~Legends Hunter~
Caso 3 – Reflexo
Em uma tarde ensolarada e agitada, duas amigas, Maria e Mileni, foram ao shopping fazer compras e se divertirem. O Shopping estava bastante movimentado e a praça de alimentação estava lotada. Esperando esvaziar, as duas se dirigiram à uma loja de roupas que havia por perto. Elas olharam as roupas por um tempo até que Maria deciu comprar algumas peças. Ela foi ao vestiário experimentar enquanto Mileni ficou na porta aguardando.
Mais de dez minutos haviam se passado e Maria ainda não havia saído do provador. Por curiosidade, Mileni olhou por baixo da porta e acabou encontrando o corpo de Maria jogado no chão. Desesperada, ela arrombou a porta e encontrou o corpo no chão, nua e com um enorme buraco em seu pescoço. O espelho a sua frente estava completamente rachado. Mileni gritou desesperada por ajuda e os seguranças vieram ajudar, mas já era tarde demais.
Na mesma semana, outros cinco casos similares ocorreram na mesma região. Todas as vítimas foram encontradas com o pescoço perfurado. Os casos foram considerados como suicídio.
Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
08:21
Narrativa: Jonathan
Se passaram duas semanas desde o nosso ultimo caso. Eu e Lizanne estavamos muitos mais próximos e initimos do que nunca. Dificilmente ficavamos sem assunto pra conversar durante nosso tempo livre e poucos segredos pessoais nossos eram mantidos em segredo.
Estranhamente, ela havia chegado atrasada hoje. Eu a vi pela janela da porta acompanhada de um homem de cabelo bagunçado e camisa xadrez. Mais estranho ainda, Catherine havia chegado logo depois e junto com o Robinson. O Dia promete ser estranho.
Catherine e Robinson: Bom dia, Jon.
Jonathan: Bom dia...
Catherine: Desculpe a demora, o Robinson teve um problema com o carro e tive que ir busca-lo.
Jonathan: Imaginei. Não é comum ele chegar cedo e você chegar atrasada.
Robinson: Eu posso chegar cedo também.
Jonathan: Apenas não quer?
Robinson: Na mosca.
Catherine deixou sua bolsa na sua mesa e foi pra cozinha enquantou Robinson foi pra sala. Enquanto isso, Lizanne se despediu do homem e fechou a porta. Ela se virou pra mim com um sorriso de quem estava supercontente, mas fazia força pra disfarçar. Além disso, veio caminhando com um pouco de vergonha.
Lizanne: Bom dia, Jon.
Jonathan: Bom dia, Liz.
Ela estava mais feliz que o normal...
Jonathan: Quem era aquele homem?
Lizanne: Aquele que estava comigo? Ele se chama Marcos. Conheci ele umas semanas atrás. É só um amigo.
A forma em que ela pronunciou “Amigo” soou da forma mais estranha possível.
Jonathan: Ah... tudo bem. Só por curiosidade mesmo.
Lizanne: Temos algum trabalho hoje?
Jonathan: Até o momento, nenhum.
Catherine (da cozinha): Logo logo eu olho o e-mail.
Lizanne: Vou esperar na sala.
Lizanne deixou sua bolsa na minha mesa e se sentou no sofá ao lado do Robinson. Esses dois andam estranhamente próximos ultimamente...
Que sentimento ruim me dá de ver outro homem perto dela. Ainda mais homens mais bonitos que eu. Ou seja, qualquer um.
9:14
Após tomar café da manhã, me sentei ao lado da Lizanne e ficamos assistindo TV enquanto esperava Catherine checar os e-mails.
Na TV, estava passando as noticias sobre mortes misteriosas em Santo André. Mulheres encontradas mortas no shopping e nas próprias casas. Todas as vítimas eram ecnontradas na frente de um espelho e o espelho sempre estava rachado.
Robinson: Sinto trabalho chegando logo logo.
Lizanne: Com certeza isso é coisa de Negativo.
Jonathan: Talvez outro Espirito Negativo?
Robinson: Um Espirito Negativo não teria tanto poder e habilidade.
Catherine: Temos trabalho!
Jonathan: E é a respeito do nosso assunto?
Catherine: Exatamente. Temos que descobrir quem está pro trás disso.
Robinson: O que, nesse caso.
Jonathan: Bem, deixe com a gente. Liz, vamos nos arrumar.
Lizanne? Vai primeiro. Logo logo eu me arrumo.
Jonathan: Hãã... tá.
Subi as escadas pro banheiro, tomei um banho rápido e coloquei minha calça e meu terno. Logo depois, peguei minha carteira com meus documentos.
Assim que saí do meu quarto, vi a Lizanne ainda no sofá digitando no celular. Nem a roupa de trabalho ela tinha pego.
Jonathan: Hã... Liz?
Lizanne: Oh, oi.
Jonathan: Vamos trabalhar hoje?
Lizanne: Não sei.
Jonathan: … a roupa.
Lizanne: O que tem?
Jonathan: … Liz, temos trabalho, esqueceu?
Lizanne: Trabalho?... AH É, O TRABALHO!
Jonathan: Vá se arrumar.
Lizanne: Já estou indo!
Lizanne se levantou do sofá, deixou o celular na mesa, pegou suas roupas na sua bolsa e foi direto pro banheiro. Ela odeia se arrumanhar no banheiro! Por que ela está agindo tão estranha hoje?
09:20
Após ela se arrumar e nos preparar, pegamos nossas coisas e saímos do prédio. Lizanne tentou abrir a porta do carro antes que eu pudesse sequer abrir.
Lizanne: Está trancada.
Jonathan: É, eu sei. Ainda não abri.
Lizanne: Ah... ah é, esse é o seu carro. Desculpa.
Abri a minha porta e abri a porta do passageiro por dentro do carro e saí pra fazer a checagem no carro. Não levou nem cinco segundo e Lizanne entrou com o celular em mãos. Nunca a vi tão vidrada no celular desse jeito!
Após a checagem, entrei no carro, liguei o motor e... ainda não havia musica!?
Jonathan: Liz, você não vai ouvir nada? Escolhe algum CD.
Lizanne: Nah, to de tranquila.
Jonathan: Tem certeza?
Lizanne? Sim. A Viagem é curta mesmo. Não precisa de musica.
Jonathan: Ah... então tá.
Com o silêncio estranho dentro do carro e o som do motor nos acompanhando, seguimos em direção ao centro de Santo André. Seria o caso mais próximo que tivemos até o momento.
Shopping Grand Plaza, Santo André, São Paulo
10:01
No centro, estacionei no estacionamento do shopping Grand Plaza, um dos shoppings mais freqüentados da cidade e também onde ocorreu o primeiro caso. Tinha que acontecer isso logo no meu shopping favorito!?
Jonathan: Chegamos. Robinson mandou...
Quando olhei pra Lizanne, ela ainda estava conversando no celular sem parar e com um enorme sorriso no rosto.
Jonathan: O que foi?
Lizanne? O que foi o que?
Jonathan? Por que está sorrindo assim?
Lizanne: Eu to?... Ah, não é nada. É só uma imagem engraçada que me mandaram.
Jonathan: Posso ver?
Lizanne: Não! Quer dizer... não dá. Eu... eu apaguei sem querer.
Jonathan: Hmm... tá bom. Robinson mandou alguma informação?
Lizanne: Sim. Imagem de satélite do Shopping. Estranhamente, todos os casos, se ligados, formariam um circulo perfeiro em volta do Shopping.
Jonathan: Então estamos no centro do problema. Ótimo.
Entramos no shopping e a movimentação parecia um pouco menor do que o costume. Na verdade, estava até melhor assim. Sem pessoas se esbarrando, sem crianças, sem tumulto. Mil vezes melhor.
Jonathan: Acho melhor deixar esse caso pra lá. Nunca vi esse shopping tão calmo.
Lizanne: Credo!... mas é verdade. Apesar que não sou muito fã daqui.
Jonathan: Por que não?
Lizanne: Sei lá. Gostava mais do Shopping de Mauá.
Jonathan: Ugh... como odeio Mauá.
Caminhando pelo Shopping, chegamos na loja de roupas onde a primeira vítima foi morta. A Loja estava aberta, mas com pouquissima movimentação.
Jonathan: É aqui. Vou falar com a gerente enquanto você...
Quando olhei pro lado, Lizanne já estava olhando as roupas freneticamente.
Jonathan: Tudo bem, eu faço isso sozinho.
Fiquei caminhando pela loja procurando pela gerente, mas não a encontrava em lugar algum. Me vi obrigado a perguntar pra primeira atendente que visse pela frente.
Eventualmente. Encontrei uma jovem mexendo no celular nos fundos da loja.
Jonathan: Boa tarde, moça. Poderia me ajudar?
Atendente: Hm?...
A Jovem atendente me olhou confusa por um momento até que ela lembrou que trabalha na loja e guardou o celular.
Atendente: Sim, o que deseja, Senhor?
Peguei minha credencial do bolso e mostrei pra atendente.
Jonathan: Investigador Jonathan. Gostaria de saber o que você sabe a respeito da mulher que foi encontrada morta nessa loja alguns dias atrás.
Pelo olhar de confusão que ela me deu, com certeza não sabe de nada.
Atendente: Sinto muito, Senhor. Eu comecei a trabalhar aqui hoje. A gerente esteve aqui no dia. Ela deve saber.
Jonathan: E onde posso encontra-la?
Atendente: Ela está no andar de cima...
???: AAAHHH!!!
De repente, ouvi um grito vindo do vestiário e o som de uma porta se quebrando. Nós corremos pra ver o que era e encontrei Lizanne sentanda no chão de sutiã e apontando sua pistola pro espelho no vestiário. Mas, quando olhei, não havia nada.
Jonathan: Liz, o que houve???
Lizanne: Eu vi, eu vi a criatura!!!
Jonathan: Você o viu!?
Lizanne: Sim, ele tentou me atacar!
Atendente: Desculpe, mas você vai ter que pagar pela porta ou terei que chamar o guarda.
Jovens e sua capacidade de ignorar coisas importantes... Ao menos agora fará algo útil.
Jonathan: Chame o guarda, por favor.
Atendente: Hã... tá.
A Atendente correu pra saída e mandou o primeiro guarda que viu no caminho pra cá.
Guarda: Algum problema, senhor?
Jonathan: Tirando a porta quebrada, sim.
Guarda: O que!? É melhor pagarem-
Jonathan: Esquece isso, pagaremos depois. Preciso fazer uma perguntar.
Guarda: Hm. Diga.
Jonathan: O que aconteceu aqui no dia em que uma mulher foi encontrada morta no vestiário?
Guarda: Por que quer saber disso?
Jonathan: Porque...
Lizanne: Porque ela é minha prima, Senhor.
Lizanne saiu do vestiário destruído vestida com seu uniforme de trabalho novamente.
Guarda: Ah... meus pêsames, Senhora.
Lizanne: Obrigada.
Jonathan: Ela era sua-
Lizanne: Shhh!
Lizanne olhou de canto pra mim e piscou. Amo o jeito discreto dela.
Lizanne: Pode nos contar?
Guarda: Sim, claro. Bem, eu estava de guarda no dia. O Shopping estava bem tumultuado, então não podia ficar parado em um só lugar o dia todo. Quando ouvi os gritos, eu estava vigiando a loja de roupas ao lado e não vi o que aconteceu. Quando fui checar, sua prima já estava morta com um corte no pescoço. Olhamos as gravações da câmera no mesmo dia e não conseguimos encontrar o culpado. Estranhamente, a imagem corta no exato momento em que a sua prima é morta e volta apenas quando ela já esta no chão. Isso é tudo o que sei.
Sem chance alguma disso ser um Negativo. Absolutamente não.
Lizanne: Ah sim... obrigada.
Jonathan: Isso foi de grande ajuda.
Guarda: Fico feliz em ajudar. Agora, me acompanhem. Vão pagar pela porta.
MAS QUE DROGA!
Depois de gaster metade das economias pra pagar a porta, nós saímos do Shopping e paramos perto do carro. Enquanto Lizanne ficava próximo da traseira, eu estava perto da porta do motorista com os braços em cima.
Jonathan: Isso claramente não é um Negativo comum.
Lizanne: Ainda tem duvidas?! Ele tentou me matar!
Jonathan: Eu sei. É isso que estou pensando.
Eu tinha uma ideia em mente, mas era tão arriscada de vários modos que muita coisa podia dar errada em questão de milissegundos e correr o risco de morte.
Lizanne: No que está pensando?
Jonathan: Em algo, algo bem arriscado...
Lizanne: E o que seria?
Comecei a bater o dedo no teto do carro e dei uma olhada de canto pra Lizanne, um pouco relutante em dizer. Mas, dadas as circunstâncias, não havia outro modo.
Jonathan: Você... você não se importaria de se usar como isca, certo?
Lizanne: O Que!? É CLARO QUE ME IMPORTO! QUE DROGA DE IDEIA É ESSA???
Jonathan: Olha, eu sei que parece loucura, mas é a nossa única opção.
Lizanne: POR QUE???
Jonathan: Você percebeu o padrão? A entidade tem seu padrão de ataque e preferência de vítimas.
Lizanne: Hmm...
Jonathan: Ele só ataca por espelhos e apenas mulheres. Você é a única opção que temos pra resolver isso.
Lizanne: Hm...
Lizanne ficou pensativa por um momento, mas, antes que pudesse falar algo, seu celular começou a explodir com mensagens. Ela o tirou do bolso e foi checar.
Lizanne: São mensagens do Robinson.
Jonathan: Informações?
Lizanne: Sim. Ele descobriu a entidade.
Jonathan: E com o que estamos lidando?
Lizanne ficou em silêncio por um momento.
Lizanne: AH NÃO!
Jonathan: O que foi???
Lizanne: Jon, você estava certo, isso não é um Negativo, isso é um Demobia. Em especial, um Paranóia!
Jonathan: Hm... tá? O que é?
Lizanne: ...Sério, como você conseguiu sua Lamcrox?
Jonathan: Eu não lembro de tudo que aprendi, OK?!
Lizanne: Eu explico depois. Vamos botar o plano em ação?
Jonathan: Vai arriscar?
Lizanne: Pra me livrar de um Demobia? Sim, eu vou.
Jonathan: Tudo bem, o plano é o seguinte...
Após explicar o plano pra Lizanne, nós seguimos pro shopping e procuramos uma loja de roupas diferente dessa vez.
Lizanne foi pegar algumas roupas pra distrair os guardas e atendentes. Enquanto isso, entrei discretamente no vestiário e aguardei Lizanne entrar. Assim que Lizanne chegou, ela jogou as roupas em um canto e trancou a porta. Rapidamente, me posicionei ao lado do espelho fora do campo de visão e próximo o suficiente pra impedir qualquer ataque surpresa.
Jonathan: Está pronta?
Lizanne: Estou. Você?
Jonathan: Estou.
Lizanne: Certo... vamos lá.
Lizanne ficou próxima da porta, mas de frente pro espelho. Ela começou a tirar lentamente sua roupa começando pela camisa. Eu virei e apenas me concentrei no espelho, não podia tirar os olhos nem por um segundo. As consequências seriam terriveis.
De repente, comecei a sentir uma leve vibração nas paredes. Enquanto isso, Lizanne começou a se aproximar mais do espelho. Isso não fazia parte do plano!
Jonathan: Liz, se afaste do espelho!
Lizanne: Mas... estou tão... linda...
Jonathan: SE AFASTE!!!
De repente, o espelho começou a formar ondas, como se um portal estivesse se abrindo.
Antes que algo pior acontecesse, rapidamente corri até Lizanne e a empurrei pra longe do espelho. No exato momento, um braço segurando uma faca saiu de dentro do espelho e fez um corte em meu braço. Mas antes que pudesse voltar, eu o peguei pelo braço e o puxei pra fora.
Jonathan: Liz, agora!
Lizanne pegou sua Lamcrox e perfurou o espelho, rachando em pedaços e impossibilitando a volta do Paranóia.
Paranóia era uma criatura muito diferente de tudo que já vi. Suas mãos eram duas facas e suas pernas eram longas, finas, listradas e curvadas. Um manto preto cobria seu corpo até os braços e sua cabeça era metálica e chaia de olhos em forma de telescópios. Era uma aberração!
Jonathan: Você é o desgraçado mais feio que já vi na minha vida!
Paranóia: Vocês cometeram um enorme erros, mortais.
Lizanne: Isso também fala!?
Jonathan: Não vai falar por muito tempo.
Paranóia: Terei o prazer de devorar suas almas!
Jonathan: Terá que lutar primeiro! Liz, vamos!
Com minha Lamcrox em mãos, eu o ataquei com um golpe direto, Paranóia mas desapareceu e apenas deixou sua cópia ilusória.
Olhamos pra todos os lados o procurando, mas não o viamos em lugar algum. Até que, de relance, eu vi algo se movendo pelo canto do olho. Assim que olhei pra minha pistola, sua imagem estava no reflexo. Rapidamente o joguei pra longe no momento em que ia me atacar. De repente, um laser vermelho saiu da pistola e ricocheteou pela sala. Logo depois, Paranóia começou a fazer o mesmo trajeto do laser, mas Lizanne o parou com um ataque horizontal, o cortando ao meio. Seu corpo começou a queimar até desaparecer, mas sua fraca energia foi substituída por uma ainda mais forte.
Jonathan: Acho que ainda não acabou.
Lizanne: Ele não vai desistir tão fácil.
De repente, o chão começou a estremecer e as paredes de madeira começaram a rachar até caírem. Logo depois, o teto começou a desmoronar junto com as paredes. Não dava pra permanecer na loja, então fugimos. Mas, mesmo assim, o shopping inteiro estava desmoronando.
Lizanne: O que nós fizemos!?
Jonathan: Eu não sei! Temos que sair daqui rápido!
Enquanto fugiamos, um sentimento forte de culpa tomou conta de mim. Várias pessoas iriam morrer por nossa culpa e não podiamos fazer nada.
Assim que chegamos no estacionamento, o shopping foi a baixo. Uma enorme núvem cinza de poeira se levantou e algumas pessoas estavam saindo de dentro correndo por suas vidas. De repente, ouvimos explosões sincronizadas vindo dos arredores. Não podiamos ver, mas ao menos a fumaça era visível.
Jonathan: O que acabou de acontecer???
Lizanne: Será que essa reção em cadeia foi por causa do Paranóia?
Jonathan: Se foi, temos que ser mais cuidadosos quando mexer com Demobias. Eu não esperava tamanha força.
Lizanne: Isso foi culpa minha. Eu não devia ter usado minha Lamcrox.
Jonathan: O que quer dizer?
De repente, sirene da polícia, ambulância e bombeiros surgiram pela cidade e vinham diretamente pra cá.
Lizanne: Vamos voltar pro escritório. Explicarei lá.
Jonathan: Certo.
A Forte energia havia sumido. Toda essa destruição foi um ultimato. Não havia mais o que fazer aqui. Nós entramos no carro e seguímos de volta pro escritório.
Escritório Caçadores Sombrios, São Paulo
12:21
Quando chegamos, todos já estavam sabendo do acontecido. Todos nós nos reunimos na sala e tivemos uma longa discussão a respeito do trabalho e as nossas Lamcrox.
Robinson: Então toda essa destruição só aconteceu porque sua Lamcrox é feita pra destruir entidades?
Lizanne: Sim...
Catherine: Bem, você não teve intenção disso, certo?
Lizanne: Óbvio que tive, ele era um Demobia! Eu só não sabia o quão importante ele era. Se eu soubesse, Jonathan teria que se livrar dele.
Jonathan: Por que eu?
Lizanne: Sua Lamcrox é diferente da minha. Enquanto a minha destrói, a sua apenas bane. Isso evitaria tudo o que aconteceu hoje.
Catherine: Se sabia disso, então por que o atacou?
Lizanne: Mas eu não sabia! E outra, eu apenas ataquei por instinto. Ele estava vindo na minha direção e não tinha o que fazer alem de tentar revidar.
Robinson: Independente disso, creio que o nosso cliente não vai gostar disso.
Jonathan: Vai ser difícil fazer o relatório...
Robinson: Melhor ir pensando. Preciso do meu pagamento.
Jonathan: Não se preocupe, dou um jeito.
Catherine: Ainda é cedo, temos tempo pra trabalhos menores.
Jonathan: Se chegar algo, mande Robinson e Lizanne. Se Lizanne não puder, então vá você. Estarei ocupado com o relatório.
Lizanne: E se isso acontecer de novo? Eu não quero causar mais mortes!
Jonathan: Não vai. Vamos só cuidar de casos simples. Por hora.
Lizanne: Hm...
Jonathan: Se me derem licença, precisop fazer o relatório. Vejo vocês mais tarde.
Todos: Até.
Deixei todos na sala e subi as escadas pro meu quarto. Precisava de um momento sozinho...
Relatório do Caso
Caso: Ataques Misteriosos
Esse caso foi algo novo pra nós. Demobias não costumam se expor desse jeito. Paranóia, por outro lado, quis ir contra e atacou pessoas paranóicas e vaídosas, o que é comum em lugares metropolitanos. As vítimas eram alvos fáceis, mas suas intenções ainda são um mistério.
No entanto, subestimamos sua força e importância. Nós os destruímos e , com sua morte, uma torrente de poder desencadeou explosões nos pontos atacados e desmoronou o Shopping onde ele estava habitando. Não sabemos o número de mortos e feridos, mas assumimos a responsabilidade. Felizmente, com Paranóia destruído, sua reprodução é impossível e casos assim não se repetirão.
Notas:
Demobia – Demônios menores, mas importantes para o equilibrio do mundo.
Demobias são responsáveis por fobias, traumas e medos menores, como também a criação de Negativos controlados pelo medo do criador.
Paranóia – Demobia da negatividade, desconfiança e pessimismo.
Com sua habilidade de viajar por reflexos, Paranóia lê a alma de sua vítima e descobre seus maiores medos, se alimentando dela após a morte de sua vítima e criando variações menores de si mesmo. Destruíndo o Paranóia maior, os menores serão destruídos também.
Escritório dos Caçadores Sombrios, São Paulo.
18:31
Uma hora antes de fechar o escritório, eu encontrei Lizanne no sofá já arrumada pra sair. Parecia estar ansiosa e apressada , já que não costumava se arrumar antes dás sete.
Robinson e Catherine haviam ido na padaria comprar pão pro café da tarde, deixando nós a sós. Não havia oportunidade melhor. É agora ou nunca. Me sentei próximo dela no sofá e comecei a puxar assunto discretamente.
Jonathan: Como se sente? Está bem?
Lizanne: Estou bem, só... só um pouco nervosa com o dia de hoje.
Jonathan: Foi uma completa infelicidade, mas não se sinta culpada. No seu lugar, eu teria feito o mesmo.
Lizanne: Hm. Ao menos me entende. Não se preocupe, eu ficarei bem.
Jonathan: Ótimo. Eu preciso dizer algo pra você.
Lizanne: Diga.
Peguei as mãos da Lizanne e comecei a massagear com os dedos. No momento, não conseguia olhar pro resto dela até conseguir achar as palavras certas. Assim que consegui, olhei diretamente pros seus olhos.
Jonathan: Sabe, eu e você já nos conhecemos por tanto tempo, passamos e conversamos tantas coisas nesse tempo. Mas, nessas conversas, nunca falei o que sentia desde a primeira vez que te vi.
Lizanne: Uh...
Jonathan: A Primeira vez que te vi, foi amor a primeira vista. Sua forma de falar, seu jeito de se vestir, seu jeito de andar, sua beleza e formalidade, você me conquistou logo no primeiro segundo. Mas ignorei esse sentimento por achar que fosse coisa do momento. Agora que te conheço melhor, sei que o que sinto por você é sincero.
Lizanne: O-Onde quer chegar com isso???
Jonathan: Lizanne, você quer namorar comigo?
No momento em que essas palavras saíram da minha boca, meu coração congelou. Estava ansioso e com medo da resposta. Já Lizanne, ela parecia nervosa e chocada.
Lizanne: Eu... eu...
De repente, um carro parou na nossa porta e começou a buzinar. Lizanne puxou suas mãos das minhas e se levantou rapidamente.
Lizanne: Eu preciso ir, minha carona chegou. Desculpa.
Jonathan: Espera!!!
Sem me ouvir, ela correu pra fora e entrou no carro do Marcos. Quando cheguei na porta, eles já estavam indo embora. Mas, como lembrança, deixaram algo que nunca iria apagar da minha memória. Os faróis da frente mostraram duas silhuetas encontrando seus rostos de frente. Meu coração quebrou.
Alguns minutos depois, Catherine e Robinson chegaram com as compras. Tentei não demonstrar, mas minha tristeza era super evidente. Ainda assim, tentei o melhor que pude.
Robinson: Cadê a Liz?
Jonathan: Ela saiu mais cedo...
Catherine: Poxa, ela nem ficou pra tomar café com a gente.
Robinson: Por que ela pode sair mais cedo e nós não!?
Catherine: Aconteceu alguma coisa?
Jonathan: Não, não... não... não aconteceu nada.
A dor que eu sentia no meu coração era como se estivesse sendo recebido com facadas a cada palavra que saia da minha boca tentando esconder o que havia acontecido. A dor podia ser ouvida no peso da minha voz.
Jonathan: Vocês podem ir embora também. Estamos fechados por hoje.
Catherine: Mas ainda é seis da tarde...
Jonathan: Vão, por favor. Preciso de um tempo sozinho.
Robinson: Tudo bem então... te vejo amanhã.
Catherine: Vejo você amanhã.
Jonathan:Até.
Robinson e Catherine deixaram as compras na mesa, pegaram seus pertences e foram embora.
Assim que a porta se fechou, a dor virou fúria e não resisti a vontade de quebrar algo. Passei pela minha mesa e derrubei tudo o que havia nela no chão. Subi as escadas pro banheiro e comecei a dar socos no espelho e quebrei o suporte de vidro que havia embaixo. Qualquer coisa que estava no meu caminho seria quebrada. Logo depois, isso se espalhou no escritório inteiro. O dia seguinte seria uma zona pós-guerra.
Uma semana se passou e as coisas não eram as mesmas. As conversas eram sem graça, falsas e sem vida. Por mais que eu tentasse, as respostas de Lizanne eram frias.
Uma semana depois, Lizanne saiu da equipe. Ela já não era mais a mesma pessoa, mas meus sentimentos por ela se recusavam a morrer, o que me machucava cada dia mais. Ela se foi e nunca mais iria voltar por minha culpa.
Um mês depois, devido a falta de trabalhos e pagamentos, Catherine e Robinson saíram da equipe. Ainda éramos amigos, mas as coisas já não eram mais as mesmas. Dessa vez, eu estava sozinho no mundo e com o coração partido. Por enquanto, as coisas mudariam pra mim. A vida tomaria um rumo diferente.
Realmente, o shopping de Mauá não é o melhor. Santo André é menos movimentado.
ResponderExcluirAlguém concorda comigo! Sem falar que é mais bonito.
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