sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Pensamentos

~Legends Hunter~

Estava em meu quarto durante uma noite quente, isolado em meu mundo. As luzes estavam apagadas, nenhuma luz artificial iluminava meu quarto, estava em absoluta escuridão, sozinho comigo e meus pensamentos. Em momentos assim, costumo ficar triste. A depressão que eu lutava constantemente a manter longe vinha destruir meus pensamentos, mas não esta noite. Nesta noite, eu me sentia mais alegre, motivado, mas ainda me sentia triste, triste por estar sozinho e isolado. Peguei meu celular, coloquei algumas musicas pra tocar e deixar a mente se aquietar no som. Sabia que não receberia nenhuma mensagem.
Anos atrás, quando criança, crianças do bairro se encontravam na rua para brincar umas com as outras. Algumas faziam amizades e outras já se conheciam. E havia eu, a criança solitária que ninguém queria brincar e ninguém queria fazer amizade, podia apenas olhar os outros se divertirem sob a luz da lua enquanto eu ficava trancado nas sombras de casa.
Cansado de ficar deitado ouvindo música, decidi abrir a janela e olhar a paísagem. A luz brilhava forte como nunca havia brilhado antes. A rua estava deserta, todas as luzes das casas próximas e estavam apagadas e só era possível ver luzes na cidade ao longe, atrás das grandes árvores e o longo campo verde. Os vaga-lumes estavam por todos os cantos, sendo possível ver pequenas luzes se acendendo e apagando constantemente no quintal. Nunca havia visto a rua desse jeito,muito menos o mundo ao meu redor. Havia uma paz que não era comum de se ver, silêncio incomum de se ouvir. Apesar de toda a beleza da paísagem, eu não parava de olhar para a lua. Seu brilho forte havia me prendido, sua beleza clara no meio do céu azul-escuro me deixava encantado. Não via nenhuma estrela no céu, mas tampouco me importava. Eu só queria ver a lua, era como ver o rosto da pessoa amada, alguém que você não quer se separar e deixar de admirar. Sentimento que me faltava.
Havia uma época em que eu sabia amar, sabia demonstrar amor e carinho. Hoje em dia, amor é uma palavra dolorosa. O conceito de afeto por outra pessoa era algo, de algum modo, assustador. Pessoas machucam, eu machuquei, já fui machucado, e sinto que o que sofri mereci ter sofrido. Nunca me importei em errar se fosse me afetar, mas se meus erros afetassem outra pessoa isso me corroía por dentro. O que eu errei amando foi o suficiente pra nunca mais amar.
O luar me fez perceber o que eu era. Eu era a escuridão e aquele que se esconde nela, enquanto a luz da lua era aquele que me faltava, alguém a me amar e ser amado. Mas eu não podia, experiências passadas me proíbiam de sair da escuridão, de amar alguém. Mesmo se alguém tentasse me tirar, eu recusava. A escuridão era minha zona de conforto e sofrimento, o lugar onde eu pagava pelos meus erros me isolando e vivendo a solidão. Enquanto isso, aqueles que amei vivem suas vidas felizes, sabendo que sua luz e escuridão se uniram em equilíbrio. Por mais que os inveje, isso me deixa feliz. Todos já me esqueceram, mas eu nunca os esqueci. A felicidade de quem amei é o que mais me importa. Mas independente de tudo, meu destino é viver em eterna e sombria solidão, solidão que devo aceitar como minha. A solidão de um coração sonhador ferido e abandonado.
No fim da noite, a felicidade havia desaparecido e a tristeza havia tomado conta de vez. Nada errado havia acontecido, mas pensamentos sozinhos são poderosos demais para alguém fraco.
Não há finais felizes para pessoas falhas e estranhas... Não há para mim e nunca haverá.

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