~Legends Hunter~
Prólogo
– Já estamos chegando no hospital. Eles vão cuidar de você. – Falei enquanto carregava meu namorado apoiado em meu ombro.
– Não vou conseguir sobreviver, já perdi muito sangue. – Ele disse com a voz falha, exausto e com a respiração alterada.
– Não, não diga isso! Você vai sobreviver sim. Aguente firme!
Estavamos na parte ruim da cidade. Era dez da noite e ninguém iria nos ajudar a levá-lo ao Hospital. Folger havia perdido muito sangue de seu peito e eu já estava desesperada por não ter como ajudá-lo.
– Por favor… me deixe. Já estou… perto do fim – Disse antes de se engasgar com o próprio sangue e tossir. – Me deixe… não torne isso pior pra você.
– Eu não vou te abandonar. Você vai sair daqui vivo! – Falei angustiada.
Continuamos a caminhar em direção ao hospital. Não estava longe, já conseguíamos ver à nossa frente. Restava poucos passos pra esse pesadelo acabar.
Assim que pisamos no primeiro degrau da escada, nós tropeçamos e caímos na frente da porta. Não perdi tempo em me levantar. Segurei suas mãos e tentei levantá-lo levemente mas, assim que ele se levantou, eu percebi que a nossa queda se levou a minha fraqueza. Não demorou até eu desequilibrar e cairmos juntos novamente. Estávamos mais próximos da porta automática, tão próximos que já estava aberta pra nossa entrada. Alguém teria que nos ver e nos ajudar.
– Socorro! Por favor, alguém nos ajude! – Gritei rasgando minha garganta na esperança de que algum médico ou boa alma nos ouviria do lado de fora. – Médico! Alguém! Por favor, preciso de aju… – Continuei a gritar, mas fui interrompida por um forte aperto na minha mão. Folger estava me apertando com toda a sua força restante.
– Vá… embora… Eu consigo… seguir daqui… – Folger disse enquanto se levantava com dificuldade. Ele deu dois curtos passos em direção à entrada do hospital, mas caiu logo em seguida assim que atravessou a porta.
– FOLGER!!! – Gritei desesperadamente.
Me levantei o mais rápido que pude em sua direção. Mesmo caído, ele ainda tentava se arrastar pelo carpete azul agora manchado de vermelho.
– Pare de se mexer! Você já perdeu muito sangue! – Gritei em uma tentativa falha de fazer ele me ouvir.
– Eu… eu lamento… lamento por tudo… – Folger disse com a voz falha.
– Pelo quê?! Você não fez nada de errado! – Falei chorando.
– Hoje… era pra ser um dia… especial.
– Do que você tá falando?! Sai dessa! Eu não vou te abandonar aqui! – Gritei em prantos.
– Espero… ter feito… o melhor… pra você… – Folger disse antes de tossir sangue mais uma vez.
– Folger, por favor. Tente aguentar mais um pouco. Eu não quero perder você!– Falei sentindo meu coração sendo esmagado a cada palavra que ele dizia. A dor que ele estava sentindo estava me atingindo em forma de palavras. Temia que o pior aconteceria a qualquer segundo. – Se você morrer, eu morrerei com você! – Falei chorando.
– N-não… desper-disse… sua vida… c-comigo. – Folger disse gemendo.
– Não há mais ninguém que eu gostaria de morrer ao lado. Eu te amo, eu preciso de você. Não quero que você vá embora! – Gritei segurando a mão dele.
– Eu… Eu não vou… embora. Lembra da… nossa… promessa…? Nunca irei te… abandonar. Nessa… e nem em… outra… vida.
– Folger… – Falei soluçando. Meu rosto estava manchado pelas lágrimas e maquiagem – Por favor…
– Isso… não… é… um… adeus… – Folger disse… antes de ficar em silêncio com uma expressão morta.
– Folger?… Folger??? – Falei enquanto tentava reanimá-lo. – Não, por favor, não! Folger, acorde! – Ouvi mais um suspiro enquanto tentava fazê-lo voltar a vida, mas seu corpo e expressões já não tinha mais sinais de vida.
O peguei em meus braços e o abracei o mais forte que pude próximo do meu coração. Tentei ouvir o dele, mas eu não o ouvia respirar, não ouvia batimento… ele se foi. Quando um médico apareceu, já era tarde demais. Não me sentia apenas solitária, mas também destruída, devastada e presa e um pesadelo. Não podia aceitar, isso tinha que ser algum tipo de pesadelo.
Em uma loucura repentina, o beijei sua boca ensanguentada em uma tentativa de fazê-lo acordar. Isso não era “Branca de Neve”, ele não acordaria com um beijo. Sem esperanças, desabei sob seu corpo ainda quente e chorei descontroladamente em seu peito.
Então, finalmente, médicos apareceram. Um deles tentou me separar de seu corpo, mas, em um ato desesperado de acabar com esse pesadelo, peguei a adaga manchada com sangue no bolso de Folger e apontei direto para meu peito.
– Eu não vou aceitar isso jamais! NÃO AGUENTO CONVIVER COM ESSA DOR!!! – Gritei enquanto o médico segurava o corpo em seus braços.
De repente, uma enfermeira apareceu e tentou se aproximar de mim e tentar pegar a adaga, mas a ameacei apontando direto pra ela. Eu estava apreensiva, tensa e devastada. Uma parte de mim tinha receio em fazer isso, mas a outra estava decidida em colocar um fim. Sem esforço em lutar contra, a parte decidida ganhou. Com a faca apontada direto pro meu peito, eu me esfaqueei com força e raiva. No mesmo momento, tudo se apagou.
Meu nome é Samantha Svart Lys, tenho vinte e um anos e dizem que sou o maior fracasso que já pisou na Terra. Sou ruiva de cabelo curto, minha pele é pálida como um corpo sem vida, tenho um metro e sessenta de altura e magra como alguém que já não come direito faz dias.
Duas semanas atrás, Eu e meu falecido namorado estaríamos completando cinco anos de namoro… se ele não tivesse sido assassinado no exato dia que combinamos de comemorar no restaurante mais caro da cidade logo depois de um dia maravilhoso. Fui vítima de tentativa de assalto nesse dia. Tudo poderia ter corrido bem (se é que posso dizer isso) se Folger não tivesse bancado o herói e me salvado daquele bandido. Enquanto o bandido levou uma facada, Folger levou um tiro e o bandido saiu vivo. Por mais que eu possa dizer que tive sorte, eu também posso facilmente dizer que minha sorte se foi naquele dia. Desde então, pesadelos tem sido constantes. Tinha o mesmo pesadelo todas as noites, revia as mesmas cenas e acordava do mesmo jeito: perturbada. Não havia salvação pra minha vida e nada apagá a memória que está pregada em minha mente. Esta é a história de minha vida, um passado conturbado e autodestrutivo.
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