~Legends Hunter~
Itapoã, Ribeirão Pires, São Paulo
22:31
Era fim de aula. Ricardo e Julia, um casal de jovens estudantes de uma escola próxima já estavam saindo da escola e indo juntos pra casa. O local em que ele iam era uma parte mais florestada da cidade, com pouquissimas casas e estabelecimentos. A noite, apesar de quente, assoprava um vento frio neles. A rua estava deserta e pouquissimos carros passavam na rua.
Quando viraram uma curva pra esquerda e passaram por debaixo de uma ponte, eles entraram uma área florestal com apenas uma trilha de terra. De repente, eles começaram a ouvir sons vindo da grama. Ela se mexia e balançava, mas não parecia ser vento. Então, eles começaram a andar mais rápido juntos, indo em direção a uma pequena vila que havia logo em frente.
Quando eles já estavam se aproximando, um figura sombria os parou e perfurou o coração de ambos com uma facada e os jogou no chão, deixando eles sangrarem até morrer. Quando finalmente morreram, a figura fez um corte na boca de ambos, formando um sorriso.
Três semanas se passaram e mais casos parecidos foram ocorrendo. Alguns na mesma região e outros em uma escola Suzano, um lugar próximo dali. Todas as vítimas eram casais e todos tinham a mesma marca: o sorriso.
Uma semana depois, o assassino foi capturado e morto na prisão. Mas, na semana seguinte, os mesmos casos voltaram a se repetir. A Polícia já não tem mais explicação pros ocorridos.
Escritório dos Caçadores Sombrios, São Paulo
12:14
Narrativa: Jonathan
Já havia se passado um mês desde que Lizanne havia entrado em nosso time. Pra quem estava um pouco timida no começo, ela tem se soltado muito mais nesse mês. Infelizmente, não tivemos muitos casos pra investigar. O que significa que não tivemos dinheiro por quase uma semana e fomos obrigados a fazer alguns serviços extras e roubar trabalho da polícia.
Hoje o dia estava diferente do que o normal. Eu, Lizanne, Catherine e Robinson estavamos concentrados nos casos que tem ocorrido em Ribeirão Pires e Suzano. Infelizmente, não tivemos nenhum contato de trabalho do nosso cliente especial pra ir investigar isso. Poderiamos investigar de intrometidos? Sim! Mas, a distância de nosso escritório até aqueles lugares seria demais e a gasolina seria muita. Acompanhar pela TV é o minimo que podiamos fazer.
Lizanne: É impossível como ninguém ainda resolveu isso!
Robinson: O assassino deve ser muito bom.
Jonathan: Ou os detetives são muito burros.
Catherine: Pelo que andei lendo, o assassino já morreu.
Jonathan: Não podia ser notícia falsa?
Robinson: O corpo do assassino não havia desaparecido?
Catherine: Preciso de mais informações.
Jonathan: Não perca tanto do seu tempo nisso. Esse caso não é nosso.
Catherine: Mas eu estou curiosa!
Catherine se levantou do sofá e correu pro seu computador.
Lizanne: É uma pena isso tudo. Me dói ainda mais por ser próximo da escola que estudei na minha juventude.
Jonathan: Você morava em Ribeirão?
Lizanne: Quando eu era jovem, sim. Ainda estaria morando por lá se não tivesse me mudado pra cá quando entrei pra polícia.
Imagine viver sem ela por perto... eu não conseguiria.
Jonathan: Bem... foi bom e ruim. Ao menos teve um emprego e a própria casa.
Lizanne: Gostaria de voltar pra lá um dia. Gosto da cidade, mas a harmonia da natureza não tem comparação.
Jonathan: Nós poderiamos ir pra lá um dia.
Lizanne: Pois é... espera, nós?...
NÓS!?
Catherine: Gente, temos uma mensagem do nosso cliente!
SALVO PELO GONGO!
Jonathan: É trabalho?
Catherine: Sim. Não apenas um trabalho comum, mas sim sobre exatamente o que estavamos discutindo.
Robinson: Ele nos deu o caso!?
Lizanne: Os assassinatos!?
Catherine: Exatamente. Ele suspeita que possa ter alguma atividade sobrenatural nisso e precisa de nós nesse caso.
Lizanne: ISSO!!!
Lizanne levantou do sofá com um pulo e deu um sorriso, mas logo ficou envergonhada e sentou novamente no sofá. Eu não consigo resistir a tamanha fofura.
Lizanne: Desculpem.
Robinson: Parece que está mais ansiosa pra isso do que nós.
Lizanne: É por que isso significa que nós vamos poder ir pra Ribeirão. Eu quero muito visitar aquele lugar novamente.
Catherine: Não seria muito longe pra ir e voltar?
Lizanne: Nem é tão longe assim. Além do mais, minha mãe ainda mora lá. Podemos ficar um dia lá e continuar a investigação no outro dia, certo?
Catherine: Hm...
Robinson: Acho que-
Jonathan: Por mim, tudo bem.
Perder a chance de passar um dia com ela? Isso não perco por nada!
Jonathan: Contanto que vocês continuem a nos informar sobre o que encontrarem, não terá problema.
Catherine: Mas quem vai cuidar do escritório?
Jonathan: Tranquem tudo quando saírem. No minimo, isso é só um caso de Negativo e deve ser fácil de resolver. Creio que hoje mesmo já estamos de volta.
Robinson: Se você diz, então tudo bem.
Catherine: Tá certo então. Você que sabe.
Lizanne: Se puderem cuidar do meu carro também, ficaria grata.
Catherine: Não vai com ele?
Lizanne: Vou junto com o Jon.
Jonathan: Então está combinado. Catherine e Robinson, busquem e me enviem toda a informação que encontrarem a respeito. Eu e Lizanne vamos pra Ribeirão investigar isso.
Catherine e Robinson: Certo!
Lizanne: Nós vamos!? OBRIGADA!
Lizanne se levantou do sofá e me deu um abraço apertado. O Coração derreteu na hora. O Abraço dela era tão apertado e aconchegante...
Lizanne: Você vai adorar lá. Mal posso esperar.
Jonathan: Estando lá, tenho certeza que será incrível. Mas não esqueça que vamos pelo trabalho.
Lizanne: Tudo bem. Só de ver novamente já seria ótimo.
Jonathan: Certo. Vá pegar suas coisas, saíremos daqui a pouco assim que checar o e-mail.
Lizanne: Certo!
Lizanne correu pro andar de cima. Enquanto isso, peguei meu celular na mesa e comecei a checar meus e-mails. Eu não conseguia ler nada, pois minha mente estava pensando apenas no dia que passaria com ela. Isso é um sonho se tornando realidade!
Com tanta privacidade, talvez eu até perguntaria se... não não, isso não daria certo. Ainda é cedo.
Meia-hora depois.
Com o trabalho já checado e ambos preparados e armados, nós saímos do escritório e entramos no carro. Eu entrei primeiro com uma bolsa com nossas armas e nossa Lamcrox e deixei no banco de trás. Enquanto isso, Lizanne entrou e pegou um CD na sua bolsa.
Jonathan: O que é isso?
Lizanne: Oh, isso? Isso é um CD de uma banda que eu gosto. Se chama Eluveitie. Já ouviu falar?
Elu... quê?
Jonathan: Eh... não me é estranho. Acho que nunca ouvi.
Lizanne: Bem, esse é o novo álbum deles. Se chama Helvetios. Comprei ontem e nem tive tempo de ouvir. Se importaria se eu colocasse no rádio?
Jonathan: Não não, sem problemas. Só espera eu ligar o carro primeiro.
Lizanne: Tudo bem.
Antes de ligar o carro, chequei o motor, pneus e o combustível. Aparentemente estava tudo em ordem. A última coisa que eu iria querer é falha no carro logo em um lugar longe daqui.
Após a checagem, entrei no carro e liguei. Lizanne não demorou nem um segundo pra ligar o rádio e colocar o CD. Por mais que confie no gosto dela, eu estava apreensivo. Espero que não seja uma dessas novas bandas que acham que fazem música, mas só fazem sons sem emoções.
A primeira faixa era apenas um cara falando. Lizanne pulou pra próxima. A próxima já começou com um som mais pesado e épico, com o som da guitarra se misturando com a bateria e o agradável som de flautas. A música era incrível!
Lizanne: Isso tá maravilhoso!
Jonathan: Ei... nada mal. Nunca ouvi musicas assim.
Lizanne: É Folk Metal. É minha banda favorita do gênero.
Iria demorar um pouco pra digerir essa música, mas sei que a viagem não iria ser ruim.
Ao som de Helvetios, nós seguimos em direção à Ribeirão Pires.
Após chegar na entrada da cidade, a visão já era completamente diferente do que eu estava acostumado. Ainda havia muitos comércios e casas, mas a quantidade de árvores era muito maior do que na cidade.
Chegando no centro da cidade, a visão já era outra novamente. Não era uma cidade inteiramente, mas havia muitos comércios, casas e poucos prédios. Havia uma estação de trem, rodoviária de ônibus e o clima era um tanto agradável. O lugar era bastante aconchegante.
Jonathan: Esse lugar é bem... diferente.
Lizanne: Aconchegante, não acha?
Jonathan: Gostei do clima. Esse é o lugar?
Enquanto esperava no farol, Lizanne pegou seu celular e checou suas mensagens.
Lizanne: Não não. É bem longe ainda, próximo de Ouro Fino.
Jonathan: Você ainda lembra como é o lugar?
Lizanne: Claro! Quando a gente chegar eu te aviso.
Assim que o farol abriu, continuamos indo em direção à Ouro Fino.
O caminho já era completamente outro. Havia pouquissimas casas e muitas árvores. A cidade inteira era praticamente dominada por árvores e mato. É como se nem tivessemos passado por uma cidade poucos minutos atrás. Além do mato, havia também muitas curvas... péssimas curvas.
Após mais uns dez minutos na estrada, nós chegamos em uma cidadezinha com poucos comércios, casas e apenas uma escola.
Lizanne: É aqui...
Jonathan: Esse é o lugar?
Lizanne: Oh, não não. Esse era o lugar que eu estudava. Talvez seja aqui mesmo na verdade.
Lizanne pegou seu celular novamente.
Lizanne: É, é aqui mesmo.
Jonathan: Certo. Vou fazer umas perguntas pra quem aparecer.
Lizanne: Não vai perguntar pra diretora?
Jonathan: Quem conhece mais os alunos são só os professores e os próprios alunos. Diretores só sabem da existência de alunos.
Estacionei o carro na frente de uma lanchonete que estava de frente com a escola. Peguamos nossas Lamcrox e guardei a minha dentro da jaqueta. Logo depois, saímos do carro em direção à escola.
Jonathan: Cath te deu o nome das vítimas?
Lizanna: Sim. Robinson disse que ainda vai me enviar imagens dos lugares onde os corpos foram encontrados.
Jonathan: Ótimo. Isso é algo que vamos cuidar mais tarde.
Pela a entrada, a escola não parecia ser muito grande e nem muito preservada. A saída e entrada era apenas por um portão verde. As paredes, também verde, estavam com a tinta descascando e havia muitos buracos. Ao lado do portão, havia uma porta comum com uma janela de vidro. Olhamos pela janela e vimos a secretaria logo em frente. Felizmente, a porta estava aberta e só precisamos parar na frente da secretária.
Secretária: Oi. Em que posso ajudar?
Nós pegamos nossas credênciais e deixamos bem a vista.
Jonathan: Investigador Jonathan e Detetive Lizanne. Poderiamos conversar com a diretora sobre os casos recentes?
Secretária: Vocês não se parecem com policiais...
Lizanne: É porque não somos. Eu sou Detetive e ele é investigador.
Secretária: E seu chefe deixa vocês se vestirem... assim?
A secretária apontou pra nós, reparando na minha jaqueta aberta e camisa do SOAD e na camisa e jeans preto da Lizanne. Agora deram direito de criticar minha forma de vestir!?
Jonathan: Bem-
Lizanne: Estamos a paísana.
Secretária: Ah. Sendo assim, apenas saiam pela porta. A diretoria é logo em frente.
Lizanne: Obrigada.
Ao lado da porta que entramos, havia uma uma porta levando direto pro pátio da escola. Era bem aberto e com visão pra diretoria, uma sala de aula na esquerda e outras salas na direita.
Lizanne: Esse lugar não mudou nada...
Jonathan: Ele sempre foi... decadente?
Lizanne: Não era tão descuidada quando eu era jovem, mas sim, quase isso.
Jonathan: Meus pêsames.
Lizanne: Ei, a escola pode não ser tão bonita, mas tinha professores ótimos.
Jonathan: Se você diz...
Enquanto nos dirigiamos em direção à diretoria, uma professora um pouco velha saiu pela porta e virou o corredor pra direita, mas nós a paramos.
Jonathan: Senhora, podemos fazer umas perguntas?
???: Não sei. Quem são vocês?
Lizanne: Eu sou Lizanne e ele... espera, eu te conheço.
???: Conhece?
Lizanne: É... Professora Mayra!?
Mayra: Como você sabe meu nome?
Lizanne: Você não lembra de mim? Eu estudei nessa escola quando eu era mais jovem.
Mayra: É difícil-
Lizanne: Terceiro A, a garota que sempre estava dormindo na sala.
Mayra: Hmm...
Lizanne: A baixinha.
Mayra: Oh, Lizanne! Quanto tempo que não te vejo! Você cresceu.
Lizanne: Já tem nove anos...
Jonathan: Ahem.
Dei uma falsa tossida e olhei de canto pra Lizanne. Ela me olhou um pouco incomodada.
Lizanne: Desculpe. Vamos direto ao assunto.
Mayra: Você ia me perguntar algo, certo?
Lizanne: Sim. Você sabe de algo sobre os recentes casos de assassinato?
Mayra: Ah, isso... Não, eu não sei nada. Mas conhecia maioria dos alunos.
Jonathan: Sabe se eles tinham alguma pessoa contra eles? Inimigos? Brigas?
Mayra: Que eu saiba, não. Maioria dos meus alunos e alunas eram supertranquilos. Quando podia, os incentivava a não arrumarem brigas.
Jonathan: E Jefferson Giovani? Ele estudava nessa escola?
Mayra: Esse não era o assassino que havia sido morto na prisão?
Lizanne: Precisamos de todas as informações possíveis.
Mayra: Bem... sim, ele estudou aqui dez anos atrás. Ele não era um aluno tão bom, mas começou a mudar pra melhor quando começou a namorar uma garota do primeiro ano.
Jonathan: Algo mais?
Mayra: Depois que ela morreu em um acidente de moto na frente da escola, ele sumiu da escola pra sempre. Ele não tinha amigos. O que tinha, era uns garotos que só sabiam falar de drogas. Não tive mais noticia dele até alguns dias atrás.
Lizanne: Você sabe o que aconteceu nesse acidente?
Mayra: Sei o que me contaram.
Lizanne: Conte, por favor.
Mayra: Pelo o que sei, ela foi atingida por uma moto onde estava um casal, um homem dirigindo e uma mulher na garupa, ambos eram de menor e eram estudantes daqui.
Por isso as vítimas eram sempre casais...
Jonathan: As coisas estão começando a se encaixar.
Lizanne: Sabe de mais algo?
Mayra: Infelizmente, isso é tudo que sei.
Jonathan: Ficamos agradecido pela sua colaboração.
Mayra: De todo modo, por que estão investigando isso? Se ele já morreu, não faz sentido investigar sobre ele.
Jonathan: Porque... eehh...
Lizanne: Não sabemos se há algum terceiro envolvido. Você disse que ele tinha uns péssimos amigos, não?
Mayra: Ah, sim. Entendo. Infelizmente, eu conheço um desses amigos dele.
Jonathan: Você sabe onde ele mora?
Mayra: Não, mas sempre acabo por me encontrar com ele no caminho de casa.
Jonathan: Onde podemos encontra-lo?
Mayra: Tem uma casa abandonada bem próxima da pista pra Suzano. Há um ponto de ônibus bem na frente. Ele geralmente está por lá.
Lizanne: Muito obrigada.
Mayra: Não foi nada. Foi vê-la novamente.
Lizanne: Foi bom ver minha escola e minha professora novamente. Tenha uma boa tarde!
Mayra: Boa investigação pra vocês.
Mayra se dirigiu pra sua sala de aula e nós nos seguimos em direção à saída da escola.
Jonathan: Então temos uma entidade que apenas mata casais.
Lizanne: Pode ser um espirito negativo?
Jonathan: Tenho quase certeza.
Entramos no carro, liguei o carro e partimos em direção à Suzano. Enquanto isso, Lizanne pegou seu celular.
Lizanne: Ei, Robinson mandou as fotos.
Jonathan: Satelite?
Lizanne: Sim. Mandou junto com coordenadas também. Tem duas aqui perto e três em Suzano. Parece que todas foram ocorridas em áreas verdes.
Jonathan: Então ele tinha uma zona de onde e quem matar. Qualquer casal jovem dessa região não estão seguros.
No caminho pra Suzano, conseguimos ver claramente a tal casa abandonada próxima do ponto de ônibus. Era uma casa velha quase coberta de trepadeiras e com as paredes escuras. Ao lado dela, estava o nosso “amigo”, encostado no portão de madeira na frente de uma caixa “nada suspeita”. Estacionei o carro e saímos pra conversar.
Jonathan: Ei, amigo.
Ele olhou pros lado e depois apontou o dedo pra si mesmo.
Traficante: Falaram comigo?
Jonathan: Sim, eu falei com você.
Traficante: O que você quer?
Jonathan: Você conhece Jefferson Giovani?
Traficante: Jefferson... Ah, Jefferson! Sim, eu conhecia.
Jonathan: Você sabe onde ele mora?
Traficante: Si... vocês são policiais?
Lizanne: Podemos ser se você não nos contar.
Traficante: Não não, não precisa. Ele mora próximo de uma escola lá na frente, em um campo. Não tem como perder.
Jonathan: Obrigado. Agora pode voltar a fazer o que estava fazendo.
Com a informação que precisavamos já obtida, seguimos em direção à casa do Jefferson.
A região era ainda mais verde do que antes. Quanto mais longe dirigia, mais mato eu via. Mas, ao contrário de Ribeirão, esse lugar já não era tão aconchegante. Parecia que alguém iria pular no meu carro a qualquer momento e roubar tudo que tenho.
Após cinco minutos, chegamos na casa do Jefferson. Ele morava em uma casa minúscula no meio de um campo, próximo de uma fazenda e uma escola. Não precisava ser expert pra perceber que havia algo errado ali. A Casa era tão minúscula e tão enfiada dentro do mato que as árvores cobriam facilmente a casa, dando um ar mais sinistro do que devia.
Estacionei o carro na frente da casa, mas ficamos ali observando por um breve momento.
Lizanne: Geez, por que essa casa é tão assustadora?
Jonathan: Bem desnecessariamente assustadora. Com sorte, o espirito está lá.
Lizanne: Acha que conseguirmos resolver esse caso ainda hoje?
Jonathan: Com sorte, sim.
Lizanne: Bem, se for o caso, depois eu aviso minha mãe e minha irmã.
Jonathan: Você tem uma irmã?
Lizanne: Irmã gêmea. Pensei que soubesse.
Jonathan: Absolutamente não sabia.
Lizanne: Se der tempo, depois te levo lá. Você vai gostar.
Jonathan: Ficaria grato. Vamos terminar isso primeiro.
Irmâ gêmea, huh? Dobro da beleza!
Saímos do carro, pulos a cerca com arame e seguimos pra casa. Tentamos abrir a porta normalmente, mas estava emperrada. Abri com um chute, quebrando a porta de madeira já podre. O interior era um completo pesadelo...
Lizanne: Meu deus...
Jonathan: O que esse maniaco esteve fazendo!?
As paredes eram cobertas com bocas mutiladas das vítimas formando sorrisos. Entre elas, estavam também fotos de Jefferson e sua namorada.
Jonathan: Não sei que o que deve ser esse negativo, mas sei que estamos enfrentando algo doentio.
Lizanne: Como pode alguém enlouquercer tanto pra chegar nesse ponto!?
Jonathan: Pegue sua Lamcrox. Ele deve estar por aqui.
Eu e Lizanne pegamos nossa Lamcrox e começamos a investigar a casa. Por sorte, não havia muitos cômodos, mas havia enormes chances de ser pego de surpresa.
Enquanto Lizanne investigava a sala, eu fui investigar o cômodo ao lado. Era uma cozinha muito menor que a sala e apenas com uma janela. Como toda a casa não recebia energia, decidi abrir a janela. Mas, assim que a luz entrou na casa, notei um corpo em decomposição vestido com um traje de prisioneiro encostado na parede.
Jonathan: Liz, eu achei o corpo dele!
Lizanne veio correndo até a cozinha com um caderno na mão.
Lizanne: Como que-
Jonathan: O que é isso?
Lizanne: O Caderno? Achei isso perto da cama. Parece ser um diário.
Lizanne guardou o diário em seu bolso, se agachou e olhou o corpo de perto.
Lizanne: É exatamente ele. Como o corpo veio parar aqui?
Jonathan: Nunca soube que um Espirito Negativo poderia ter essa capacidade. Vamos queima-lo. Se destruir o corpo, vamos libertar o espirito e o Negativo vai ficar solto.
Lizanne: Vamos levar ele pra fora.
Lizanne pegou o corpo pelas pernas enquanto eu peguei pelos braços e o carregamos pra fora da casa. Porém, assim que o corpo passou pela porta, pude ouvir coisas caíndo dentro da casa. Soltei o corpo na hora e peguei minha Lamcrox.
Jonathan: Acho que chamamos a atenção dele.
Aguardamos na entrada, esperando o espirito sair de dentro da casa. Mas, pra nossa surpresa, ele caiu de cima da árvore acima de nós e agarrou Lizanne, a lançando contra a parede logo depois. Rapidamente, corri em direção ao espirito e segurei a Lamcrox na sua frente, o segurando por um tempo.
Jonathan: Liz, leve o corpo pra um lugar seguro e queime-o. Eu vou segurar o espirito o quanto eu puder.
Lizanne: Certo!
Lizanne agarrou o corpo pelas pernas e começou a arrastar pros fundos da casa. Enquanto isso, tentei atingir o espirito com minha Lamcrox, mas ele segurou por um breve momento e me empurrou, mas consegui manter equilibrio pra permanecer em pé.
O Espirito tentou correr em direção à Lizanne, mas consegui atingi-lo arremessando a Lamcrox em suas costas, o fazendo cair e o ferindo gravemente. Ele continuou a indo em direção a ela se arrastando pelo chão com a Lamcrox em suas costas, Quando Lizanne acendeu um fósforo, o Espirito se levantou e começou a correr em direção à Lizanne. Porém, consegui alcança-lo e segura-lo por um tempo pela Lamcrox. Mas, quando o corpo começou a queimar, ele conseguiu se soltar e deu um pulo em direção à Lizanne.
Jonathan: CUIDADO!
Quando o Espirito estava prestes a se aproximar de Lizanne, o Espirito foi libertado, restando apenas o Negativo, uma figura esguia, mas musculosa (Raiva). Ele tentou atacar Lizanne pelas costas, mas, rapidamente, ela pegou sua Lamcrox e cortou a cabeça do Negativo, o fazendo queimar em segundos até desaparecer em cinzas.
Jonathan: Acabou.
Lizanne: Esse lugar já não será atormentado por esse espirito.
Jonathan: Você fez bem em queimar o corpo.
Lizanne: Não conseguiria sem sua ajuda.
Jonathan: Você quem fez o mais difícil.
Lizanne: Difícil é saber o que se pode dizer que é difícil em nosso trabalho.
Jonathan: Difícil é ter um dia fácil.
Lizanne: Falou e disse.
Jonathan: Vamos. Já não temos o que fazer aqui.
Nós deixamos a casa e voltamos pro carro. Como a porta estava destruída, não havia como deixar a casa fechada. Única coisa que podia fazer é ligar pra polícia e deixar o resto com eles.
Após ligar, eu e Lizanne ficamos um pouco no carro, descansando.
Lizanne: Nunca estive por essas partes. Suzano nunca foi um lugar que eu visitava frequentemente.
Jonathan: Só o dia de hoje deu pra ver o porquê.
Lizanne: Ei, eu ainda não falei com minha mãe. Quer ir passar lá só pra conhecer?
Jonathan: Claro. Aceito um copo de água também.
Liguei o carro e aumentei o volume do rádio, mas, infelizmente, o CD que Lizanne havia colocado já tinha acabado. Ela retirou o CD, pegou meu CD do Stone Temple Pilots de dentro do porta-luvas e colocou no rádio.
Jonathan: Eu não sabia que você curtia STP.
Lizanne: Acho bacana.
O Bom gosto dela me admira. Aliás, tudo nela é perfeito.
Ao som de STP, nós seguimos pra casa da Mãe da Lizanne. Logo depois, de volta pra casa finalmente.
Mary, Mãe da Lizanne, morava em uma casa no campo junto com a irmã da Lizanne, Jane. Assim que chegamos, fui muito bem recebido. Logo depois, Lizanne abraçou a sua irmã e sua mãe e seguimos pra dentro da casa.
Mary era uma senhora um tanto divertida e solta. Cuidava de muitos animais que havia no campo como cavalos, cães e gatos. Muito esforçada.
Jane era a irmã gêmea de Lizanne. Porém, ao contrário de Lizanne, ela tinha um gosto mais colorido e feliz, tendo um quarto bem enfeitado e roupas com muitas cores. Tão colorida que até o cabelo era verde. Apesar de ser irmã gêmea, algo na aparência dela se diferenciava da Lizanne... talvez o rosto? Hmm...
Passamos a tarde conversando, rindo e nos conhecendo. Quando deu cinco e meia da tarde, nós saímos e seguimos direto pro escritório. Com sorte, Catherine e Robinson ainda estariam lá.
Escritório dos Caçadores Sombrios, São Paulo
19:24
Eu, Lizanne, Catherine e Robinson nos reunimos no sofá pra assistir TV, tomar café e discutir um pouco a respeito do dia de hoje. Já era noite, logo logo todos iriam pra casa e eu teria que enviar o relatório pro nosso cliente.
Robinson: Então o assassino colecionava bocas das vítimas?
Jonathan: E todas tinham formato de um sorriso.
Catherine: Imagino o quão obcecado alguém tem que ser pra chegar nesse ponto.
Lizanne: Imagine também a dor e a raiva que ele estava sentindo.
Robinson: Perder alguém que você ama nunca é fácil. Isso pode ser o gatilho pra qualquer pessoa fazer besteira.
Jonathan: Deve ser uma dor terrível.
Na TV, estava passando uma reportagem a respeito da casa do Jefferson, mostrando todas as bocas e fotos nas paredes.
Jonathan: Ai está o lugar.
Robinson e Catherine: Jesus.
Lizanne: Que não haja mais situações assim.
Robinson: Sempre haverá, só não sabemos onde.
Lizanne: Credo.
Catherine se levantou do sofá com sua xícara de café e levou até a cozinha.
Catherine: Bem, não sei quanto a vocês, mas eu já vou indo pra casa.
Lizanne: Já estou de saída também.
Robinson: Digo o mesmo.
Lizanne e Robinson se levantaram e levaram suas xícara pra cozinha.
Catherine: Jon, você faz o relatório pro cliente?
Jonathan: Claro, sem problemas.
Catherine: Então tá certo. Liz, você pode me dar carona até em casa?
Lizanne: Claro.
Catherine: Obrigada.
Catherine e Lizanne pegaram suas bolsas e celulares de cima da minha mesa.
Catherine e Lizanne: Tchau, garotos.
Robinson e Jonathan: Tchau, garotas.
Lizanne e Catherine saíram do escritório acenando. Logo depois, Robinson pegou seu chapéu e celular de cima da mesa e já segurou a porta antes de fecharem.
Robinson: Tchau, Jon.
Jonathan: Tchau.
E com todo mundo fora da minha casa, só restava trancar as portas e ir... espera, e o diário do Jefferson!?
Rapidamente, corri pra fora do escritório e parei a Lizanne antes de saírem com o carro. Bati na janela e ela abriu.
Jonathan: Ei, Liz. Me dá o diário que você pegou.
Lizanne: Oh, eu havia me esquecido disso.
Lizanne pegou o pequeno caderno de dentro do bolso do terno e me deu.
Jonathan: Obrigado. Até amanhã.
Lizanne: Até.
Após fechar a janela, ela saiu com o carro de volta pra casa. Logo depois, Robinson foi embora também. E com o isso, o dia está acabado... e eu estou um pouco arrependido de não ter pedido ela em namoro quando tive a chance. Amar é tão difícil!
Relatório do Caso
Caso: Jefferson Giovani
Até onde você iria por ódio e vingança? Jefferson foi longe. Não apenas jurou matar os casais que mataram sua namorada, mas também matou casais que não haviam nenhuma conexão com o ocorrido.
Seu ódio foi tanto que, mesmo depois de morto, seu espirito ficou vivo através de um Negativo e continuou trazendo pânico pros habitantes daquela cidade. No começo, não entendemos o padrão de assassinatos. Todos eram mortos em áreas abundantes de verde e todos tinham suas bocas arrancadas em forma de sorriso. Mas, após ler o diário do Jefferson, encontrei uma mensagem que Jéssica, namorada dele, havia deixado.
“Não importa o quão difícil e triste seja a vida, encare o pior dos problemas com um sorriso e tudo ficará bem.”
As fotos e as bocas fazia com que ele se acalmasse quando estava perto de surtar. A morada no campo era um refúgio, pois ele não gostava de áreas muito populosas. Foi um caso fácil de se resolver, mas não de se engolir. Admito estar pensativo quanto a isso...
Entidade Chave: Ódio
Ass: Jonathan Johansson – Caçadores Sombrios
Obs: Ódio: Negativo criado através de situações ruins e raiva. A força desse Negativo pode ser tanta que ele pode facilmente tomar conta do espirito e fazer todos os desejos mais violentos acontecerem.
Espirito Negativo: Um espirito possuído por um Negativo. Mesmo após a morte, sua alma ainda persiste em ter os mesmos desejos e sentimentos ruins de um Negativo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário