~Legends Hunter~
A Lenda Eterna III
Os Três Reis - Parte 2: Outono Paradoxal
Capítulo 15 - Criações de um Louco
Mansão da Estética, Reino Strife
18:57
No fim da tarde, todos nós já estavamos cansados de fazer nossas obrigações e só queriamos nos alimentar, tomar um banho e dormir. O Dia havia sido muito cansativo, estressante e uma completa experiência de emoções. Tudo que eu queria era a chegada da noite e dormir.
Havia começado a chover. Podia ouvir as gotas de chuva caindo, alguns relampagos no céu e o cheiro de grama. Ao menos ia ser uma noite tranquila.
Stacy e Anna estavam na cozinha da mansão assando pão e fazendo a janta. Enquanto isso, os garotos estavam na sala conversando, exceto Leon. Ele havia saído pra alimentar Marth na caverna dentro da montanha.
Eu e Camila estavamos na sala da moda, um quarto da mansão onde Stacy deixa suas novas roupas em manequins e onde ela costuma trabalhar. Ela tinha muitas roupas lindas já terminadas e algumas ainda em processo. Posso reclamar de muitas coisas dela, mas seu gosto com certeza não é uma dessas coisas.
Camila: Tenho que admitir, por mais estupida que ela seja, o bom gosto dela pra moda é incrível.
Alanis: Ao menos nisso ela é boa.
Camila: Em alguma coisa tinha que ser.
Caminhamos um pouco pela sala olhando todas as roupas até que chegamos na mesa de trabalho da Stacy. Encima, havia um papel escrito algo.
-Não esquecer do festival-
Alanis: Festival? Você sabe de algum festival?
Camila: Eu nem imagino um festival. Deixa isso ai.
Deixei o papel onde ele estava e continuamos olhando as roupas. De repente, um trovão iluminou toda a sala e escutamos um forte estrondo que ecoou por todo o reino.
Alanis: Parece que a chuva vai ser bem forte hoje.
Camila: Espero que não seja demais. Acho que o Leon ainda não voltou.
Alanis: Espero que ele chegue bem.
Camila: Que tal ir ver o que minha mãe e a Stacy estão fazendo?
Alanis: Vamos. É bom garantir que a Stacy não vai estragar a comida.
Nós saímos da sala e descemos as escadas indo em direção à cozinha. No caminho, encontramos Leon que havia acabado de chegar e estava completamente encharcado.
Camila: Pegou muita chuva?
Leon: Você acha?
Leon começou a se sacudir pra tirar todo o excesso de água.
Alanis: O Marth está bem protegido da chuva?
Leon: Sim. Aquela caverna é funda o suficiente pra ele.
Alanis: Ótimo. Vá tomar um banho. Daqui a pouco vamos jantar.
Leon: Certo. Vejo vocês daqui a pouco.
Enquanto Leon subia as escadas pro banheiro, nós fomos pra cozinha e por lá ficamos.
O Resto do dia não foi nada de mais. Após a janta, todo mundo tomou um bom banho e todos fomos dormir. Eu ainda estava incomodada com o dia de hoje, mas espero conseguir esquecer eventualmente. Amanhã temos um encontro com Farron em seu castelo e espero que todos estejam preparados. A Ulitma coisa que quero é ser obrigado a ouvir mais porcarias daquela mulher.
No dia seguinte.
Distrito central, Reino Strife
12:23
Com todos arrumados, alimentados e prontos, saímos da mansão e começamos a subir a montanha indo ao encontro da Farron em seu castelo. Stacy estava liderando o caminho apenas pra nos mostrar onde era o castelo. De acordo com ela, o topo da montanha é completamente diferente do que se vê por baixo dela. De algum modo, eu até consigo imaginar como seria. Talvez seja alguma memória antiga ou apenas imaginação.
Assim que chegamos próximos ao topo, a aparência da montanha já mudava. O Calor foi tomado pelo frio e havia neve cobrindo todo caminho.
Fresh: Por que ficou tão frio tão de repente?!
Alanis: Estamos no alto de uma montanha. Costuma ficar mais frio.
Leon: Apesar de detestar o calor daqui, eu sinceramente queria ficar bem distante da neve.
Nita: Parem de reclamar.
Stacy: Não se preocupem, já estamos chegando.
Assim que chegamos ao topo da montanha a vista já era outra. O Reino era completamente verde, com campos, bosques e florestas e um vasto mar. Enquanto isso, a montanha já era branca. Não havia nada mais além de cor branca da neve. Os pinheiros estavam cobertos de neve, as rochas estavam cobertas de neve e um riacho que corria ali estava quase congelado, mas ainda havia uma parte que conseguia passar. A Mudança de clima simplesmente é extrema.
Helo: Por que logo esse lugar? O Frio daqui é imperdoável!
Loituma: Como pode a rainha viver em um lugar tão frio?!
Alanis: Ela já deve estar acostumada. O Clima combina com a personalidade dela.
Ao oeste era possível ver o castelo entre os pinheiros, próximo a um riacho. Ao leste, era possível ver uma mansão abandonada situada próxima da beirada, onde a neve já havia tomado conta. Que agradável encontrar isso por aqui...
Alanis: Stacy, o que é aquela mansão?
Stacy: Aquela mansão abandonada? Nada demais. Era onde os guardas do castelo costumavam dormir, mas já que todos eles estão ficando em uma casa mais próxima do castelo, aquela mansão ficou abandonada.
Alanis: Interessante... muito interessante...
Não sou de pedir coisas, mas acho que tenho um pedido a fazer pra minha irmã.
Continuamos nosso caminho indo em direção ao castelo. Além da Stacy, havia uma trilha de terra pouco visível que leva diretamente pro castelo. Se não fosse por isso, tenho certeza que nós já estariamos perdidos. Nada contra a Stacy, mas eu não confio muito nas direções dela.
Após passarmos pelo riacho, finalmente chegamos na entrada do castelo. Ele era enorme, mas era visível que estava sem cuidados por muitos anos. Era possível ver que a parede branca já estava ficando verde, havia rachaduras e algumas vinhas na parede.
Alanis: O que aconteceu com o castelo?
Stacy: Que eu saiba, nada.
Alanis: Então por que está desse jeito? Nunca vi um castelo tão descuidado.
Stacy: A Rainha raramente fica aqui. Faz muitos anos que não aparece alguém pra fazer reparos.
Nita: Eu não posso reclamar da sujeira constante que havia no meu castelo.
Assim que nos preparamos pra entrar, fomos paradas.
???: PARADOS!
Ao olhar pro alto, vimos um guarda grande, alto e forte parado numa varanda.
???: Quem são vocês? O Que querem com a rainha?
Alanis: Meu nome é Alanis Nishin Strife. Todos nós fomos chamados pela própria--
???: ALANIS!?
De repente, o guarda pulou da varanda, correu em minha direção, se ajoelhou e deu um beijo em minha mão.
???: Finalmente você voltou, majestade!
Alanis: Majestade?... NÃO!
Rapidamente, tirei minha mão das mãos dele e o encarei.
Alanis: Eu não sou nenhuma majestade.
???: Mas... mas você é da familia Nishin, assim como a rainha e a antiga rainha e o rei.
Alanis: Sim, eu sou. Mas não faço parte disso.
???: Entendo...
O Guarda se levantou lentamente e retirou a neve da sua armadura.
???: Bem, o que querem?
Alanis: Viemos nos encontrar com a rainha por próprio pedido dela.
???: Certo. Por aqui.
O Guarda caminhou até o portão do castelo e abriu pra nós, revelando o caminho direto pro trono, onde Farron já estava nos esperando de frente a uma mesa com diversas comidas.
Farron: Finalmente chegaram. Achei que iriam me deixar esperando. Não seria nada legal me deixar esperando.
???: Minha majestade, essas senhoras disseram que vieram por seu pedido.
Farron: Deixe-as entrar, Bulk.
Nita: Ele me chamou de senhora!?
Alanis: Vamos.
Bulk saiu correndo em direção até a Farron e se posicionou próximo ao trono. Nós continuamos seguindo em frente em direção a Farron, mas assim que chegamos na mesa, fomos obrigadas a parar.
Farron: Fiquem ai mesmo. Já estão perto o suficiente. Se quiserem se sentar e comer um pouco, fiquem a vontade.
Loitumara: Oh, ótimo!
Todos foram se sentando na mesa rapidamente, mas assim que fui me sentar...
Farron: Você não. Eu quero você bem pertinha de mim.
Farron apontou pra mim e fez um gesto com o dedo pra me aproximar. Que incomodo de mulher!
Fui caminhando lentamente até ela e fiquei de frente pra ela.
Alanis: Certo, o que você quer agora?
Farron: Como se diz?
Alanis: Vai se ferrar.
Farron me olhou muito aborrecida.
Farron: Um dia você vai se arrepender de ser tão desobediente.
Alanis: Me fazer me arrepender seria um favor que você faz.
Farron: Estupida...
Alanis: Diga logo o que você quer!
Farron: Tenho uma missão pra vocês. Mas ao contrário da anterior, eu planejo recompensar vocês com algo bom. Mas apenas se tudo for como o combinado.
Alanis: Certo, diga.
Farron: Quero que vocês façam um reconhecimento na vila Nether, ao noroeste do reino. Tenho suspeitas de que algo muito ruim pode estar acontecendo por lá. Minhas suspeitas aumentam ainda mais por saber que todos que estão entrando lá, não estão saindo.
Alanis: Então você vai nos mandar pra lá pra morrer?
Farron: Se vocês forem competentes, todos vão sair com vida.
Alanis: Certo, certo. E onde fica esse lugar?
Farron: Ao Noroeste, em uma floresta próxima ao vale pro reino Texra. Se quiser, pode levar alguém contigo.
Alanis: Certo. Já estou de saída. Nita, Leon e Snake, vamos.
Me virei pra saída e sinalizei pros três virem comigo. Mas, assim que cheguei na porta, Farron me chamou novamente.
Farron: Espera. Quero que leve mais uma pessoa contigo.
Alanis: Hm?
Farron: Bulk, vá com elas.
Bulk: Eu!?
Farron: Vê outro Bulk por aqui? Ande logo! Garanta que todos voltarão com vida.
Bulk: C-Certo, majestade!
Bulk veio correndo até nós e se juntou ao grupo.
Alanis: Mais alguma coisa?
Farron: Não. Podem sumir daqui.
Alanis: Ótimo.
Rapidamente, segui em frente pra fora do castelo e o grupo veio logo atrás. Minha paciência com a Farron já estava se esgotando por completo.
Leon: Sem querer me intrometer muito, mas... qual é o problema entre você e a sua irmã?
Alanis: Ela. Ela é o problema.
Nita: Geez. Vocês parecem duas crianças.
Bulk: Você deveria pegar mais leve com ela. Ultimamente ela anda bem irritada.
Alanis:Ela sempre foi irritada. Disso eu lembro muito bem.
De repente, notamos alguns dragões no céu. Todos eles indo pro oeste muito agitados. Já havia algum tempo que não via dragões por aqui.
Leon: Dragões? O que eles estão fazendo aqui!?
Alanis: Vamos.
Comecei a caminhar um pouco mais rápido com minha lança já em mãos e seguimos em direção a cidade.
Assim que chegamos no caminho de volta pra cidade, do topo da montanha já era possível ver uma figura estranha parada na entrada. Havia uma pessoa encapuzada onde apenas pedaço do cabelo roxo era visível. Eu nunca havia visto ninguém assim por aqui.
Alanis: Quem é--
Leon: Heian!
Alanis: Heian!? O Que ele faz por aqui?
Leon: Tava demorando pra ele dar as caras novamente!
Sem pensar duas vezes, Leon correu em direção ao Heian sem nos esperar.
Alanis: LEON, NOS ESPERE! Aquele idiota vai estragar tudo!
Rapidamente, todos nós corremos atrás dele montanha abaixo. Até que, em um momento de descuido, Leon tropeçou em uma pedra solta e começou a rolar montanha abaixo. Por sorte, já não estava tão alto.
Assim que ele parou já no pé da montanha, nós conseguimos alcança-lo.
Alanis: Custa esperar!?
Leon: Não podemos deixar ele fugir!
Alanis: Por que? Não podemos fazer nada por enquanto. Nem preparação nós temos ainda.
Leon: Hm.
Ajudei Leon a se levantar e ele começou a tirar a sujeira da sua roupa.
Leon: Você está certa. Mas se acontecer dele aparecer de novo, não podemos deixa-lo escapar!
Alanis: Na próxima. Ao menos já sabemos que ele está aqui.
Bulk: Quem é esse tal Heian?
Leon: Um dos antigos reis dragões. Por sorte, dois já se foram. Só falta ele.
Bulk: Eliminar ele vai fazer os dragões voltarem aos mortos?
Leon: Espero.
Alanis: Isso veremos no futuro. Agora, vamos voltar a nos concentrar em nossa missão.
Leon: Certo!
Com essa confusão fora do caminho, continuamos em frente em direção a Vila Nether. Só espero mais nenhuma surpresa até lá.
A Floresta já era visível só de sair da cidade. Não parecia ser tão grande comparado com a floresta de onde vim. A Montanha e o mar limitavam muito o crescimento.
Alanis: Aquela deve ser a floresta. Vamos. Fiquem todos preparados pra qualquer tipo de coisa. Não abaixem suas defesas.
Assim que todos colocaram suas armas em mãos, seguimos em direção ao noroeste.
De algum modo, o campo estava tranquilo. Não havia nenhum sinal daquelas maquinas, nenhum monstro ou dragão. Nem mesmo sinal do Heian nós não tinhamos. Tava tudo muito tranquilo... tranquilo até demais.
Nossa viagem até a floresta foi tranquila, mas já esperava algo daqui. Assim que chegamos, decidi parar e planejar uma estratégia antes de entrar.
Alanis: Certo... essa floresta não parece tão grande, mas parece bem funda. Vocês topam em se separar e cada um cobrir uma parte?
Leon: Por mim, tudo bem.
Nita: Não vejo problema algum.
Snake: Não me importo.
Bulk: Nos dê as ordens!
Alanis: Certo. Eu vou sozinha. Leon e Nita, cubram todo o caminho da esquerda. Snake e Bulk, cobram o caminho direto e eu cuido da direita. Se alguém achar a vila ou algo suspeito, grite e nós iremos chegar o mais rápido possível. Combinado?
Todos: Combinado!
Alanis: Certo. Vamos!
Todos se separaram de acordo com o plano. Não é um plano muito seguro parando pra pensar um pouco, mas com certeza é o melhor pra cobrir toda essa área mais rápido.
Após alguns minutos caminhando pra dentro da floresta, a luz do sol já não conseguia entrar direito, deixando tudo bem escuro. Um vento frio estava assoprando conforme em ia mais fundo na floresta. Não tinha sinal algum de animais, insetos ou pássaros. A Floresta estava estranhamente abandonada.
Entrando mais afundo, pude notar algumas marcas de cortes em algumas árvores. Também podia notar algumas estruturas de madeira. Essa deve ser a vila.
Eu havia entrado na vila por trás de uma casa de madeira abandonada. Entrei sorrateiramente, apenas pra evitar encontros desnecessários. Mas, felizmente (ou infelizmente), a vila estava deserta, assim como a floresta. Todas as casas estavam abandonadas, havia marcas de corte por todos os lados e havia vários corpos mutilados. Alguma fera deve ter atacado o lugar.
Alanis: Mas que droga aconteceu com esse lugar...?
A Vila em si havia um formato circular, onde todas as casas formavam a vila e também as paredes. Havia um poço no centro e, nos fundos de algumas casas, havia celeiros e algumas plantações. Porém, no meio de tantas casas simples, havia uma mansão ao longe, próximo de uma paróquia. Eu não posso ficar nesse lugar sozinha.
Alanis: VENHAM, EU ACHEI A VILA!
Gritei o mais alto que pude pra chamar a atenção dos garotos e os esperei na mesma casa que cheguei. Eventualmente eles iriam aparecer.
Após cinco minutos, todos chegaram na vila inteiros. Pelo visto, eles também não encontraram nada.
Leon: Então essa é a vila?
Alanis: Espero que seja. Farron não me disse nada se há outra vila por aqui.
Nita: Minha Deusa... o que houve com esse lugar?
Alanis: Essas marcas nas paredes podem dizer algo. Claramente foram atacados por algo, mas essas marcas são tão pequenas pra ser algum animal selvagem...
Snake: Talvez não tenha sido um animal.
Alanis: Alguém da própria vila?
Snake: Pode ser.
Leon: Ei, o que é aquela mansão?
De repente, o anel no dedo do Leon começou a brilhar até que Richard saiu de dentro.
Leon: Richard?
Richard: Onde nós estamos? Eu sinto uma presença familiar por aqui.
Alanis: Estamos na vila Nether, em Black--
Richard: VILA NETHER!? ESSA É MINHA TERRA NATAL!
Richard começou a olhar em volta muito infeliz.
Richard: Mas... não era assim que eu me lembrava. O que aconteceu com minha vila?
Alanis: Algo pode ter atacado o lugar. Seja lá o que for, causou muito dano.
Bulk: Essa coisa deve ser o responsável por matar os nossos soldados. Temos que acha-lo!
Alanis: Devemos entrar na mansão--
De repente, ouvimos vários rugidos de dragões vindo do vale, junto com uma barulhenta explosão.
Leon: O Que foi isso!?
Alanis: Isso veio do vale! Temos que voltar agora!
Nita: Mas e a nossa missão?
Alanis: Nos preocupamos com isso depois. Alguma coisa está nos atacando!
Rapidamente, todos nós corremos em direção a saída da floresta. Mas, no meio do caminho, eu tropecei em algo. Rapidamente, Leon se virou pra mim.
Leon: Precisa de ajuda?
Alanis: Não, continuem em frente. Vou logo atrás.
Leon: Certo!
Leon continuou em frente enquanto eu ainda me levantava. Quando fui ver no que eu havia tropeçado, eu vi uma faca jogada no chão com sangue ainda fresco. Próximo dela, havia pegadas de pés pequenos levando pro lado esquerdo da floresta. Snake pode estar certo. Seja lá o que causou tanto dano na vila era alguém de dentro. Só que pegadas tão pequenas... podia ser uma criança?
Comecei a seguir as pegadas lenta e cuidadosamente. Havia algumas pegadas dos garotos, mas não eram tantas a ponto de atrapalhar. Continuei seguindo indo diretamente pro lado esquerdo da floresta. No fim, as pegadas terminavam em um tronco de árvore. Havia pegadas de terra manchando o tronco. A Pessoa provavelmente escalou a árvore e pode estar bem acima de mim... ou foi o que pensei.
De repente, comecei a ouvir alguém chorando bem próximo de mim, mas não conseguia ver de jeito nenhum. Comecei a seguir o som e só precisei circular algumas árvores pra encontrar uma garotinha com uma blusa azul manchada com sangue chorando encostada em uma árvore. Como suspeitei, era realmente uma criança.
Alanis: Ei, garotinha.
???: Fique longe de mim.
Ela nem se quer olhou pra mim.
Alanis:Aquela vila...
???: Sim, fui eu. Me deixe sozinha, eu sou um monstro!
Alanis: Por que você fez aquilo?
???: Eu... eu não sei! Alguém me mandou fazer aquilo e eu só fiz. Eu nem lembro o que fiz, mas sei que aquilo foi minha culpa. Eu sou um monstro e mereço morrer sozinha aqui!
Alanis: Não, você não é.
Me sentei próxima da garota e comecei a acariciar sua cabeça.
???: O que você está fazendo?
Alanis: Escuta, eu já cometi muitos erros na minha vida também. É normal se sentir assim.
???: Você não sabe o que eu fiz.
Alanis: Eu sei. Eu sei muito bem. Eu já tirei vidas também, muitas vidas. Mas eu tive minha segunda chance e creio que você também merece uma.
Ela olhou pra mim com os olhos já vermelhos de tanto chorar.
???: Então você também é um monstro igual a mim?
Alanis: Já fui, mas mudei. Você também pode mudar.
De repente, pude ouvir outra explosão. Eu até tinha me esquecido dos garotos!
Rapidamente, me levantei e puxei a garotinha junto.
???: Ei, o que está fazendo!?
Alanis: Olha, venha comigo. Podemos continuar essa conversa depois.
???: Pra onde você está me levando???
Alanis: Eu vou te levar pra minha casa. Podemos cuidar de você lá. Aqui é muito perigoso pra ficar sozinha.
???: Mas eu--
Alanis: Não se preocupe, todos são bondosos e vão cuidar bem de você. Temos que nos apressar. Algo muito ruim está acontecendo.
Peguei a garotinha pelos braços, coloquei em minhas costas, segurei suas pernas enquanto ela se segurava em mim e corri em direção pra fora da floresta. O tempo que perdi com essa garota foi um total erro!
Alanis: Garotinha, qual é o seu nome?
???: Meu nome...? Eu... eu não sei. Costumavam me chamar de Maryl.
Alanis: Maryl, huh? É um nome bonito. Você morava com seus pais?
Maryl: Pais? Eu nunca os vi. Como consegue pensar nessas coisas enquanto algo ruim está acontecendo?
Minhas tentativas de faze-la pensar em alguma outra coisa estavam falhando miseravelmente.
Alanis: Eh... deixa isso pra depois.
Após alguns minutos correndo, finalmente saímos da floresta e já fomos recebidas com alguns dragões caídos com buracos em seus corpos. Seja lá o que for que causou isso, é alguma coisa devastadora. A Garota não pode vir comigo de jeito nenhum. Por sorte, os garotos ficaram me esperando do lado de fora da floresta.
Leon: Por que demorou tanto!? Quem é essa garotinha?
Nita: Por que trouxe essa garotinha com você?
Alanis: Não temos tempo pra explicar. Alguém precisa levar essa garotinha pra casa. Ela é uma sobrevivente da vila e não pode ficar sozinha.
Nita: Deixa comigo, mas vocês cuidem da criatura que estiver por ai.
Todos: Pode deixar!
Alanis: Maryl, vá com ela. Logo logo eu vou pra casa.
Maryl: Você tem certeza que eles são legais?
Alanis: Eu disse que são bondosos, não legais. Mas você vai ficar bem.
Maryl desceu das minhas costas e foi com a Nita de volta pra casa. Enquanto isso, Eu, Leon, Snake e Bulk seguimos em direção ao Vale, onde os sons da criatura podiam ser muito bem escutados.
Assim que entramos no vale, encontramos a criatura próxima da Torre de Encarceramento, onde meu pai estava preso. Pra minha infelicidade, aquilo era colossal.
Alanis: Mas o que é essa coisa...
Leon: Isso é enorme!
Havia uma daquelas maquinas no vale, mas essa era diferente. Era maior, era um lagarto gigante mecânico e podia facilmente disparar bolas de fogo devastadoras e ultrapassar o tamanho de uma montanha. Aquela sensação de
medo e pânico estava voltando só de ver aquela coisa.
Leon: Como vamos derrotar aquela coisa???
Snake: Parados aqui é que não vamos.
Rapidamente, Snake criou um Martelo de batalha de pedra e correu em direção a maquina. Logo depois, atacou com toda sua força a pata direita, mas não teve efeito nenhum e só quebrou o martelo.
Snake: Mas que--
Alanis: SAI DAÍ!
A Maquina levantou a pata pra tentar esmagar Snake, mas, de repente, Bulk correu na direção dele e se posicionou bem onde a pata iria cair.
Leon: SAIAM DAÍ!
Alanis: BULK, QUAL É O SEU PROBLEMA!?
Leon e Alanis: VOCÊS VÃO MORRER!
Bulk: Está tudo sob-controle, garotos.
Assim que a pata esmagou ambos, não podiamos nem olhar. A poeira de terra levantou e bloqueou toda nossa visão.
Alanis: Ah não...
Leon: SNAAAAKE!!!
Assim que a poeira abaixou... inacreditável.
Alanis: Huh!?
Bulk estava segurando a pata apenas com uma mão, enquanto Snake estava intacto.
Snake: Mas que... huh?
Bulk: Se puder me dar licença.
Snake ficou chocado por um momento até que correu até nós. Enquanto isso, Bulk lançou a maquina pra trás com um soco do seu outro braço e correu até nós. A Força dele é surreal!
Alanis: Como!?
Bulk: Impressionada? Isso é só um pouco do que sei fazer.
Com um pouco de dificuldade, a maquina havia se levantado novamente, mas dessa vez, notamos que havia alguém no topo da criatura, mas não podiamos ver quem era.
???: Como ousam estragar essa criação perfeita, seus humanos podres!?
Alanis: Quem é você?
Leon: Só pode ser mais algum dos amigos do Heian.
???: Eu sou General Kujacker e essa é a minha criação, Autozard. Uma das armas perfeitas pra dominar esse lugar podre em que vocês vivem.
Uma das!?
Alanis: O que diabos você quer aqui?!
Kujacker: Isso não é de seu interesse e não tenho ordens pra revelar nossos planos. Qualquer um que entrar em nosso caminho será aniquilado e se juntará ao nosso exército!
Leon: Uma pena que você foi trombar conosco. Parece que seus planos serão atrapalhados.
Kujacker: É o que veremos. Autozard, cuide deles!
Em um raio de luz, Kujacker desapareceu sem deixar rastros. Agora é só nós e essa criatura. Por mais que eu esteja tensa de ter que enfrentar essa maquina, nós não podiamos deixar isso ficar livre. Temos que destruir isso agora mesmo!
Alanis: Espero que todos estejam prontos. Isso não vai ser fácil.
Rapidamente, todos pegaram suas armas e entraram em modo de combate. Hora da batalha!
Antes de qualquer coisa, conjurei Reflexo em todos. Assim qualquer projétil que vier do Autozard não será devastador pra nós. Mas duvido que dure mais que um golpe. Minhas mágias brancas já não são tão boas quanto as mágias negras.
Kathy protejeu todos nós usando Fúria da Deusa, uma mágia antiga capaz de impulsionar qualquer criatura hostil pra trás.
Leon começou a concentrar energia na Sky Blade, liberando uma intensa rajada de raios, atingindo diretamente no Autozard. Mas não pareceu surtir efeito algum.
Bulk: Ei, Snake.
Snake: Hm?
Bulk: Você é boa em rebater projéteis?
Snake: Do que está falando?
Bulk: Você consegue rebater os projéteis dessa coisa?
Snake: Eh... acho que consigo.
Bulk: Ótimo. Faça isso. Eu tenho um plano.
Bulk começou a provocar o Autozard com insultos e gestos. De algum modo, a criatura pareceu entender todas as ofensas. Enquanto isso, Snake criou outro martelo de batalha, mas dessa vez, um maior e mais resistente.
Quando o Autozard se cansou das ofensas, ele lançou uma bola de fogo de dentro de um canhão em sua boca na nossa direção, mas Snake conseguiu rebater a tempo, fazendo a bola atingir a boca do Autozard, o travando.
Bulk: Muito bem! Hora de fazer minha parte.
Bulk correu em direção ao Autozard, deu um pulo extremamente alto e se pendurou na boca dele. Mas sua força era tanta que o Autozard caiu no chão sem nenhum esforço. Aproveitando isso, Bulk começou a socar os dois lados de sua mandibula até ele finalmente a arrancar, impedindo que o Autozard esconda seu canhão, mas também expondo um ponto fraco onde podiamos atacar.
Bulk: Você já não é tão durão agora, eh? Te mandarei de volta por seu criador em pedaços!
Bulk segurou o Autolizard com os dois braços e o levantou no ar com fácilidade.
Bulk: Ataquem agora!
Alanis: Vocês o ouviram. Ataquem a vontade!
Usando meu cajado, ataquei o Autozard com uma flecha elétrica direto na boca.
Usando a Sky Blade, Leon lançou uma onda elétrica em direção ao Autozard. Ele já apresentava sinais de malfuncionamento.
Pra finalizar, Snake correu em direção ao Autozard, criou um punho gigante de pedra em sua mão e o acertou com toda sua força um gancho na boca que o lançou no ar.
Bulk: Me dê um impulso!
Bulk correu na direção do Snake que o arremessou no Autozard. Logo depois, Bulk acertou um soco em cheio em seu peito, quebrando parte de sua proteção e o lançando no chão em alta velocidade e criando uma enorme núvem de poeira.
Assim que Bulk pousou, todos nós nos reunimos novamente.
Snake: Isso acabou?
Bulk: Eu não sei. Espero que tenha.
De repente, a terra começou a tremer abaixo de nós. Antes que pudessemos fazer algo, Autozard veio em alta velocidade em nossa direção girando como uma bola. Mas, graças a Fúria da Deusa, ele foi empurrado pra trás com uma imensa força. Porém, a força foi o suficiente pra faze-lo atingir os muros de segurança da torre.
Alanis: Ele vai libertar os presos!
Bulk: Ele já causou problemas demais!
Autozard veio girando em nossa direção novamente, mas Bulk impediu por segura-lo com as duas mãos. Porém, estava claro que a força do Autozard estava maior que a do Bulk, pois ele já estava sendo empurrado enquanto segurava.
Leon: Nós precisamos fazer alguma coisa pra ajuda-lo!
Alanis: Fazer o que!? A única parte exposta está protegida!
Bulk: Eu cuido disso.
Com muito esforço, Bulk conseguiu quebrar o ataque do Autozard e pega-lo pelo pescoço, o imobilizando.
Bulk: Rápido, alguém destrua isso logo!
Alanis e Leon: Certo!
Eu e Leon corremos até o Autozard e concentramos energia em nossas armas. Enquanto isso, em um ultimo ato de sobrevivência, o Autozard começou a carregar um projétil poderoso em seu canhão.
Bulk: Melhor fazerem isso logo!
Alanis: Estamos concentrando o mais rápido que podemos!
Sinto que o melhor que podemos não é rápido o suficiente. Cada segundo que passava, já sentia o calor ficando mais e mais intenso.
Alanis: Agora!
Assim que obtivemos energia o suficiente, colocamos nossas armas dentro do canhão e disparamos fortes raios elétricos. De repente, o Autozard começou a tremer até começar a explodir de dentro pra fora.
Alanis: Fiquem longe!
Nós nos afastamos das explosões rapidamente, bem a tempo da ultima e a maior explosão, onde todo o corpo do Autozard se despedaçou e espalhou pedaços de metal por todo o canto. O alivio que eu senti por destruir aquilo não era possível descrever em palavras.
Leon: Nós finalmente conseguimos!
Alanis: É, conseguimos... ufa.
Eu já estava exausta de tanto correr, lutar e de ficar tensa por causa dessas aberrações metálicas. Eu só quero voltar pra casa logo.
Bulk: Agora o que vamos fazer com todo esse metal espalhado?
Alanis: Eu não sei. Vamos voltar pro castelo e veremos o que fazer. Nossa missão ainda não acabou de todo modo. Mas ao menos poderemos descansar.
Leon: Oh, eu havia esquecido completamente da nossa missão na vila.
Alanis: Podemos cuidar disso amanhã. Por enquanto, vamos voltar, descansar e depois damos mais informações pra rainha sobre essa coisa.
Só espero que a Meryl esteja bem. Eu não sei o que todos vão fazer se souberem o que ela fez. Mais uma coisa pra resolver antes do dia acabar.
Mansão da Estética, Reino Strife
17:22
Assim que cheguei na mansão tudo parecia normal. Estavam todos na sala junto com a Meryl apenas conversando. As roupas sujas de sangue foram retiradas e trocaram por um vestido vermelho; O Cabelo preso estava solto e mais limpo. Parece que deram um banho nela e estão até que se dando bem.
Alanis: Ei. Estamos de volta.
Nita: Oh, Alanis. Como foi as coisas? Deu tudo certo?
Alanis: É, quase. A criatura está morta, mas ainda temos uma missão pra cumprir.
Nita: Bem, ao menos o pior já passou.
Alanis: E a Meryl? Estão se dando bem com ela?
Stacy: Ela é um anjo! Nunca vi uma garotinha tão doce quanto ela.
Nita: Realmente. Ela é tão inteligente também.
Meryl: Obrigada por me tirar de lá. Suas amigas são muito legais.
Alanis: Não foi nada. Bom saber que estão se dando bem. Vou estar na minha cama, então não me perturbem.
Me dirigi até a casa de hospedes, mas assim que cheguei na cozinha da mansão, Nita veio atrás de mim.
Nita: Alanis, podemos conversar um pouco?
Alanis: Hã... tá. O que quer?
Nita: Você disse que ela é uma sobrevivente, né?
Alanis: Sim.
Nita: Uma única sobrevivente de uma vila destruída onde nem mesmo soldados da rainha conseguiram sair vivos?
Alanis: Você já entendeu, não é?
Nita: Eu vi essa mentira vindo de longe.
Alanis: Olha, eu só estou preocupada com a segurança dela. Por mais que exista um perigo em deixar uma assassina bem próxima de nós, eu acredito que ela ainda pode se redimir. Quero dizer, todos nós já matamos um dia e--
Nita: É, eu já entendi o que quis dizer. Todos já sabem e todos nós decidimos dar uma segunda chance a ela. Porém, eu só me preocupo com o que a Chess vai achar disso.
Alanis: Ela ainda não sabe da Meryl?
Nita: Não. Eu tenho medo dela ficar enciumada por ter outra garotinha aqui além dela. Ela sempre foi uma garota solitária e já está acostumada a ter toda a atenção pra ela. Por isso, quero que você cuide dessa garota o máximo que puder. Eu já tenho uma filha e não posso ficar dando minha atenção pra alguém que não tenho laços algum.
Alanis: Pode deixar. Obviamente, não ando ficando em casa, mas tentarei o possível pra cuidar dela.
Nita: Ótimo. É o minimo que quero. Só espero que ela e a Chess se deem bem. Adoraria ver minha filha ter uma amiga de verdade. Deve ser um saco pra ela conviver com adultos a vida toda.
Alanis: Tenho certeza que vão. Quando possível, vou ensinar algumas coisas pra ela.
Nita: Só não seja chata com ela. Essa garota deve ter passado por muita coisa.
Alanis: Não se preocupe. Eu entendo completamente ela. Agora, se me permite, preciso descansar.
Nita: Certo. Te vejo mais tarde.
Alanis: Até.
Desde que cheguei as coisas já estavam mudando tanto em tão pouco tempo. Novo lar, reencontro com antigas conhecidas e todas essas maquinas surgindo de algum lugar. Agora essa garota entra na minha vida também. Talvez isso seja o mais próximo que chegarei de ter uma filha. Não sei se vou conseguir dar meu melhor pra cria-la, mas tentarei o possível pra não cria-la do mesmo jeito que fui criada.
Infelizmente, isso não é algo que posso me preocupar agora. Amanhã nós iremos investigar aquela mansão na vila apenas pra terminar nossa missão. Já que a verdadeira causa das mortes já está entre nós, não teremos muito o que fazer. A única coisa que espero é que a Farron cumpra com sua promessa e me deixe ficar com aquela mansão abandonada na montanha. Sair da casa da Stacy seria uma maravilha
Assim que cheguei na minha cama, eu caí como uma pedra e não demorou muito até dormir. Com isso, boa noite e até amanhã.
Próximo Capítulo
A Paróquia dos Bonecos
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