quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Capítulo Três - Laços de Amizade

~Legends Hunter~

Capítulo 3

Laços de Amizade



Acordei em um beco sem-saída próxima de uma lixeira. Era uma noite escura e estava confusa, não sabia onde estava e o que estava fazendo ali. Olhei a minha volta e não encontrava nenhuma outra saída além de um corredor reto onde duas figuras escuras estavam parados. Caminhei em direção a eles lentamente, até que, de repente, um deles saca uma arma da cintura e o outro revida com uma facada. Mesmo assim, a outra figura leva um tiro e cai no chão, enquanto o atirador foge correndo em minha direção. Tentei para-lo, mas o atirador apenas me atravessou como se eu não estivesse ali. De repente, uma terceira figura apareceu próximo da figura caída e deitou sob seu corpo. Tentei olhar mais atentamente e tentar entender o que estava acontecendo, mas fui impedida. Dois policiais surgiram do meu lado e me algemaram com algemas eletrificadas. Logo depois, me agarraram pelos braços, me arrastaram pelo chão e me jogaram em um porta-malas de uma viatura. Tentei escapar, retirar as algemas, mas quanto mais me mexia, mais forte a voltagem ficava. Quando olhei para o retrovisor da viatura, pude ver o rosto da policial. Era uma branca, ruiva...
    • Ela se parece... comigo! – Pensei.
Quando esse pensamento passou pela minha cabeça, o carro ligou e a cabeça da policial se abriu como uma flor de carne e sangue. Então, estava em meu quarto.
29 de Setembro de 2014
05:52
Casa da Samantha
Acordei em meu quarto escuro. A única luz vinha de fora, a luz do sol que se levantava no horizonte. Minha mente estava confusa, não entedi o que havia acontecido. Então, aceitei que isso foi apenas mais um pesadelo, mas não entendia seu significado. Era apenas mais um pesadelo dentre tantos outros. No final das contas, havia acordado para ver mais um dia.
Havia se passado dias desde a morte dos garotos na faculdade. Havia parado de ir e insisti para que Amy não viesse me buscar. Algumas vezes ela aparecia apenas para me ver e saber como estava, logo em seguida, ia embora. Nesse meio tempo, não tinha o que fazer, não tinha quem conversar e apenas ficava trancada em meu quarto escrevendo recentes acontecimentos e sentimentos em meu diário.
Meus pais já estavam acordados. Podia sentir o cheio de café subindo as escadas e invadindo meu quarto. Era um costume deles acordarem cedo apenas para assistir o jornal e fazer café. Não se falavam, não vinham falar comigo, apenas faziam seu café e iam embora sem se despedirem.
Sentia uma estranha energia ao meu redor, mas já fazia dias que estava sentindo isso, então decidi não pensar muito. Me levantei da cama e fui até o banheiro me olhar no espelho. Estava pálida, meu cabelo parecia uma enorme teia de aranha vermelha e estava com olheiras enormes. Olhei os cortes em meu pulso e ainda estavam evidentes, com clara chance de que iria virar cicatrizes.
Entrei debaixo do chuveiro e deixei a água quente acalmar minha mente barulhenta. Fechei os olhos, respirei fundo e fiquei parada por um tempo sentindo a água e a deixando escorrer pelo meu corpo. Enquanto isso, podia ouvir o carro saindo da garagem, mas ouvia a TV também. Meus pais não tinha o hábito de deixar TV ligada quando saem. Bem, teria que desligar eu mesmo, mas apenas iria depois do banho. A água estava tão boa que eu nem me preocupei muito com isso.
Quando saí do banho, peguei a toalha do porta toalha e me enxuguei. Logo depois, enrolei em meu corpo. Poderia apenas ir nua até meu quarto, mas Amy estaria aqui a qualquer momento. Ela diz que não se incomoda de me ver “Il naturale”, mas eu me incomodo. Fui até meu guarda-roupas, peguei as roupas mais velhas que tinha e joguei na cama. Logo depois, me abaixei para pegar minha calcinha na gaveta, até que ouvi um assovio vindo por trás.
    • Mas que corpo, gata. Assim tão cedo é demais para mim.
Rapidamente, me levantei, virei e segurei a toalha em meu corpo morrendo de vergonha. Era Amy, dessa vez, pulando pela minha janela em plena seis da manhã. Qualquer juizo que ela tinha, com certeza ela perdeu nessa semana.
    • AMY!!! – Gritei irritada.
Ela apenas riu e pulou para dentro do meu quarto.
    • É brincadeira, boba! – Falou enquanto caminhava em minha direção.
Ela tentou me dar um abraço, mas a afastei com minha mão livre.
    • Ei, eu só-
    • Meu espaço, por favor. – Falei com a mão ainda estendida.
    • Mas só queria te dar um abraço... ei , o que é isso?
Ela pegou meu braço e olhou meus cortes no pulso zangada.
    • Sam...
    • São velhos, eu juro! Eu não fiz nada essa semana.
    • Hm. Posso confiar? Você não costuma se abrir tão fácil.
    • O que quer dizer com isso?
    • Eu conheço a amiga que tenho. – Falou soltando meu braço. – Não faça nada que se arrependa.
    • E se eu fizer?
    • Para.
    • Parar com o que? – Nós nos encaramos após isso. Enquanto eu mantia meu olhar morta, ela estava perdendo a paciência comigo.
    • Por que tá fazendo isso?
    • Você sabe porquê. Isso é nem é o pior que já fiz.
    • PARA! – Amy gritou furiosa.
    • Por que se importa tanto? Eu não tenho valor algum, não mereço tanta atenção-
    • VOCÊ É MINHA AMIGA, IDIOTA! – Gritou mais alto, já estava vermelha de raiva. – VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO DO QUANTO EU ME IMPORTO COM VOCÊ, DE ONDE EU IRIA POR VOCÊ!
    • E por que faz isso?
    • EU NÃO QUERO PERDER MINHA ÚNICA MELHOR AMIGA!
Fiquei em silêncio. Minha mente queria dizer coisas, mas não consiguia forças para dizer.
    • Por favor, apenas pare de fazer essas coisas.
    • Eu não posso prometer nada. Você não faz ideia da dor que sinto. Isso é maior que eu. Uma dor insuportável que sou obrigada a carregar. Não é fácil aguentar.
    • Mas você aguentou até aqui. – Falou enquanto me puxa para a cama e se sentava. – E sabe que essa dor não é só sua. Nós estamos juntas, sua dor é minha dor. Se você sofre, eu sofro. Enquanto estiver com você, sofreremos juntas, mas nunca vou te deixar sofrendo sozinha.
    • E por que não me deixa sofrer sozinha? Isso seria mais fácil pra você.
    • Eu não quero o fácil. Eu quero você.
    • Mas eu não entendo. Todos foram embora. Por que apenas você insiste em ser amiga de uma falha?
    • Porque sei que no fundo no fundo, ainda existe a Samantha feliz e determinada que eu conheci.
    • Como sabe?
    • Isso é apenas uma fase. Uma difícil e sofrida fase. Mas sei que vamos passar por isso. – Falou olhando nos meus olhos. Logo depois, agarrou minha mão e segurou forte olhando em meus olhos. – Juntas!
    • Você diz como se fosse fácil.
Podia perceber que Amy estava ficando zangada novamente. Por mais que ela tentasse me animar com frases positivas, eu me mantia no chão.
    • Não gosto de falar disso, mas você não quer anti-depressivos? Te ajudaria a se sentir melhor? Você precisa de ajuda. Está mais do que claro que a minha não é a que você quer.
    • Anti-depressivos?! NÃO! – Me levantei indignada pela sugestão dela. – Se isso funcionasse, já teria tomado! Não vai ser um remédio que vai me dizer que estou bem. Não vai apagar minha memória e traumas. Não vai me fazer pensar que a vida é um paraíso e dar esperanças que tudo será perfeito. NÃO É! – Falei ainda indignada, mas me acalmando. – Isso é muito mais profundo do que você pensa... – Terminei me sentando na cama.
    • Você não quer minha ajuda e não quer ajuda médica. Então, o que você quer? – Ela disse calmamente, mas séria.
Tinha a resposta na ponta de língua, mas ainda assim, fui atingida por um ar de confusão que embaralhou meus pensamentos. Não sabia o que responder, não sabia como reagir, apenas desabei em lágrimas.
    • Eu... Eu não sei! – Falei chorando.
Amy me puxou e me fez encostar a cabeça em seu ombro. Enquanto chorava, ela acariciava meu cabelo e me abraçava.
    • Por que você faz isso? – Perguntei chorando, mas ela ficou em silêncio. – Me responde!
    • Shhh... – Essa foi sua resposta, ainda acariciando meu cabelo.
Sua camisa branca estava manchando com minhas lágrimas. Queria parar, mas ela me impedia de fugir.
    • Apenas coloque para fora. Deixa a dor escorrer. – Ela falou, calmamente.
Por mais que quisesse continuar chorando, eu já estava ficando incomodada por estar fazer isso nela. Tentei me livrar de seu abraço, mas ela me impedia.
    • Eu não quero mais. Me solta, por favor.
    • Deixe isso escorrer...
    • Eu não quero mais. Estou cansada!
Ela continuou me acariciando por alguns segundos até finalmente me soltar. Quando me soltou, me levantei lentamente com uma forte dor na coluna.
    • Se sente melhor? – Ela perguntou.
    • Minhas costas doem... – Respondi endireitando minha coluna.
    • Ótimo.
Amy se levantou da cama e ficou no meio do meu quarto de costas.
    • Sabe, eu só vim perguntar se você ia para a faculdade hoje. Mas tenho uma ideia melhor. Vou ficar aqui com você.
    • O que?! – Falei espantada e surpresa. – Você não pode. Vai ficar com problemas no curso!
    • Nós vamos.
    • Vai embora! – Falei mais alto.
    • Sinto muito. Minha mente já está decidida. Vou pegar suas roupas e depois nos encontramos lá na sala.
    • Não! – Gritei.
Amy decidiu não me ouvir. Ela seguiu em direção ao meu guarda-roupas, mas, então, notou as roupas em minha cama. Ela as pegou e começou a analisar como uma obra de arte abstrata.
    • Que roupas... curiosas... – Falou enquanto colocava o dedo entre um dos vários furos que haviam em minha calça. – É alguma moda gótica nova?
Sem querer, soltei uma leve risadinha misturada com choro, mas tentei disfarçar rapidamente.
    • Pode deixar minhas roupas aí, por favor?
    • Tá bom, tá bom. Me encontra na sala.
Amy saiu do meu quarto e desceu as escadas, me deixando sozinha. Eu não sabia o que sentir. Uma parte de mim estava radiante de alegria em saber que ela estava aqui, mas outra estava morrendo de agonia em saber que ela estava sacrificando um dia de aula apenas para ficar cuidando de uma garota estupida.
Enquanto me arrumava, percebi que Amy havia deixado a porta com espelho do guarda-roupa aberto. Assim que terminei de me vestir com as roupas que estava na cama fui fechar a porta, mas fiquei me olhando por um tempo, pensativa.
    • Como eu cheguei a esse ponto? Uma garota alegre, linda, cheia de amigos e com um namorado, para uma pobre infeliz, depressiva, sem amigos e implorando pra morrer ou pedindo para que todos morram. Eu não sei o que me tornei. – Pensei.
Meu rosto estava manchado de lágrimas novamente. Mais uma vez no mesmo mês e em poucos dias. Eu não sabia dizer o que estava errado comigo, tudo parecia errado, como se não pertencesse nesse mundo. Alguém com tamanha infelicidade não deveria estar entre os vivos. Havia me tornado um exemplo de fracasso, um fracasso que não consegue nem se manter sozinha em casa.
Quando voltei a me olhar no espelho, percebi algo atrás de mim. Não conseguia identificar o que era, mas era estranho. Olhei para trás, mas não via ninguém. Voltei a olhar o espelho, dessa vez, um pouco mais perto. Achava que poderia ser sujeira ou apenas o espelho ficando borrado, mas, então, percebi que era Folger quem estava atrás de mim. De repente, uma mão saiu de dentro do espelho e tentou me agarrar, mas pulei para trás da cama com o susto, soltando um grito ensurdecedor. Não demorou até Amy voltar correndo até meu quarto.
    • O QUE ACONTECEU??? – Ela perguntou desesperada.
    • Folger tentou me agarrar! – Respondi agitada.
    • Folger?! Onde?
    • Ali, no espelho! – Falei apontando para o espelho, agora, normal. Como se nada tivesse acontecido.
Amy olhou para o espelho confusa e olhou de volta para mim.
    • Folger tentou te agarrar... no espelho? – Perguntou confusa.
Quando ela perguntou isso, eu fui atingida pelo fato de o quão ridículo isso soava. Agora ela iria achar que estava louca ou estava inventando coisas, com certeza.
    • Ele... – Suspirei e abaixei a cabeça – Esquece. Não era nada. Devo estar louca.
    • Espera, você viu Folger no espelho?
    • Não. Esquece. – Falei me levantando.
    • Não. Você viu ele no espelho.
    • O que quer dizer?
    • Você não iria inventar algo do tipo sem motivos. Você viu ele.
    • … – Não sabia o que dizer, apenas fiquei em silêncio.
    • Faz quanto tempo que você esteve vendo ele?
    • Eu... eu não sei. Coisas estranhas tem acontecido ultimamente.
    • Que tipo de coisas?
    • Coisas... sons estranhos... As vezes sinto que alguém me tocou, mas sempre que isso acontece, ninguém está por perto. Constantemente vejo vultos quando estou me olhando no espelho. Sinto energias estranhas...
    • E isso vem acontecendo há quanto tempo?
    • Desde quinta.
    • Desde então, você tem tido essas sensações?
    • Sim.
Amy ficou em silêncio por alguns segundos, pensativa.
    • Você tem dormido bem? Tem descansado ao menos? Isso pode ser alucinação.
    • Não... Não tenho dormido bem. – Falei dando um suspiro desanimada.
    • Entendo... Tente não pensar muito nisso. Quanto mais se distrair, vai ser melhor. Vamos descer, logo logo vou começar a fazer o almoço e quero passar um tempo com você.
Amy se virou para sair do quarto, mas antes que pudesse chegar nas escadas, eu a chamei novamente.
    • E se isso não for uma alucinação... você acreditaria em mim?
    • Eu não sei... – Amy falou, ficando pensativa logo em seguida. – Você vê coisas que eu não consigo ver. Mas estou disposta a te ouvir sempre que precisar. Não te deixarei sozinha.
    • Ah... Obrigada, eu acho. – Falei desanimada.
Amy saiu do meu quarto e a segui em direção à sala. Tinha tempo até meus pais chegarem.
Casa da Samantha
12:21
Estava na cozinha junto com Amy, a ajudando a fazer o almoço. Nunca havia feito almoço na minha vida e ela estava tentando me ensinar algo que minha mãe nunca teve paciência de fazer: Cozinhar. Na sala, a TV ainda estava ligada, com o volume alto para nós ouvirmos. Era horário do jornal local, então era bom deixar ligado.
“A policia ainda investiga o caso dos jovens que morreram em um acidente na faculdade. Agora vamos para a previsão do tempo.”
    • Agora use o espremedor para espremer as batatas. – Amy falou enquanto temperava carne.
Coloquei pedaços cortados de batatas cozidas em um espremedor de batatas e apertei com força. Foi satisfatório e empolgante ver a batata saindo do espremedor de forma tão pastosa. Me sentia um tanto alegre nesse momento apenas por fazer algo novo, mesmo que fosse simples.
“Fara frio na região norte do estado durante a semana devido a uma leve nevasca vinda do sul.”
    • Viu como é fácil? – Amy falou sorrindo. Ela percebeu meu sorriso. – Foi você quem fez!
“Na região sul, haverá uma forte tempestade com uma grande chance de furacão que pode acontecer de se deslocar por metade do estado. A previsão é que ele chegue em três dias.”
    • Eu não saberia nem como começar se não fosse por você. Eu nem sabia que tinhamos esses utensílios.
    • Espera. – Amy falou largando tudo e correndo em direção ao meu quarto. Não pude fazer nada além de segui-la.
Ela havia parado na minha janela, olhando para o horizonte. O céu estava coberto de núvens escuras e vinham em nossa direção.
    • O que foi? Por que correu desse jeito?
    • Você não ouviu? Um furacão está vindo em direção à cidade!
    • Deus... O que podemos fazer? Não temos onde ir!
    • De fato. E meu pagamento só chega mês que vem. Sem chance de conseguir sair.
Não sabia o que responder. Apenas fiquei em silêncio, morrendo por dentro pela ansiedade. Também espantada, pois furacões não eram normais na região.
    • Bem, tenho certeza que ficará tudo bem. Furacões não são comuns por aqui. Talvez se desfaça no caminho.
    • Espero que esteja certa.
    • Vamos, temos um almoço para fazer.
    • Mas e o furacão?!
    • Não podemos fazer nada. Não somos a mãe natureza. – Gritou da escada, já descendo para a cozinha.
De repente, quando pisamos no piso de frente para a porta da frente, meus pais entraram sem aviso. Eu congelei nesse momento, não sabia o que fazer.
    • O que você está fazendo aqui!? – Gritou meu Pai.
    • Você está descendo do quarto da minha filha! – Minha mãe gritou.
    • O que vocês estavam fazendo no quarto!?
Sem dar respostas, Amy apenas os ignorou e seguiu até a cozinha. Tentei segui-la, mas meu pai me parou na escada, enquanto minha mãe foi atrás de Amy.
    • O Que vocês estavam fazendo no quarto???
    • Nada, eu juro! – Falei quase chorando de nervoso.
    • Fala a verdade! – Meu pai gritou enquanto puxava sua cinta.
    • É VERDADE, NÃO FIZEMOS NADA! – Gritei começando a chorar e cobrindo meu rosto.
    • MENTIRA!
Meu pai bateu com sua cinta em minha costela, me fazendo tirar a mão do rosto e continou a me bater, atingindo meu rosto e me fazendo cair sentada na escada.
PARA, PARAAA, PARA, TÁ DOENDO! – Gritei em desespero enquanto meu pai me batia onde podia com seu cinto.
De repente, Amy afastou meu pai dando um chute em seu peito, o jogando no chão da sala. Logo depois, me levantou e me puxou correndo em direção ao quintal pela porta dos fundos. Do lado de fora, ela continuou a me puxar e a correr pela rua.
    • POR QUE FEZ AQUILO? VOCÊ BATEU NOS MEUS PAIS!!! – Gritei furiosa, mas ainda chorando.
    • Não me surpreende você estar toda fodida da cabeça. Seus pais são uns doentes! Eu vou te tirar de lá. Você não está segura com eles.
    • E onde estamos indo?
    • Vou te levar pra minha casa. Eles não te merecem.

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