. Enquanto isso, havia um relatório pessoal pra fazer. Logo depois, uma ligação seguida de uma séria conversa com o Senhorio.

Relatório do Caso

Caso: Invasão Espiritual

Em 1966, durante a ditadura militar, um hospital psiquiatrico em Paranapiacaba foi fundado pelo governo e era usado para tratar pessoas com disturbios mentais. Mas, após uma ordem do governo, homossexuais passaram a serem levados a esse hospital para serem “tratados”. Eles eram usados como cobaias para experimentos e eram mal tratados, quase abandonados.
  Em 1968, uma ordem de exterminio foi dada. Durante o dia, médicos, cientistas e enfermeiros foram evacuados, deixando os paciêntes sozinhos. Na mesma noite, o exército invadiu o hospital e executou todos os paciêntes, incluíndo David e seu namorado, Roger.
  Possuídos pelo Desespero, os Negativos manteram seus espiritos vivos e os trouxeram até seu lar, o lugar que acalmaria suas almas. Felizmente, suas almas agora descansam em paz, longe da brutalidade e ódio humano.

O Hospital ainda se encontra em ruínas em um campo cercado de árvores em Paranapiacaba. Só de pensar em todas as vitimas, imagino todas os espiritos amedrontados que ainda vagam por lá, buscando por paz.
Humanos são monstros crueis.

Vitima: David Silveira
Entidade Chave: Desespero

Desespero – Negativo criado por medo, tristeza e incertezas.
Apesar de não serem violentos, a natureza confusa desse Negativo pode se tornar violento com os próprios pensamentos. Comunicação cuidadosa pode ser o sufienciente pra mante-lo sob controle.

Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
18:47

Haviamos terminado o pequeno trabalho. Ciel havia sido contratada e já havia ido pra casa. Estava perto da hora de fechar e estava arrumando a casa pra deixar apresentável no dia seguinte. Ao mesmo tempo, estava fervendo água pro café da tarde.
  Assim que me dirigi até a cozinha, pude ouvir alguém batendo na porta e entrando.

Jonathan: Desculpe, mas já estamos fecha-

Era mais uma mulher. Ela era morena, altura mediana, parecia ser uma jovem-adulta. Seu cabelo era preto e ondulado, vestia uma regata preta, short preto que ia até as coxas e um par de saltos pretos. Eu não sei o que havia visto nela, mas algo me chamava muito a atenção.

???: Com licença, mas você está contratando, senhor?
Jonathan: Hã... sim. Estou sim.
???: Ótimo.

Ela me entregou seu currículo e me deu um abraço, indo em direção à saída logo em seguida.
  Quando olhei o papel, notei uma enorme marca de boca feito com batom.

???: Não precisa ler se não quiser. Apenas saíba que me chamo Leonora.

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