~Legends Hunter~
A Lenda Eterna III: Os Três Reis
Parte 2: Outono Paradoxal
Capítulo 14 - Reunião Familiar
Distrito Baixo, Reino Strife
19:24
Narrativa: Leon
Um dia havia se passado desde que chegamos em Blacksoul. Passamos o dia conhecendo mais dessa cidade e seus distritos e terminamos o dia procurando Marth, meu dragão. Assim como a Alanis e a Kathy, acabamos esquecendo ele no meio do pântano. Por sorte, a busca foi extremamente tranquila e já estavamos de volta na cidade no começo do anoitecer.
Enquanto todos voltavam pra mansão, Eu, Fresh, André e Shikaji paramos no bar na entrada da cidade pra beber e relaxar. Depois de muito frio em Sunfall, eu não esperava que Blacksoul fosse tão quente no verão. O Sol chega a arder de tão quente! Uma bebida gelada iria ajudar muito.
Deixei Marth na porta do bar e nós entramos, sentamos nas cadeiras no balcão do bar e pedimos nossas bebidas.
Leon: Uma cerveja, por favor.
Fresh: Uísque pra mim.
André: O mesmo que o gato ali.
Fresh: Hujit!
Shikaji: Uma garrafa de Hidromel, por favor.
Enquanto o barman pegava nossas bebidas, observei um pouco o lugar e só via homens grandes, velhos e barbados bebendo, conversando e jogando cartas. Não pareciam ser gente boa, mas estavam se divertindo.
De repente, uma mulher encapusada entrou no bar dando um chute na porta, empurrando um homem que estava próximo a ela e quebrando sua garrafa de cerveja.
Barman: Mas o que... ah não
Ao ver a mulher, o Barman se escondeu atrás do balcão.
Fresh: Mas que merda que tá acontecendo aqui?!
O Homem que havia sido empurrado se levantou com um pouco de dificuldade e se apoiou em uma mesa onde estavam jogando cartas.
Homem: Você vai me pagar outra bebida por isso, vagabunda!
O Homem caminhou em direção da mulher e tentou lhe dar um soco, mas ela apenas o segurou pela cabeça e ele já desistiu. Logo depois, o jogou no chão como um saco de areia. Ele estava sangrando por um fundo buraco feito no meio do seu rosto.
A Mulher começou a olhar de um lado pro outro bem lentamente, tentando encontrar alguém, mas logo depois foi embora.
André: O que diabos foi isso?
Fresh: Ela veio até aqui só pra isso?! Isso não vai ficar assim!
Leon: Espera, Fresh!
Fresh se levantou do banco e correu pra fora do bar. Eu corri atrás dele, mas ele já estava parado na entrada procurando por ela.
Fresh: Pra onde ela foi???
Olhamos ao redor, mas não havia nenhum sinal da mulher em lugar algum. Olhei pra montanha, mas não havia ninguém na rua.
Leon: Ela... sumiu...
Fresh: Quem era aquela mulher?
Leon: Queria eu saber... Acho melhor voltarmos.
Mansão da Estética, Reino Strife.
19:30
Narrativa: Alanis
Estava deitada na cama quando ouvi alguma coisa acontecendo na rua debaixo. Quando me inclinei na janela próxima da cama, vi algumas pessoas paradas na porta do bar olhando alguma coisa. Até que, de repente, uma pessoa encapuzada pulou do chão pro telhado e me encarou por alguns segundos antes de desaparecer num pulo.
Alanis: Mas que...
De repente, pude ouvir a porta batendo no andar debaixo da casa de hospedes. Rapidamente, corri até a entrada e encontrei os garotos, todos cansados e suados.
Alanis: Garotos, que bom que voltaram.
Leon: É, muito bom. Por acaso aconteceu alguma coisa aqui?
Alanis: Não. Eu ouvi alguma coisa na rua debaixo. O que vocês aprontaram?
Leon: Já está tão automático assim? Toda vez que algo acontecer, a culpa é nossa?
Fresh: Não, não fizemos nada. Não dessa vez.
Alanis: Então o que foi toda aquela confusão?
Shikaji: Queria eu entender.
André: Uma mulher encapuzada entrou no bar e matou um cara sem motivo algum.
Mulher encapuzada?...
Leon: Por acaso você viu alguém estranho? Alguém passou por aqui?
Alanis: Eh... não, ninguém veio aqui. Mas eu vi uma pessoa encapuzada no telhado da casa.
Fresh: Ela deve ter ido pra cima. Mais alguém deve ter se encontrado com ela.
Shikaji: Deveriamos procura-la?
Leon: Hm... não. Não agora. Já fizemos demais por hoje.
Alanis: Se essa mulher está a solta por ai, não podemos perder muito tempo. Quero todos vocês prontos amanhã cedo!
Leon: Certo, comandante. Até lá, vou descansar e comer.
Fresh: To com você.
Leon e Fresh se dirigiram pra cozinha, enquanto André e Shikaji foram pros quartos no primeiro andar. Antes do Leon chegar no cozinha, corri atrás dele e o chamei na quina entre o corredor da cozinha e a entrada da casa.
Alanis: Ei, Leon. E o Marth?
Leon: O que tem ele?
Alanis: Você conseguiu achar algum lugar pra ele?
Leon: Ah, sim. Eu consegui. Deixei em uma caverna na rua de cima.
Alanis: Você passou com o dragão dentro da cidade?!
Leon: Qual o problema? Ninguém ousaria ir brigar com um dragão. Além do mais, a caverna é abandonada. Ninguém iria procura-lo ali.
Alanis: Hm... espero que esteja certo.
Com tudo resolvido por hoje, a única coisa que me faltava fazer era tomar um banho, jantar e dormir. Amanhã iria ser um longo dia.
Na mesma noite
03:21
Durante a noite, comecei a me sentir muito desconfortável, como se eu não pudesse me mexer e como se algo estivesse encima de mim esfregando algo em meu pescoço. Com tamanho desconforto, acabei acordando. Assim que abri os olhos, vi a mesma mulher encapuzada sentada encima de mim apontando uma katana no meu pescoço. Tentei gritar, mas eu não conseguia. Tentei me mover, mas todos os meus braços e pernas estavam imóveis por algum feitiço.
???: Deveria por um fim na sua vida agora mesmo pelo o que você fez, mas eu tenho planos maiores pra você e seus amigos. Me encontre na casa abandonada ao lado da caverna onde você encontrou seus amigos. Nem pense em trazer o dragão e nem tente fugir. Estamos de olho em você.
De repente, a mulher desapareceu no ar, com sua imagem sendo levada pelo vento. Eu podia falar e me mover novamente. O que diabos foi isso!? Quem é essa mulher? O Que ela quer comigo? Meu coração estava tão acelerado. Eu não iria conseguir dormir essa noite. O que me resta é esperar o sol nascer...
Eu só quero saber como vou fazer pra convencer todos de irem pra essa óbvia armadilha.
Distrito Baixo, Reino Strife
09:10
Após aquela ameaça, contei a verdade pra todos e decidimos ir em direção à armadilha. Querendo ou não, essa era a chance mais fácil e rápida de confrontar a mulher misteriosa. Já derrotamos tantos seres juntos, o que é uma mulher comum?
Seguimos em direção à caverna ao leste do reino. Se a direção estiver certa, a tal casa abandonada vai estar logo após disso.
Alanis: Eu não acredito que estou levando todos nós pra uma óbvia armadilha. Isso é tão estupido!
Leon: Nem eu acredito que você está fazendo essa estupidez, mas se é a melhor forma de confrontar aquela mulher, então que seja.
Alanis: Ao menos não somos tolos o suficiente pra deixar as armas em casa.
Mas eu sou o suficiente pra deixar isso acontecer.
Assim que atravessamos a caverna, chegamos em uma vila abandonada com casas de madeira próximas de um penhasco. Na saída da vila, havia uma casa de pedra maior que as outras encostada na parede da montanha. Ali deve ser o local de encontro.
Alanis: Vocês já sabem o que fazer, certo?
Rapidamente, todos empunharam suas armas.
Alanis: Ótimo. Eu irei na frente.
Segui na frente, liderando o grupo em direção à vila. Mas, de repente, Leon me segurou pelo ombro, me parando.
Alanis: Hm?
Leon: Onde está suas armas?
Alanis: Eu ainda consigo me virar sem meu cajado e minha lança. Não se preocupe.
Leon: Tem certeza?
Alanis: Sim. Ainda sei como socar.
Leon: Então tudo bem, se você diz...
Continuamos em frente, entrando pela primeira vez na vila.
Observando mais de perto, as casas pareciam ter sido queimadas. Haviam poucas casas, apenas um único poço com água suja e um balde largado. Quem morava aqui, parece que tiveram que fugir do possível incêndio que ocorreu. De algum modo, esse lugar era um tanto familiar...
Assim que chegamos na casa de pedra, parei um pouco, respirei fundo e abri a porta com muita cautela. O interior da casa era escura, sendo a única iluminação a luz do sol entrando pela porta, pois as janelas estavam bloqueadas com madeira.
Shikaji: Nós vamos realmente entrar?
Alanis: Se tivemos o trabalho vindo até aqui, por que não?
Entrei primeiro na casa e os outros vieram atrás de mim um por um. Mas, assim que Nita entrou por ultimo, a porta se fechou sozinha atrás de nós e as chamas de um candelabro acima de nós se acendeu, revelando um circulo de bandidos vestindo os mesmos uniformes dos bandidos que haviamos matado alguns dias atrás. Estavamos cercados por eles. Rapidamente, todos ficaram em posições de defesa e cada um olhando pra um lado.
Alanis: Eu sabia que era uma armadilha!
???: Pode ser um armadilha ou uma nova chance, a escolha é sua.
Saindo da escuridão, pude ver a mulher encapuzada vindo em minha direção.
Alanis: O Que você quer conosco!?
???: Não tenho tanto interesse nos seus amigos, apenas em você em particular.
Alanis: Então diga logo!
???: Você deveria tomar cuidado com o jeito que fala comigo! Pensa que sou apenas mais um desses vermes?
Essa voz... esse tom de voz... por que me é tão familiar?
Alanis: Apenas me diga o que quer!
???: Eu... eu quero se junte a mim ao trono.
Alanis: O quê? Do que está falando?
A Mulher abaixou o capuz, revelando ser uma mulher branca de cabelo castanho longo e olhos vermelhos... Farron Nishin Strife, minha irmã.
Alanis: I-Irmã!?
Farron: Aceita essa proposta? Essa terra é nossa, esse é seu lugar.
Alanis: ...
Farron: Indecisa?
Alanis: ...Não. Eu não quero o trono. Não quero fazer parte dessa sujeira.
Farron: Entendo...
Farron colocou o capuz na cabeça novamente e virou as costas pra mim.
Farron: Já que não aceita... Executem-os!
Rapidamente, os bandidos vieram em nossa direção.
Alanis: ESPERA!
Farron parou na hora.
Farron: Hm...?
Alanis: ... eu... eu só tenho essa opção?
Farron: É isso ou você trabalha pra mim. A escolha é sua.
Alanis: Você vai deixar meus amigos em paz?
Leon: Você não vai se juntar, não é?
Alanis: Me deixa, a escolha é minha.
Farron: Se você se juntar, sim, eu deixarei vocês irem... com uma condição.
Alanis: Diga.
Farron: Quando for necessário, precisarei de ajuda de todos vocês.
Alanis: Certo! Eu aceito trabalhar pra você.
Farron: Hehe... Irmã fraca. Sempre foi fraca.
Num estalar de dedos, os bandidos recuaram e as luzes da casa se acenderam. Ela se virou novamente pra mim e abaixou o capuz.
Farron: Certo, sejam bem-vindos à Guilda dos Ladrões, governantes de todo Reino Strife. A partir de hoje, todos vocês farão parte de nós e trabalharão para mim quando eu mandar.
Leon: O que você quer dizer com isso?! Apenas Alanis trabalha pra você!
Farron: Todos vocês irão. Eu sou a rainha de todo esse lugar e eu tenho esse poder.
Camila: Você não é rainha! Eu conheço sua família. Cadê o Rei Arin e a Rainha Rose!?
Farron: Rei Arin está preso e Rose morreu faz três anos. Como Alanis não estava presente, o poder veio pra mim.
Alanis: Rose... Arin...
Leon: Alanis, seus pais eram reis!?
Mãe... Pai... é muita informação pra mim. Eu não lembrava dessas coisa, eu não lembro de quase nada da minha vida!
Alanis: SILÊNCIO! Eu não consigo me concentrar com todo mundo falando! O Que aconteceu com nossos pais?
Farron: Rose morreu por uma doença. Ela estava velha de todo modo. Poderia estar melhor, se você não tivesse virado as costas pra sua terra natal.
Alanis: ...E o pai, por que ele está preso?
Farron: ...
Alanis: Me diga!
Farron: Eu... eu não sei dizer. Poucos anos atrás ele começou a agir estranho, começou a mudar. Não sabiamos o que estava acontecendo com ele e ele estava virando uma ameaça pra todos nós. Não tivemos escolha a não ser prende-lo na torre.
Alanis: Droga...
Farron: Logo após isso, coisas estranhas tem acontecido no reino. Criaturas metálicas começaram a surgir e não sabemos de onde. O Mar está proíbido o acesso por causa de uma criatura que vive por lá. A Floresta dos Vazios teve que ser fechada por causa de uma aranha gigante que vive por lá. A Vila Nether está infestada de mariposas gigantes metálicas e alguns habitantes dizem ter avistado um tipo de lagarto gigante andando pelo vale entre o nosso reino e o Reino Texra.
Leon: Mas que ótimo lugar que fomos parar...
Eu lembrava desse reino ser ruim, mas não esperava estar nesse caos!
Alanis: O que podemos fazer pra enfrentar essas coisas?
Farron: Se eu soubesse, estaria bom. Temos um ponto inicial pra procurar por respostas, pelo menos. Você pode fazer isso sozinho.
Alanis: Certo!
Farron: Todos os outros, podem voltar pra suas casas. Chamarei quando forem necessários.
Leon: Podemos ser úteis também!
Farron: Mas eu pedi a ajuda de vocês? Não! Suma daqui logo!
De repente, todos os bandidos começaram a empurrar todo mundo pra fora da casa, me deixando sozinha.
Alanis: Por que você é tão malvada!?
Farron: Não gosto de gente incomoda. Essa missão é sua e apenas sua.
Alanis: Hmm... Certo, o que quer?
Farron: Ao oeste do reino, tem uma fábrica abandonada criada pro Hujits. Suspeito que algumas dessas criaturas possam ter surgido de lá. Quero que você investigue a fábrica e destrua o que encontrar por lá.
Alanis: Certo. Isso não vai demorar.
Farron: Tome, pegue isso pra te ajudar.
Farron me entregou um cajado de madeira comum e uma espada curta. Não era melhor que meus equipamentos antigos, mas iria ajudar.
Farron: Eu sei que você perdeu suas armas. Isso vai te ajudar. Se não gostar, é problema seu.
Alanis: Muito obrigada.
Farron: Não tá esquecendo de nada?
Alanis: ...?
Farron: ... Certo, tchau, irmã.
Alanis: Ah. É isso mesmo, tchau.
Apenas virei as costas e caminhei pra fora da casa. A ultima coisa que eu esperava hoje era me reencontrar com minha irmã. Ela consegue ser pior que eu!
Com a missão em mente, segui caminho indo em direção ao oeste. Se a informação estiver certa, essa tal fábrica vai estar logo após o reino, provavelmente escondida atrás da montanha. Sinto que será uma missão fácil. Mas só tem uma coisa que me incomoda...
Alanis: O que é uma fábrica? Talvez Fresh me responda isso.
Na entrada do reino me encontrei com os garotos na porta do bar, como sempre, bebendo.
Fresh: Ei.
Fresh cutucou Leon com o cotovelo e a pontou pra mim.
Leon: Oh, Alanis. Como terminou as coisas?
Alanis: Terminou? Isso apenas começou.
Leon: Me refiro ao encontro.
Alanis: Ah... bem, tenho uma missão. Só vim pra fazer uma pergunta ao Fresh.
Fresh: Diga.
Alanis: Você sabe o que é uma fábrica?
Leon: Como você não sabe o que é uma fábrica!?
Alanis: Silêncio!
Fresh: Ee... Depende. De que tipo de fábrica estamos falando?
Leon: Como assim "Que tipo"? Só existe um tipo de fábrica! É o lugar onde as pessoas criam coisas, não?
Shikaji: Sua descrição de fábrica é tocante, Leon. Um completo génio.
Fresh: Bem, NA MINHA TERRA, existe outro tipo de fábrica. Fábricas mecânicas, onde usamos maquinas pra construirem objetos diversos.
Alanis: Maquinas?
Fresh: Criações automáticas com muitos mecanismos. São criações apenas de nossa raça. Por que a pergunta?
Alanis: Isso parece ser perigoso... bem, me foi dito que há uma fábrica abandonada criada por Hujits próximo daqui.
Fresh: Hujits?
Fresh entregou sua caneca pro Leon e caminho até mim.
Leon: Ei, pra onde está indo?
Fresh: Eu vou com ela.
Alanis: O que? Não, não precisa. Eu posso me virar sozinha.
Fresh: Eu não vou fazer isso por você, eu quero ver essa fábrica. Se existe uma fábrica Hujit aqui, talvez minha espécie não esteja em extinção.
Leon: Então me espera.
Com pressa, Leon bebeu a caneca dele e a do Fresh em apenas um único gole... mesmo que boa parte tenha caído e molhado toda sua roupa. Idiota.
Leon: Eu vou com vocês. Vou garantir que vai sair tudo bem.
Alanis: *suspira*... Certo, vocês podem vir. Eu nem sei se vocês podem, mas eu deixo da minha parte. Mas sejam discretos!
Leon e Fresh: Pode deixar!
E lá vou eu carregar dois pesos...
Saímos do reino e continuamos seguindo em frente, contornando a montanha até achar a fábrica. Se o lugar for grande, não seria problema achar.
Após três minutos caminhando, passamos por alguns bosques pelo campo e seguimos um riacho até encontramos um lugar estranho. Havia uma construção cercada por um muro alto em ruínas. Com certeza é a fábrica.
Alanis: Chegamos. Sem duvida que é aqui.
Leon: Como pode estar tão certa?
Alanis: Vê alguma outra construção por aqui?
Fresh: Não podemos estar tão corretos. Esperem um pouco, vou dar uma olhada.
Usando suas garras, Fresh pulou no muro de pedra e escalou, obtendo uma vista melhor do que havia lá dentro.
Fresh: Alanis está certa, chegamos.
Alanis: Ótimo. Vou ver se encontro uma entrada.
Comecei a circular pela área em busca da entrada. Não demorou muito pra achar um portão de ferro, mas estava trancado por dentro. Gritei pro Fresh por ajuda.
Alanis: Fresh, você consegue abrir esse portão pelo outro lado?
Fresh: Sem problemas!
Fresh pulou o muro e destrancou o portão, abrindo os dois lados.
Assim que atravessamos o muro, pude notar a fábrica e estranhei como ela era diferente das outras comuns. As paredes eram inteiramente feitas de ferro, havia algumas janelas e muitas chaminés no topo. Porém, com o passar dos anos, a fábrica já estava enferrujando e muito da sua estrutura já estava caída ou rachada.
Fresh: Olhe pra isso... essa fábrica já deve estar aqui faz anos! Sem duvida nenhuma é uma fábrica Hujit.
Alanis: É seguro pra entrar?
Fresh: Talvez. Se ao menos a porta funcionar.
Fresh se aproximou da porta de aço e pressionou um botão ao lado, mas não aconteceu nada.
Fresh: Como suspeitei. Sem energia. Temos que achar outra forma de entrar.
Leon: Podemos entrar pela chaminé.
Alanis: Eu não iria conseguir escalar até lá.
Fresh: Eu consigo.
Leon: Pela janela então? Muitas delas estão quebradas.
Alanis: Eu disse que não consigo escalar!
Leon: Seu ferimento ainda incomoda?
Alanis: Um pouco. Dói mais quando tento me esforçar demais.
Leon: Então como você vai entrar?
Fresh: Deve ter alguma passagem subterrânea por aqui.
Fresh começou a cavar o chão de terra próximo da fábrica buscando alguma passagem, até que, após uns três minutos, ele achou algo.
Nós corremos até a parte de trás da fábrica e vimos uma pequena janela pequena o suficiente pra mim conseguir rastejar e entrar.
Fresh: Problema resolvido.
Alanis: Isso pode servir.
Leon: Vamos entrar por ai?
Alanis: Acho que precisamos nos separar. Podemos cobrir muito mais terreno se cada um investigasse uma parte.
Leon: Certo!
Alanis: Encontro vocês lá dentro.
Leon correu pra frente da fábrica; Fresh escalou até o topo e eu entrei pela janela baixa. A partir de agora, estou sozinha.
Caí em um amontoado de caixas de madeira em um porão escuro, sendo a única fonte de luz a do sol que passava pela janela. As paredes de ferro estavam enferrujadas e o chão cheio de água que cobriam meus pés. Usando meu cajado, conjurei um orbe de luz pra iluminar meu caminho e segui em frente subindo um pequeno degrau levando pra uma porta.
Atravessando a porta, cheguei em uma área um pouco mais aberta, mas abaixo de um chão feito de grades. As paredes de tijolos tomaram lugar das paredes de ferro, mas essas estavam sujas e esverdeadas. Havia pedaços de ferro e parafusos enferrujados no chão por todo o canto. Provavelmente caíram do andar de cima. Olhando um pouco pro alto, pude perceber o Leon no andar de cima checando um tipo de mesa preta e longa.
Alanis: Ei, Leon. Estou aqui!
Ele começou a me procurar, até notar o orbe de luz e deitar na grade.
Leon: Você encontrou algo?
Alanis: Ainda não. E você? Onde está o Fresh?
Leon: Ainda não achei nada, apenas essa esteira.
Alanis: Esteira?
Leon: Essa mesa preta.
Alanis: Entendi. E o Fresh?
Leon: Eu ainda não o achei.
Alanis: Tente encontra-lo. Continuarei investigando por aqui.
Leon se levantou e seguiu em frente. Enquanto isso, continuei em frente e entrei em uma porta à minha esquerda. Havia uma sala pequena com apenas uma escada levando mais afundo da fábrica. Não gostaria nada de descer... mas era o que eu tinha que fazer.
Descendo as escadas, eu encontrei uma alavanca vermelha. Ao abaixar, umas faíscas saíram e várias luzes se acenderam na fábrica. Ao menos esse lugar está mais explorável agora. Subi as escadas rapidamente e percebi que as esteiras estavam funcionando novamente, mas uma estava jogando mais ferro onde eu estava.
Leon: Alanis, o que você fez!?
Alanis: Eu não sei! A Fábrica parece estar funcionando novamente.
Fresh: E está. Está funcionando perfeitamente.
Em uma plataforma muito acima de nós, pudemos ver Fresh se encostando em uma barra de ferro.
Alanis: Encontrou alguma coisa?
Fresh: Infelizmente, não. Tudo que encontrei até agora foi metais e ferrugem.
Alanis: Droga! Continuem procurando. Não podemos saír daqui sem alguma pista.
Leon e Fresh: Certo!
Cada um seguiu seu caminho e eu segui o meu. Continuei em frente atravessando outra porta. Ao abrir, não pude deixar de perceber um imenso buraco na parede com um caminho feito de algo metálico.
Alanis: Parece que finalmente achei algo.
Peguei minha lança e entrei no corredor. Havia luzes atravessando as paredes e o chão. Era algo muito estranho.
Ao chegar no fim... Eu não podia seguir em frente.
Alanis: M-mas... o que são essas coisas?
Eu fui completamente surpreendida por uma sala gigantesca cheia de criaturas metálicas. Eram enormes, tinham canhões em suas mãos e sua aparência era assustadora, se assemelhando com crânios humanos... na verdade, toda sua estrutura parecia humana.
Continuei caminhando entre as enormes fileiras cuidadosamente, completamente assustada com aquelas coisas. Não sei o que eram e nem o que poderiam fazer, mas também não queria ficar tempo o suficiente pra descobrir. Quanto mais rápido achar informações, mais rápido sairei desse lugar.
Ao chegar no fim da sala, pude ver uma criatura um pouco diferente das outras. Esse era maior, sua aparência ainda era humana, mas parecia estar vestindo algum tipo de armadura e havia uma espada e um escudo presos em um suporte na parede, enquanto a criatura estava preso em ganchos. Ao seu lado, havia uma mesa com um papel dobrado encima. Rapidamente, peguei o papel e coloquei em meu bolso... mas minha pressa acabou me fazendo apertar um botão acidentalmente. De repente, todas as criaturas começaram a fazer um barulho pertubador e a criatura maior se soltou dos ganchos, me encarando logo depois.
Alanis: Ah não.
Por um momento, eu congelei. Meu coração estava agitado e eu não sabia o que fazer. Eu não conseguia fazer nada!
Assim que ele se virou e pegou a espada, encontrei uma oportunidade pra fugir e corri o mais rápido que podia entre todas as criaturas indo em direção à saída. Mas, de repente, a criatura maior conseguiu me alcançar e me derrubar em alta velocidade. Eu consegui me levantar, mas ele estava bloqueando o caminho. Rapidamente, passei entre as criaturas e continuei correndo, evitando a criatura maior.
Assim que consegui finalmente sair do buraco, corri por uma escada na esquerda que levava pro andar onde Leon estava, mas a criatura ainda estava atrás de mim.
Leon: Alanis, cuidado!
Ao olhar pra trás, pude ver a criatura se preparando pra atacar com sua espada, mas pude desviar pulando por cima de uma das
Leon: O QUE DIABOS É ESSA COISA!?
Alanis: Eu não sei, só quero sair daqui!
De repente, o portão da saída se abriu e Fresh já estava ali perto, sinalizando pra nós.
Fresh: VAMOS!
Rapidamente, eu e Leon fugimos da fábrica pela saída e Fresh foi logo depois, fechando o portão pelo lado de dentro e conseguindo passar pelo espaço entre o portão e o chão.
Mesmo já estando do lado de fora, continuei correndo até ficar bem longe, só parando depois que entrei em uma clareira, onde todos nós nos encontramos. Ali eu parei pra descansar.
Fresh: O que diabos vocês fizeram!?
Leon: Eu não fiz nada!
Alanis: Eu... achei... uma sala... estranha... ugh.
Eu sentei no chão e me encostei em uma árvore. Estava difícil de respirar e meu coração ainda estava extremamente agitado. Pra piorar, meu ferimento estava me machucando terrivelmente.
Fresh: O que você achou?
Alanis: Eu não sei exatamente. Era uma sala enorme cheio dessas criaturas...
De repente, uma explosão veio da fábrica e todas aquelas criaturas estavam saíndo de dentro, marchando pelo campo.
Fresh: Não podemos ficar aqui, vamos voltar pra cidade.
Rapidamente, os dois me levantaram e me apoiaram em seus ombros, me carregando de volta pra cidade. No final das contas, eu não iria conseguir isso sem eles.
Assim que já estavamos perto da cidade, cutuquei eles pra me colocarem no chão.
Alanis: Já está bom. Acho que consigo andar novamente.
Leon: Temos que voltar pra mansão.
Alanis: Eu ainda não posso. Preciso falar com a Farron primeiro. Quero que vocês dois avisem pra todos pra se esconderem.
Leon: Pode deixar!
Enquanto Leon e Fresh seguiam pra dentro da cidade, eu continuei em frente indo em direção ao esconderijo da Farron. Apesar de ainda estar assustada, eu precisava terminar essa missão sozinha.
Esconderijo da Guilda dos Ladrões, Reino Strife
12:09
Assim que cheguei no esconderijo, logo encontrei Farron conversando com um bandido.
Farron: Oh, que bom que voltou, Irmã. Espero que tenha encontrado algo...
Sem nem pensar duas vezes, apenas peguei o papel em meu bolso e joguei no rosto da Farron.
Alanis: Não. Me. Faça. Voltar.
Farron: Que porcaria é essa?
Alanis: É a droga da informação que você queria.
Farron desdobrou o papel e começou a ler, mas ela estava olhando muito confusa.
Farron: Bem... Aparentemente eu não sei ler, pois eu não faço ideia do que está escrito aqui.
Ela mostrou o papel pra mim e eu não conseguia ler também. A escrita era muito diferente da escrita comum. Eram feitas de números incompreesíveis.
Alanis: Mas que...
Farron: Parece que você vai ter que voltar lá.
Alanis: ... Farron...
Farron: ...?
Eu estava explodindo pra dizer coisas pra ela... mas não conseguia.
Farron: Vamos, diga! Desaprendeu a falar ou o gato comeu sua língua?
Alanis: ...eu... Eu não vou voltar, tá? Aquele lugar está infestado daquelas criaturas e todas estão soltas.
Farron: VOCÊ DEIXOU ELES ESCAPAREM!?
Alanis: Eu não podia fazer nada! Eu não sei como derrotar essas coisas!
Farron: UGH!!! SUA ÍNUTIL! FRACA!
Farron amassou todo o papel até fazer uma bola... apenas pra jogar em mim logo depois.
Farron: VOCÊ É UMA FRACA COVARDE E SEMPRE FOI UMA FRACA COVARDE! Eu te dei uma simples missão e você só piorou a nossa situação!
Alanis: Eu...
Farron: Vá pra casa. Vá logo! Vá antes que eu me estresse mais!
Todos os bandidos começaram a me empurrar pra fora do esconderijo e fecharam a porta nas minhas costas. Não apenas estraguei tudo, também saí como uma covarde e fraca... sempre fui...
Distrito Baixo, Reino Strife
12:22
Voltei pra cidade chorando como uma fraca que sou e evitei o máximo de contato possível com todos. Do que adianta eu sempre tentar parecer forte e corajosa sendo que eu nunca fui? Isso tudo que vivi tem sido uma mentira e a Farron sabe disso, ela apenas me lembrou quem eu realmente sou.
Eu não sei como destruir aquelas coisas e nem sei se é possível. Se tudo depender de mim, meu reino vai virar cinzas sem duvida alguma.
Assim que entrei em casa, esfreguei os olhos e encontrei Fresh e Leon na cozinha. Tentei passar por eles sem me perceberem, mas Leon acabou me vendo e me chamando.
Leon: Alanis, você está bem?
Alanis: Sim... estou.
Leon: Você... você estava chorando?
Alanis: Não... apenas estava com dor nos olhos.
Leon: Seei... Enfim, conversou com sua irmã?
Alanis: Sim.
Leon: E?
Alanis: As informações que eu achei não serviram de nada.
Leon: Sério!? E o que vamos fazer?
Alanis: Eu não sei. Se me dá licença, eu não to afim de conversar agora, tá? Depois a gente conversa.
Leon: Uh... tá. Até depois então.
Subi as escadas até o meu quarto e me joguei na cama, pronta pra começar a chorar de novo como uma fraca. Eu não só estava machucada fisicamente, como sentimentalmente também. Eu estava assustada com aquelas coisas, minha mente estava cheia de duvidas e nem tinha ideia de como tentar achar respostas. O que aconteceu com meu reino? De onde que essas coisas vieram? Por que ainda continuo fingindo ser quem eu não sou? Tudo que eu queria era uma dica de onde começar... e meu pai pode ser uma ótima dica.
Alanis: Pai... O que aconteceu com você?
Se o campo não estivesse cheio dessas coisas também, adoraria ir até lá... droga, eu sou uma inútil! Eu sou uma inútil covarde e fraca! Sempre fui e sempre serei!
???: ELES ESTÃO INVADINDO!
Pude ouvir um grito vindo na rua debaixo. Ao olhar pela janela, vi... aquelas coisas. Eles estavam vindo em nossa direção... mas o que eu podia fazer além de ficar deitada e esperar pela morte?
Leon: Aquelas coisas estão nos atacando! Temos que ir.
Leon veio até meu quarto me chamar, mas eu não queria sair da cama de jeito algum.
Alanis: Vão indo, daqui a pouco estarei lá.
Leon: Se apresse.
Leon já foi em direção à batalha. Todos já devem estar lá, lutando com suas vidas pra proteger um lugar que eles nem conhecem... todos estão sacrificando suas vidas e apenas eu estou aqui, sendo uma inútil. Como eu odeio ser quem eu sou! Quer saber de uma coisa? Se eu for morrer, eu vou morrer lutando. Desde que completei meu treinamento, jurei lutar por Sunfall e não ser exatamente quem eu sou, uma inútil!
Meu sangue já estava fervendo de ódio próprio. De repente, pude sentir a marca da Sonne queimando em minha mão esquerda. Eu não sei o que era, mas podia sentir um imenso poder crescendo em mim.
Alanis: Eu não vou ficar aqui chorando como uma criança! Eu não vou deixar que Farron destrua tudo que eu construí pra mim mesma depois de tantos anos!
Com o sangue fervendo de ódio, peguei minha lança e meu cajado e saí de casa. Essa é minha terra natal e não deixarei que essas coisas destrua tudo que meus pais lutaram pra construir!
Assim que cheguei no distrito baixo, encontrei todos lutando com espadas, apenas Nita estava utilizando mágias. Suas chamas negras pareciam ter algum efeito nessas coisas, enquanto as espadas apenas arranhavam os corpos. Essa é a fraqueza deles!
Alanis: Garotos, me deêm licença!
Rapidamente, Leon, Fresh e André se afastaram de uma das criaturas. Concentrei toda minha energia em meu cajado e disparei um intenso relâmpago, destruindo em pedaços a criatura.
Leon: Eles são fracos contra fogo e eletricidade! Rápido, mudem de táticas!
Alanis: Quem conseguir conjurar mágias, quero que fiquem próximos!
Rapidamente, Eu, Leon, Gloria, Nita e Kathy nos unimos na entrada da cidade e atacamos com tudo que podiamos.
Leon, usando a Sky Blade, conjurou vários tornados de fogo que consumiam todas as criaturas que se aproximavam.
Kathy, utilizando suas mágias de suporte, aumentava nossos poderes emprestando os poderes dela.
Nita lançava várias bolas de chamas negras que destruíam rápidamente todos em que ela atingia.
Gloria, utilizando seu cajado, conjurava uma forte torrente de fogo.
Eu concentrei todo meu poder em apenas um único ataque. Quando senti que já não conseguia mais, lancei com meu cajado uma intensa tempestade de raios, destruindo todos as criaturas que estavam no campo. Finalmente a cidade estava segura novamente. Por algum motivo, todo aquele ódio se foi. Me sentia mais calma e a queimação já havia passado. É como se a própria Deusa tivesse me dado forças pra continuar a lutar...
Leon: Isso foi incrível!
Nita: Onde você aprendeu a fazer isso?!
Alanis: Queria saber também...
Gloria: Isso foi demais!
De repente, pude ouvir palmas atrás de mim. Ao me virar... lá estava ela.
Farron: Muito bem. Muito bem mesmo.
Alanis: Veio aqui só pra terminar de me colocar pra baixo?
Farron: Por que se importa tanto? Se você se diz forte, deve agir como tal. E não, eu não vim por isso. Não pude deixar de notar toda essa bagunça e precisava ver de perto.
Alanis: Por que você não nos ajudou!?
Farron: Pra ver se você serve de algo mesmo. Felizmente, serve. Te dou parabéns... por agora.
Alanis: Hm...
Como odeio minha irmã...
Farron: No mais, vim convidar vocês pra virem até meu castelo no topo da montanha. Tenho uma surpresa pra vocês.
Alanis: Agora?
Farron: Hm... Não, agora não. Quero todos vocês amanhã no meu castelo até as treze horas. Não se atrasem ou eu mudo de ideia.
De repente, ela desapareceu com sua imagem sendo levada pelo ar. Incoveniente... mas ao menos uma vez na vida ela foi legal.
Leon: Sua irmã é realmente um doce.
Alanis: Sem sarcasmo, tá? Vamos pra casa. Estou faminta.
Depois de uma manhã inteira de fracassos, finalmente algo bom. Hora de voltar pra casa e descansar... ou quase. Se eu não tiver outra queda de humor, com certeza poderei descansar.
A Antiga Alanis deve morrer pra sempre. Cansei de fingir ser durona e independente, farei isso ser minha realidade e minha pessoa, mesmo que isso demore, farei acontecer custe o que custar!
Próximo Capítulo
Criação de um Louco
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