~Legends Hunter~
Estava
em meu quarto durante uma noite quente, isolado em meu mundo. As
luzes estavam apagadas, nenhuma luz artificial iluminava meu quarto,
estava em absoluta escuridão, sozinho comigo e meus pensamentos. Em
momentos assim, costumo ficar triste. A depressão que eu lutava
constantemente a manter longe vinha destruir meus pensamentos, mas
não esta noite. Nesta noite, eu me sentia mais alegre, motivado, mas
ainda me sentia triste, triste por estar sozinho e isolado. Peguei
meu celular, coloquei algumas musicas pra tocar e deixar a mente se
aquietar no som. Sabia que não receberia nenhuma mensagem.
Anos
atrás, quando criança, crianças do bairro se encontravam na rua
para brincar umas com as outras. Algumas faziam amizades e outras já
se conheciam. E havia eu, a criança solitária que ninguém queria
brincar e ninguém queria fazer amizade, podia apenas olhar os outros
se divertirem sob a luz da lua enquanto eu ficava trancado nas
sombras de casa.
Cansado
de ficar deitado ouvindo música, decidi abrir a janela e olhar a
paísagem. A luz brilhava forte como nunca havia brilhado antes. A
rua estava deserta, todas as luzes das casas próximas e estavam
apagadas e só era possível ver luzes na cidade ao longe, atrás das
grandes árvores e o longo campo verde. Os vaga-lumes estavam por
todos os cantos, sendo possível ver pequenas luzes se acendendo e
apagando constantemente no quintal. Nunca havia visto a rua desse
jeito,muito menos o mundo ao meu redor. Havia uma paz que não era
comum de se ver, silêncio incomum de se ouvir. Apesar de toda a
beleza da paísagem, eu não parava de olhar para a lua. Seu brilho
forte havia me prendido, sua beleza clara no meio do céu azul-escuro
me deixava encantado. Não via nenhuma estrela no céu, mas tampouco
me importava. Eu só queria ver a lua, era como ver o rosto da pessoa
amada, alguém que você não quer se separar e deixar de admirar.
Sentimento que me faltava.
Havia
uma época em que eu sabia amar, sabia demonstrar amor e carinho.
Hoje em dia, amor é uma palavra dolorosa. O conceito de afeto por
outra pessoa era algo, de algum modo, assustador. Pessoas machucam,
eu machuquei, já fui machucado, e sinto que o que sofri mereci ter
sofrido. Nunca me importei em errar se fosse me afetar, mas se meus
erros afetassem outra pessoa isso me corroía por dentro. O que eu
errei amando foi o suficiente pra nunca mais amar.
O
luar me fez perceber o que eu era. Eu era a escuridão e aquele que
se esconde nela, enquanto a luz da lua era aquele que me faltava,
alguém a me amar e ser amado. Mas eu não podia, experiências
passadas me proíbiam de sair da escuridão, de amar alguém. Mesmo
se alguém tentasse me tirar, eu recusava. A escuridão era minha
zona de conforto e sofrimento, o lugar onde eu pagava pelos meus
erros me isolando e vivendo a solidão. Enquanto isso, aqueles que
amei vivem suas vidas felizes, sabendo que sua luz e escuridão se
uniram em equilíbrio. Por mais que os inveje, isso me deixa feliz.
Todos já me esqueceram, mas eu nunca os esqueci. A felicidade de
quem amei é o que mais me importa. Mas independente de tudo, meu
destino é viver em eterna e sombria solidão, solidão que devo
aceitar como minha. A solidão de um coração sonhador ferido e
abandonado.
No
fim da noite, a felicidade havia desaparecido e a tristeza havia
tomado conta de vez. Nada errado havia acontecido, mas pensamentos
sozinhos são poderosos demais para alguém fraco.
Não
há finais felizes para pessoas falhas e estranhas... Não há para
mim e nunca haverá.
Isso é bem profundo
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