~Legends Hunter~
Capítulo 3
Laços de Amizade
Acordei
em um beco sem-saída próxima de uma lixeira. Era uma noite escura e
estava confusa, não sabia onde estava e o que estava fazendo ali.
Olhei a minha volta e não encontrava nenhuma outra saída além de
um corredor reto onde duas figuras escuras estavam parados. Caminhei
em direção a eles lentamente, até que, de repente, um deles saca
uma arma da cintura e o outro revida com uma facada. Mesmo assim, a
outra figura leva um tiro e cai no chão, enquanto o atirador foge
correndo em minha direção. Tentei para-lo, mas o atirador apenas me
atravessou como se eu não estivesse ali. De repente, uma terceira
figura apareceu próximo da figura caída e deitou sob seu corpo.
Tentei olhar mais atentamente e tentar entender o que estava
acontecendo, mas fui impedida. Dois policiais surgiram do meu lado e
me algemaram com algemas eletrificadas. Logo depois, me agarraram
pelos braços, me arrastaram pelo chão e me jogaram em um
porta-malas de uma viatura. Tentei escapar, retirar as algemas, mas
quanto mais me mexia, mais forte a voltagem ficava. Quando olhei para
o retrovisor da viatura, pude ver o rosto da policial. Era uma
branca, ruiva...
- Ela se parece... comigo! – Pensei.
Quando
esse pensamento passou pela minha cabeça, o carro ligou e a cabeça
da policial se abriu como uma flor de carne e sangue. Então, estava
em meu quarto.
29
de Setembro de 2014
05:52
Casa
da Samantha
Acordei
em meu quarto escuro. A única luz vinha de fora, a luz do sol que se
levantava no horizonte. Minha mente estava confusa, não entedi o que
havia acontecido. Então, aceitei que isso foi apenas mais um
pesadelo, mas não entendia seu significado. Era apenas mais um
pesadelo dentre tantos outros. No final das contas, havia acordado
para ver mais um dia.
Havia
se passado dias desde a morte dos garotos na faculdade. Havia parado
de ir e insisti para que Amy não viesse me buscar. Algumas vezes ela
aparecia apenas para me ver e saber como estava, logo em seguida, ia
embora. Nesse meio tempo, não tinha o que fazer, não tinha quem
conversar e apenas ficava trancada em meu quarto escrevendo recentes
acontecimentos e sentimentos em meu diário.
Meus
pais já estavam acordados. Podia sentir o cheio de café subindo as
escadas e invadindo meu quarto. Era um costume deles acordarem cedo
apenas para assistir o jornal e fazer café. Não se falavam, não
vinham falar comigo, apenas faziam seu café e iam embora sem se
despedirem.
Sentia
uma estranha energia ao meu redor, mas já fazia dias que estava
sentindo isso, então decidi não pensar muito. Me levantei da cama e
fui até o banheiro me olhar no espelho. Estava pálida, meu cabelo
parecia uma enorme teia de aranha vermelha e estava com olheiras
enormes. Olhei os cortes em meu pulso e ainda estavam evidentes, com
clara chance de que iria virar cicatrizes.
Entrei
debaixo do chuveiro e deixei a água quente acalmar minha mente
barulhenta. Fechei os olhos, respirei fundo e fiquei parada por um
tempo sentindo a água e a deixando escorrer pelo meu corpo. Enquanto
isso, podia ouvir o carro saindo da garagem, mas ouvia a TV também.
Meus pais não tinha o hábito de deixar TV ligada quando saem. Bem,
teria que desligar eu mesmo, mas apenas iria depois do banho. A água
estava tão boa que eu nem me preocupei muito com isso.
Quando
saí do banho, peguei a toalha do porta toalha e me enxuguei. Logo
depois, enrolei em meu corpo. Poderia apenas ir nua até meu quarto,
mas Amy estaria aqui a qualquer momento. Ela diz que não se incomoda
de me ver “Il naturale”, mas eu me incomodo. Fui até meu
guarda-roupas, peguei as roupas mais velhas que tinha e joguei na
cama. Logo depois, me abaixei para pegar minha calcinha na gaveta,
até que ouvi um assovio vindo por trás.
- Mas que corpo, gata. Assim tão cedo é demais para mim.
Rapidamente,
me levantei, virei e segurei a toalha em meu corpo morrendo de
vergonha. Era Amy, dessa vez, pulando pela minha janela em plena seis
da manhã. Qualquer juizo que ela tinha, com certeza ela perdeu nessa
semana.
- AMY!!! – Gritei irritada.
Ela
apenas riu e pulou para dentro do meu quarto.
- É brincadeira, boba! – Falou enquanto caminhava em minha direção.
Ela
tentou me dar um abraço, mas a afastei com minha mão livre.
- Ei, eu só-
- Meu espaço, por favor. – Falei com a mão ainda estendida.
- Mas só queria te dar um abraço... ei , o que é isso?
Ela
pegou meu braço e olhou meus cortes no pulso zangada.
- Sam...
- São velhos, eu juro! Eu não fiz nada essa semana.
- Hm. Posso confiar? Você não costuma se abrir tão fácil.
- O que quer dizer com isso?
- Eu conheço a amiga que tenho. – Falou soltando meu braço. – Não faça nada que se arrependa.
- E se eu fizer?
- Para.
- Parar com o que? – Nós nos encaramos após isso. Enquanto eu mantia meu olhar morta, ela estava perdendo a paciência comigo.
- Por que tá fazendo isso?
- Você sabe porquê. Isso é nem é o pior que já fiz.
- PARA! – Amy gritou furiosa.
- Por que se importa tanto? Eu não tenho valor algum, não mereço tanta atenção-
- VOCÊ É MINHA AMIGA, IDIOTA! – Gritou mais alto, já estava vermelha de raiva. – VOCÊ NÃO TEM NOÇÃO DO QUANTO EU ME IMPORTO COM VOCÊ, DE ONDE EU IRIA POR VOCÊ!
- E por que faz isso?
- EU NÃO QUERO PERDER MINHA ÚNICA MELHOR AMIGA!
Fiquei
em silêncio. Minha mente queria dizer coisas, mas não consiguia
forças para dizer.
- Por favor, apenas pare de fazer essas coisas.
- Eu não posso prometer nada. Você não faz ideia da dor que sinto. Isso é maior que eu. Uma dor insuportável que sou obrigada a carregar. Não é fácil aguentar.
- Mas você aguentou até aqui. – Falou enquanto me puxa para a cama e se sentava. – E sabe que essa dor não é só sua. Nós estamos juntas, sua dor é minha dor. Se você sofre, eu sofro. Enquanto estiver com você, sofreremos juntas, mas nunca vou te deixar sofrendo sozinha.
- E por que não me deixa sofrer sozinha? Isso seria mais fácil pra você.
- Eu não quero o fácil. Eu quero você.
- Mas eu não entendo. Todos foram embora. Por que apenas você insiste em ser amiga de uma falha?
- Porque sei que no fundo no fundo, ainda existe a Samantha feliz e determinada que eu conheci.
- Como sabe?
- Isso é apenas uma fase. Uma difícil e sofrida fase. Mas sei que vamos passar por isso. – Falou olhando nos meus olhos. Logo depois, agarrou minha mão e segurou forte olhando em meus olhos. – Juntas!
- Você diz como se fosse fácil.
Podia
perceber que Amy estava ficando zangada novamente. Por mais que ela
tentasse me animar com frases positivas, eu me mantia no chão.
- Não gosto de falar disso, mas você não quer anti-depressivos? Te ajudaria a se sentir melhor? Você precisa de ajuda. Está mais do que claro que a minha não é a que você quer.
- Anti-depressivos?! NÃO! – Me levantei indignada pela sugestão dela. – Se isso funcionasse, já teria tomado! Não vai ser um remédio que vai me dizer que estou bem. Não vai apagar minha memória e traumas. Não vai me fazer pensar que a vida é um paraíso e dar esperanças que tudo será perfeito. NÃO É! – Falei ainda indignada, mas me acalmando. – Isso é muito mais profundo do que você pensa... – Terminei me sentando na cama.
- Você não quer minha ajuda e não quer ajuda médica. Então, o que você quer? – Ela disse calmamente, mas séria.
Tinha
a resposta na ponta de língua, mas ainda assim, fui atingida por um
ar de confusão que embaralhou meus pensamentos. Não sabia o que
responder, não sabia como reagir, apenas desabei em lágrimas.
- Eu... Eu não sei! – Falei chorando.
Amy
me puxou e me fez encostar a cabeça em seu ombro. Enquanto chorava,
ela acariciava meu cabelo e me abraçava.
- Por que você faz isso? – Perguntei chorando, mas ela ficou em silêncio. – Me responde!
- Shhh... – Essa foi sua resposta, ainda acariciando meu cabelo.
Sua
camisa branca estava manchando com minhas lágrimas. Queria parar,
mas ela me impedia de fugir.
- Apenas coloque para fora. Deixa a dor escorrer. – Ela falou, calmamente.
Por
mais que quisesse continuar chorando, eu já estava ficando
incomodada por estar fazer isso nela. Tentei me livrar de seu abraço,
mas ela me impedia.
- Eu não quero mais. Me solta, por favor.
- Deixe isso escorrer...
- Eu não quero mais. Estou cansada!
Ela
continuou me acariciando por alguns segundos até finalmente me
soltar. Quando me soltou, me levantei lentamente com uma forte dor na
coluna.
- Se sente melhor? – Ela perguntou.
- Minhas costas doem... – Respondi endireitando minha coluna.
- Ótimo.
Amy
se levantou da cama e ficou no meio do meu quarto de costas.
- Sabe, eu só vim perguntar se você ia para a faculdade hoje. Mas tenho uma ideia melhor. Vou ficar aqui com você.
- O que?! – Falei espantada e surpresa. – Você não pode. Vai ficar com problemas no curso!
- Nós vamos.
- Vai embora! – Falei mais alto.
- Sinto muito. Minha mente já está decidida. Vou pegar suas roupas e depois nos encontramos lá na sala.
- Não! – Gritei.
Amy
decidiu não me ouvir. Ela seguiu em direção ao meu guarda-roupas,
mas, então, notou as roupas em minha cama. Ela as pegou e começou a
analisar como uma obra de arte abstrata.
- Que roupas... curiosas... – Falou enquanto colocava o dedo entre um dos vários furos que haviam em minha calça. – É alguma moda gótica nova?
Sem
querer, soltei uma leve risadinha misturada com choro, mas tentei
disfarçar rapidamente.
- Pode deixar minhas roupas aí, por favor?
- Tá bom, tá bom. Me encontra na sala.
Amy
saiu do meu quarto e desceu as escadas, me deixando sozinha. Eu não
sabia o que sentir. Uma parte de mim estava radiante de alegria em
saber que ela estava aqui, mas outra estava morrendo de agonia em
saber que ela estava sacrificando um dia de aula apenas para ficar
cuidando de uma garota estupida.
Enquanto
me arrumava, percebi que Amy havia deixado a porta com espelho do
guarda-roupa aberto. Assim que terminei de me vestir com as roupas
que estava na cama fui fechar a porta, mas fiquei me olhando por um
tempo, pensativa.
- Como eu cheguei a esse ponto? Uma garota alegre, linda, cheia de amigos e com um namorado, para uma pobre infeliz, depressiva, sem amigos e implorando pra morrer ou pedindo para que todos morram. Eu não sei o que me tornei. – Pensei.
Meu
rosto estava manchado de lágrimas novamente. Mais uma vez no mesmo
mês e em poucos dias. Eu não sabia dizer o que estava errado
comigo, tudo parecia errado, como se não pertencesse nesse mundo.
Alguém com tamanha infelicidade não deveria estar entre os vivos.
Havia me tornado um exemplo de fracasso, um fracasso que não
consegue nem se manter sozinha em casa.
Quando
voltei a me olhar no espelho, percebi algo atrás de mim. Não
conseguia identificar o que era, mas era estranho. Olhei para trás,
mas não via ninguém. Voltei a olhar o espelho, dessa vez, um pouco
mais perto. Achava que poderia ser sujeira ou apenas o espelho
ficando borrado, mas, então, percebi que era Folger quem estava
atrás de mim. De repente, uma mão saiu de dentro do espelho e
tentou me agarrar, mas pulei para trás da cama com o susto, soltando
um grito ensurdecedor. Não demorou até Amy voltar correndo até meu
quarto.
- O QUE ACONTECEU??? – Ela perguntou desesperada.
- Folger tentou me agarrar! – Respondi agitada.
- Folger?! Onde?
- Ali, no espelho! – Falei apontando para o espelho, agora, normal. Como se nada tivesse acontecido.
Amy
olhou para o espelho confusa e olhou de volta para mim.
- Folger tentou te agarrar... no espelho? – Perguntou confusa.
Quando
ela perguntou isso, eu fui atingida pelo fato de o quão ridículo
isso soava. Agora ela iria achar que estava louca ou estava
inventando coisas, com certeza.
- Ele... – Suspirei e abaixei a cabeça – Esquece. Não era nada. Devo estar louca.
- Espera, você viu Folger no espelho?
- Não. Esquece. – Falei me levantando.
- Não. Você viu ele no espelho.
- O que quer dizer?
- Você não iria inventar algo do tipo sem motivos. Você viu ele.
- … – Não sabia o que dizer, apenas fiquei em silêncio.
- Faz quanto tempo que você esteve vendo ele?
- Eu... eu não sei. Coisas estranhas tem acontecido ultimamente.
- Que tipo de coisas?
- Coisas... sons estranhos... As vezes sinto que alguém me tocou, mas sempre que isso acontece, ninguém está por perto. Constantemente vejo vultos quando estou me olhando no espelho. Sinto energias estranhas...
- E isso vem acontecendo há quanto tempo?
- Desde quinta.
- Desde então, você tem tido essas sensações?
- Sim.
Amy
ficou em silêncio por alguns segundos, pensativa.
- Você tem dormido bem? Tem descansado ao menos? Isso pode ser alucinação.
- Não... Não tenho dormido bem. – Falei dando um suspiro desanimada.
- Entendo... Tente não pensar muito nisso. Quanto mais se distrair, vai ser melhor. Vamos descer, logo logo vou começar a fazer o almoço e quero passar um tempo com você.
Amy
se virou para sair do quarto, mas antes que pudesse chegar nas
escadas, eu a chamei novamente.
- E se isso não for uma alucinação... você acreditaria em mim?
- Eu não sei... – Amy falou, ficando pensativa logo em seguida. – Você vê coisas que eu não consigo ver. Mas estou disposta a te ouvir sempre que precisar. Não te deixarei sozinha.
- Ah... Obrigada, eu acho. – Falei desanimada.
Amy
saiu do meu quarto e a segui em direção à sala. Tinha tempo até
meus pais chegarem.
Casa
da Samantha
12:21
Estava
na cozinha junto com Amy, a ajudando a fazer o almoço. Nunca havia
feito almoço na minha vida e ela estava tentando me ensinar algo que
minha mãe nunca teve paciência de fazer: Cozinhar. Na sala, a TV
ainda estava ligada, com o volume alto para nós ouvirmos. Era
horário do jornal local, então era bom deixar ligado.
“A policia ainda
investiga o caso dos jovens que morreram em um acidente na faculdade.
Agora vamos para a previsão do tempo.”
- Agora use o espremedor para espremer as batatas. – Amy falou enquanto temperava carne.
Coloquei
pedaços cortados de batatas cozidas em um espremedor de batatas e
apertei com força. Foi satisfatório e empolgante ver a batata
saindo do espremedor de forma tão pastosa. Me sentia um tanto alegre
nesse momento apenas por fazer algo novo, mesmo que fosse simples.
“Fara frio na
região norte do estado durante a semana devido a uma leve nevasca
vinda do sul.”
- Viu como é fácil? – Amy falou sorrindo. Ela percebeu meu sorriso. – Foi você quem fez!
“Na região sul,
haverá uma forte tempestade com uma grande chance de furacão que
pode acontecer de se deslocar por metade do estado. A previsão é
que ele chegue em três dias.”
- Eu não saberia nem como começar se não fosse por você. Eu nem sabia que tinhamos esses utensílios.
- Espera. – Amy falou largando tudo e correndo em direção ao meu quarto. Não pude fazer nada além de segui-la.
Ela
havia parado na minha janela, olhando para o horizonte. O céu estava
coberto de núvens escuras e vinham em nossa direção.
- O que foi? Por que correu desse jeito?
- Você não ouviu? Um furacão está vindo em direção à cidade!
- Deus... O que podemos fazer? Não temos onde ir!
- De fato. E meu pagamento só chega mês que vem. Sem chance de conseguir sair.
Não
sabia o que responder. Apenas fiquei em silêncio, morrendo por
dentro pela ansiedade. Também espantada, pois furacões não eram
normais na região.
- Bem, tenho certeza que ficará tudo bem. Furacões não são comuns por aqui. Talvez se desfaça no caminho.
- Espero que esteja certa.
- Vamos, temos um almoço para fazer.
- Mas e o furacão?!
- Não podemos fazer nada. Não somos a mãe natureza. – Gritou da escada, já descendo para a cozinha.
De
repente, quando pisamos no piso de frente para a porta da frente,
meus pais entraram sem aviso. Eu congelei nesse momento, não sabia o
que fazer.
- O que você está fazendo aqui!? – Gritou meu Pai.
- Você está descendo do quarto da minha filha! – Minha mãe gritou.
- O que vocês estavam fazendo no quarto!?
Sem
dar respostas, Amy apenas os ignorou e seguiu até a cozinha. Tentei
segui-la, mas meu pai me parou na escada, enquanto minha mãe foi
atrás de Amy.
- O Que vocês estavam fazendo no quarto???
- Nada, eu juro! – Falei quase chorando de nervoso.
- Fala a verdade! – Meu pai gritou enquanto puxava sua cinta.
- É VERDADE, NÃO FIZEMOS NADA! – Gritei começando a chorar e cobrindo meu rosto.
- MENTIRA!
Meu
pai bateu com sua cinta em minha costela, me fazendo tirar a mão do
rosto e continou a me bater, atingindo meu rosto e me fazendo cair
sentada na escada.
– PARA, PARAAA, PARA, TÁ DOENDO! – Gritei em desespero enquanto meu pai me batia onde podia com seu cinto.
– PARA, PARAAA, PARA, TÁ DOENDO! – Gritei em desespero enquanto meu pai me batia onde podia com seu cinto.
De
repente, Amy afastou meu pai dando um chute em seu peito, o jogando
no chão da sala. Logo depois, me levantou e me puxou correndo em
direção ao quintal pela porta dos fundos. Do lado de fora, ela
continuou a me puxar e a correr pela rua.
- POR QUE FEZ AQUILO? VOCÊ BATEU NOS MEUS PAIS!!! – Gritei furiosa, mas ainda chorando.
- Não me surpreende você estar toda fodida da cabeça. Seus pais são uns doentes! Eu vou te tirar de lá. Você não está segura com eles.
- E onde estamos indo?
- Vou te levar pra minha casa. Eles não te merecem.
Quando sai o próximo?
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