~Legends Hunter~
A Lenda Eterna III - Outono Paradoxal
------------------- Capítulo 13: Alma Negra ---------------
Navio, Mar próximo ao continente Blacksoul
12:24
Narrativa: Alanis
Já havia se passado quatro dias desde que partimos do continente Greentouch em direção ao continente Blacksoul. Nós estocamos comida o suficiente pra, pelo menos, uma semana de viagem. O que não era esperado era que os garotos tinham uma fome gigantesca e estavam acabando com a comida mais rápido do que o esperado. Felizmente, já estavamos nos aproximando da terra firme.
Apesar do tédio e dos constantes enjoos, tudo parecia tranquilo. Todos jogavam conversa fora, jogavam cartas e faziam competições de pesca. Enquanto isso, eu ficava no leme, observando e cuidando pra que nosso navio chegasse inteiro. Alguém precisava fazer o trabalho pesado.
Após duas horas, já podia ver a terra firme ficando mais próxima. Estavamos indo em direção a um pântano cheio de árvores grandes e verdes. Não era o melhor lugar pra se parar, mas era melhor do que ficar mais algumas horas no mar. Melhor que isso, só indo pra outro continente.
Segui em direção pro interior do navio pra avisar todos, mas, enquanto corria, o navio pareceu ter batido em algo brevemente e me fez cair. Com o abalo, todos saíram do navio e vieram pra proa.
Leon: O que foi isso? Nós acertamos algo?
Alanis: Ah... Creio que não.
Me levantei calmamente e chequei o lado esquerdo do navio, percebi que algo havia quebrado uma pequena parte da madeira, mas daria pra seguir tranquilamente, apenas teriamos que ficar atentos.
Alanis: Não deve ter sido nada. Provavelmente só alguma pedra que não vi. Se puderem... WHOA!
De repente, todos nós caímos no chão com um outro impacto, porém mais forte, no lado esquerdo do navio. Me levantei do chão rapidamente e corri pra checar. O impacto causou um buraco razoavelmente grande no navio.
Camila: Mas o que diabos foi isso???
Alanis: Acho que algo bateu em nós, algo grande. Fiquem atentos e avisem...
Antes que pudesse terminar de falar, um tentáculo prateado se enrolou na proa e começou a balançar o navio e a esmaga-lo. Rapidamente, me segurei nas bordas do navio, enquanto os outros se seguravam onde podiam.
A Criatura balançava o navio com ódio, incansavelmente e com uma incrível força. Se eu não fizesse algo, todos nós iriamos encontrar a tal fera cara-a-cara no mar. Peguei meu cajado com uma mão, me segurando com a outra e lancei uma Adaga Relampago contra o tentáculo, o fazendo soltar o navio na hora e voltar pro mar. Rapidamente, me levantei do chão, peguei minha lança e corri pra proa.
Nita: O que era aquela coisa!? Era enorme!
Leon: Se armem, ele pode voltar.
Alanis: Aquilo vai voltar. Essa coisa não vai des...
De repente, o navio começou a ser erguido lentamente no ar por baixo. Eu sabia que ele iria voltar! Começamos a procurar a criatura por todos os cantos, mas ninguém tinha visão dele. Sem prévio aviso, o navio foi lançado com força em direção ao pântano. Não sei se isso seria bom ou ruim, apenas sabia que não iria terminar bem.
Alanis: SEGUREM-SE FIRME!
Rapidamente, todos nós nos seguramos em algo. Me segurei no leme com força enquanto o navio voava em alta velocidade em direção ao pântano. Enquanto isso, olhando brevemente, pra trás, pude ver a cabeça da criatura prateada com olhos vermelhos olhando diretamente pra mim. Aquela coisa não era normal.
Antes que pudesse terminar, nós batemos entre as árvores, onde tudo ficou escuro.
Pântano dos Vazios, Sudeste de Blacksoul
16:27
Acordei desesperada após a queda e tentei me mover rapidamente, mas, ao tentar sequer mover as costas, senti uma forte dor na perna direita, na coluna, na cintura e no braço direito. Não estaria surpresa se eu tivesse quebrado uns quinze ossos, mas não estaria nada feliz em saber disso também. Cada movimento minimo parecia uma facada... até que eu olhei pro meu peito esquerdo e pude ver claramente um galho atravessando minha cintura, me deixando pendurada no topo de uma árvore. QUE ÓTIMO!
Alanis: Mas que merda! Quanta sorte eu tenho!
Ao menos se eu não fosse morrer por sangramento, morreria de doenças.
Pude ver os destroços do navio próximo de onde estava. Estava partido ao meio com a parte traseira levantada e a da frente caída de pra baixo. Com sorte, alguém estaria vivo no meio de tudo.
Alanis: LEON, CAMILA, ANNA, ALGUÉM ME AJUDA!
Aguardei um pouco, mas não podia ouvir ninguém.
Alanis: ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR!... Droga, isso é inútil.
Usando minha mão boa, tentei me empurrar pra frente fazendo força contra a árvore, mas, assim que cheguei na metade do galho, ele se rompeu e cai de cara no chão, fazendo o galho sair pelas costas. Sentindo uma dor insuportável, rapidamente retirei o galho e sentei no chão com as mãos nos furos. Se eu não encontrasse alguém logo, iria morrer na certa.
???: ALANIS, CAMILA, LEON, CADÊ VOCÊS???
De repente, pude ouvir gritos da Kathy ao longe. Assim como eu, ela deveria estar com problemas também.
Alanis: KATHY, ONDE ESTÁ VOCÊ?
KATHY: PRECISO DE AJUDA!
Alanis: CONTINUE GRITANDO, EU VOU TE ACHAR!
Enquanto Kathy gritava coisas sem sentido, eu me levantei com muito esforço e comecei a seguir mancando a voz da Kathy tentando encontra-lá.
Atravessei os destroços do navio pra ver se encontrava alguém, mas não havia nada. Eles já devem ter seguido ou devem ter sido arremessados muito longe.
Alanis: Droga, eles não estão aqui. Merda!
Kathy: ALANIS!
Alanis: EU ESTOU INDO!
Continuei andando pelo pântano até encontrar Kathy sentada em um galho no topo de uma árvore encima de um lago com dois crocodilos famintos por carne de fada.
Alanis: Kathy, voe pra longe!
Kathy: Eu não consigo! Minhas asas quebraram na queda. Você acha que eu já não teria feito isso!?
Alanis: Droga. Se acalme, vou tentar tirar eles daí.
Kathy: Tenha cuidado!
Coloquei minha mão nas costas e puxei minha lança... ou metade dela.
Alanis: Ah, que ótimo. Era só o que precisava.
Minha lança deve ter partido ao meio com o impacto. Ao menos a parte que ficou era a parte afiada.
Entrei cuidadosamente no lago e perfurei a cabeça de um crocodilo com minha lança. Mas, ao tentar me levantar novamente, acabei desequilibrando e caí dentro do lago, soltando a lança que também caiu no lago. O Crocodilo veio na minha direção enquanto eu procurava a minha lança no meio daquela água suja. Assim que ele ia me agarrar, achei minha lança e atravessei sua boca de baixo pra cima, retirei e depois finalizei perfurando no meio dos seus olhos. Assim que acabou, Kathy planou até a terra firme e me puxou pelas pernas pra fora do lago.
Alanis: UGHHHH! QUE NOJO!
Kathy: Muito obrigada pela ajuda.
Alanis: É Bom agradecer mesmo. Ugh, estou ensopada de água suja!
Kathy: Você não parece estar bem. O que aconteceu?
Alanis: Um galho me atravessou. Precisamos achar uma vila ou uma cidade rápido.
Kathy: Calma, eu posso cuidar disso.
Usando suas mãos curativas, Kathy regenerou os ferimentos e os ossos quebrados, me deixando inteira novamente. Não é hoje que vou morrer de doenças.
Alanis: Obrigada.
Kathy: É o minimo que posso fazer. Você encontrou os outros?
Alanis: Não. Precisamos acha-los rápido.
Kathy: Eu vou te acompanhar. Não quero ficar aqui sozinha.
Kathy se encolheu e pulou no meu ombro. Juntas, nós seguimos em frente ao pântano procurando os outros.
O Pântano sempre tinha aquela sua caracteristica cor podre que todo o pântano poderia ter, com várias árvores mortas e muitas crescendo da lama. Porém, após quase oito minutos seguindo ao norte (eu acho), podiamos notar que as árvores estavam mudando de várias formas. Algumas eram mais verdes que as outras, algumas eram escuras demais, e outras eram gigantes e tinham buracos enormes ocos. As coisas mudaram estranhamente por aqui.
Kathy: Eu nunca vi árvores assim.
Alanis: Eu também.
Kathy: Poderia ser alguma coisa na água?
Alanis: Não acho que água faça tantas mudanças assim.
De repente, ouvimos algo se mexendo a nossa esquerda mas, quando olhamos, não havia nada além de árvores. Não havia como alguém se esconder, pois hávia pouquissimo mato e alguém poderia ser facilmente comido por um crocodilo nas águas.
Alanis: Hm... deve ter sido o vento.
Assim que comecei a andar novamente, pude ouvir novamente algo se mexendo, mas não parecia ser sons de passos. Era como se algo grande estivesse tentando andar com os pés presos na terra. Quando olhamos, ainda não havia nada.
Alanis: Mas que droga é essa? De onde veio esse som?
Kathy: Eu não sei. Eu também ouvi, mas não vejo nada.
Alanis: Se incomodaria em cuidar das costas?
Kathy: Sem problemas!
Voltei a caminhar enquanto Kathy permanecia olhando pra trás, até que ela começou a me cutucar.
Kathy: Ali!
Assim que olhei pra trás, ainda não via nada.
Alanis: Ali o que? Onde?
Kathy: Ali!
Kathy começou a apontar pra uma árvore verde próximo à um lago.
Alanis: Tem alguém atrás daquela árvore?
Kathy: Não, eu vi a árvore se mexendo!
Alanis: O que? Do que está falando?
Kathy: Eu juro, eu vi a árvore se mexendo!
Alanis: Hm... Estranho, mas tudo bem. Não creio que consiga nos alcançar. Vamos continuar.
Kathy: Certo. Fique longe dessas árvores.
Quando me virei vi que havia várias árvores verdes iguais a aquela no caminho todo. Só espero que não tenham essa mesma caracteristica...
Após mais cinco minutos caminhando pelo pântano, finalmente saímos da parte mais suja e entramos em uma floresta de árvores longas cheias de buracos e com folhas que quase não permitiam entrada do sol.
Kathy: O que é esse lugar?
Alanis: É tudo tão estranho aqui. Não me sinto nada confortável por aqui.
Kathy: Eu muito menos.
Alanis: Se importa se eu acelerar um pouco? Realmente não quero ficar aqui por muito tempo.
Kathy: Apenas vá. Eu também não quero.
Comecei a acelerar o passo seguindo uma trilha de terra na esperança de levar pra qualquer lugar fora dessa floresta. O desconforto que sentia era enorme, como se algo pudesse surgir a qualquer momento de todos os cantos. Nem as árvores eram confiáveis. Desarmada em um lugar estranho e sem luz é pouco provável a sobrevivência.
Após alguns poucos minutos, podiamos ouvir barulhos estranhos vindo de dentro de algumas árvores. Comecei a acelerar ainda mais meus passos quase correndo. Até que, de repente, um dardo passou próximo de mim e acertou o chão a minha frente.
Alanis: Mas que...
Olhei pra trás rapidamente e não via ninguém. Mas, ao olhar pra cima, pude ver vários homens de madeira (Homoroots) no topo das árvores segurando zarabatanas na minha direção.
Alanis: Eu sabia que esse lugar ia tentar algo!
Antes, que pudessem me atingir, eu peguei meu cajado... espera... CADÊ!?
Alanis: ONDE ESTÁ MEU CAJADO???
Aquela porcaria deve ter caído em algum canto quando o navio bateu. Agora eu estou sem minha lança e sem meu cajado. ÓTIMO!
Alanis: Se segura firme, Kathy!
Como meu plano fracassou completamente, apenas decidi correr o mais rápido possível pra evitar aquelas coisas.
Por mais rápida que eu podia ser, os Homoroots persistiam em continuar me seguindo e atirando dardos. Comecei a correr em zigue-zague passando pelas árvores. Em alguns momentos, Kathy até lançou alguns raios de luz nos Homoroots, mas mal surtia efeito.
Kathy: Como vamos despistar essas coisas?!
Alanis: Assim que acharmos a saída.
Kathy: Mas isso pode demorar horas!
Alanis: Então é aqui que morreremos.
Continuamos a correr frenéticamente até encontrarmos uma parede de pedra natural. Comecei a seguir ela pra ver até onde dava, até que chegamos em um portão de madeira. A nossa saída! Sem pensar duas vezes, dei um forte empurrão com o ombro e fechei o portão. Finalmente saímos daquele inferno!
Alanis: Finalmente... ufa...
Kathy: Pensei que era o nosso fim.
Alanis: Não hoje, minha amiga... não hoje.
Com a vista um pouco embaçada pelo cansaço e suor, eu ainda não conseguia ver o que havia adiante, mas preferi me sentar um pouco e descansar antes de avançar.
Alanis: Ufa... espero nunca mais ter que entrar ali. Estou exausta. Quero me deitar e dormir.
Kathy: Acho que deveriamos voltar.
Alanis: ... Não teste minha paciência.
Kathy: Não estou testando. Cadê os outros? Eles devem ter ficado pra trás!
Alanis: Não vimos ninguém durante o caminho todo. Não duvidaria que eles já tenham indo pra alguma cidade e nos abandonaram lá.
Kathy: Eles não fariam isso... fariam?
Alanis: Pro bem deles, espero que não.
Por que eles iriam nos deixar pra trás? Isso não me faz sentido... mas sinceramente, não descarto essa possibilidade. Pode ser coisa da minha cabeça, só precisava deitar um pouco e descansar.
Após alguns minutos deitada, podia me sentir mais revigorada e podia seguir em frente.
A primeira coisa que vi assim que me levantei a abri os olhos era um caminho de terra levando pra uma subida no meio de duas paredes de pedras naturais. Assim que subimos, tive uma visão do que havia pela frente...
Alanis: Então era isso... Eu lembro desse lugar.
Kathy: Isso... Isso é incrível!
Paramos no topo da subida e tivemos a visão da cidade montanhosa, o Reino Strife, minha terra natal. Um reino construído em uma montanha que vai do chão até o topo. A Vista de longe parecia ser linda, podendo ver luzes, várias casas de pedra e algumas de madeira e palha e toda a montanha pra enfeitar. Mas, na minha cabeça, eu só via desgraça e o fedor de urina de rato. Eu não tenho boas recordações desse lugar. Ao oeste, um reino em decadência; ao leste, um vasto campo verde com vários rochas grandes que levam direto ao mar; ao norte, a Torre Carcerária Strife, próxima ao Vale Real. Blacksoul é um lugar e tanto.
Kathy: Vamos pra cidade! Talvez eles já estejam lá!
Alanis: Então... Eu não...
Eu quero passar longe daquele lugar. Se eu tivesse opção entre ir pro campo ou ir pra Strife, eu definitivamente escolheria o campo. Mas creio que não estou em posição de escolher no momento.
Alanis: Certo, vamos pra lá.
Mas que inferno!
Reino Strife, Blacksoul
17:06
Nós descemos o morro indo em direção ao Reino Strife. O caminho não era tão longo, só precisamos atravessar algumas árvores e um campo e já estavamos no pé da montanha e na entrada do reino. Havia um caminho de pedra na nossa frente que levava montanha acima e de casa em casa. Também à nossa frente, havia um pequeno bar com alguns bebados do lado de fora. Cheiro de pinga pra acompanhar o cheiro de urina.
Kathy: Uau... esse lugar é tão... tão... Qual era a palavra mesmo?
Alanis: Horrível?
Kathy: Majestoso!
Eu esperava que as fadas fossem mais espertas. Tenho um caso raro bem do meu lado.
Alanis: É, se você diz.
De repente, pude ver uma mulher, ruiva, branca e vestindo uma blusa rosa saindo de uma farmácia e subindo a montanha.
Alanis: Stacy!
Kathy: Quem?
Rapidamente, corri montanha acima tentando alcançar Stacy. Mas, assim que ela me viu, ela começou a correr fugindo de mim.
Alanis: Por que ela está fugindo? EI, STACY, SOU EU!
Stacy: FIQUE LONGE DE MIM!
Ela começou a correr ainda mais rápido indo pra sua mansão no ponto medio da montanha e se trancou lá. Eu corri atrás e comecei a bater na porta.
Stacy: SAIA DA MINHA CASA!
Alanis: Eu nem estou em sua casa! Me deixe entrar, preciso de sua ajuda.
Stacy: EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ME ROUBAR!
Kathy: Do que ela está falando?
Alanis: Queria entender também.
Stacy: DESAPARECE LOGO!
Alanis: Stacy, sou eu, Alanis.
Stacy: Alanis...?
Stacy lentamente abriu a porta acorrentada e olhou pra mim desconfiada.
Stacy: Alanis?
Alanis: Conhece outra?
Rapidamente, Stacy abriu a porta e me puxou pra dentro, trancando novamente logo em seguida.
Alanis: Por que você...
De repente, ela me deu um abraço apertado, prendendo meus braços. Por mais que eu sentia falta dela, não consegui esconder o leve desgosto por abraços.
Stacy: Eu senti tanto sua falta, sua idiota!
Alanis: É, é, é. Agora pode me soltar, por favor?
Stacy: Ah... claro.
Rapidamente, ela me soltou e podia respirar novamente.
Alanis: Obrigada. Por que você fugiu de mim?
Stacy: Eu não vi que era você. Achei que era algum ladrão. Você está tão... diferente. A Vida em
Greentouch realmente te mudou.
Alanis: É, foi uma maravilha comparado ao tempo que tive aqui.
Stacy: Ainda guarda raiva de sua terra natal?
Alanis: Por causa de todos os problemas desse lugar? Não não, imagina.
Stacy: Ainda continua sarcástica. O que te traz de volta?
Alanis: Bem... é uma longa história. Vou direto ao que interessa, tá?
Stacy: Tudo bem.
Alanis: Por acaso você viu alguns rostos novos vindo pra cá?
Stacy ficou pensativa tentando lembrar.
Stacy: Acho que eu vi. Não tenho certeza.
Alanis: O que você viu?
Stacy: Bem, eu vi um mendigo com roupas elegantes e um gato com um braço estranho algumas horas atrás.
Leon e Fresh. Perguntei pra pessoa certa.
Alanis: Obrigada Deusa! Pra onde eles foram?
Stacy: Bem, eu os vi indo pro oeste.
Alanis:Oeste?
Stacy: Sim, onde fica a caverna que leva pra antiga vila na beira do mar.
Alanis: Ah, ao sul você quis dizer.
Stacy: É, acho que sim. Nunca fui boa com direções.
Alanis: Percebe-se.
Stacy: Mas enfim. Por que a pergunta?
Alanis: Preciso busca-los. Sem querer abusar, mas eu poderia deixar eles aqui?
Stacy apenas encolheu e fez um sinal de "não" com a cabeça.
Alanis: Por favor!
Stacy: Eu não quero mendigos na minha casa!
Alanis: Eles não são mendigos! Eles estão protegendo outras rainhas que também estão juntas.
Stacy: Rainhas?
Alanis: Rainha Anna e a Princesa Camila estão com eles.ç
Stacy: A Rainha? Por que ela iria se juntar a esses mendigos?
Minha única reação foi suspirar. Garota estupida.
Alanis: Eu posso ou não?
Stacy: Hm... Tá, pode. Contanto que você cuide deles. Só deixo porque a rainha tá com eles.
Alanis: Muito obrigada! Eu volto logo logo.
Stacy: Tome cuidado!
Destranquei a porta da mansão e corri junto com a Kathy montanha abaixo. Assim que cheguei no pé da montanha, já conseguia ver a caverna próxima do morro de onde viemos.
Alanis: Ali estão os idiotas. Vamos lá.
Nós corremos em direção a caverna, onde vimos todos sentados em volta de uma fogueira. Levou dois minutos pra chegar próximo da caverna e eles finalmente notarem. Mais precisamente, o Leon. Ele se levantou rapidamente e começou a correr na minha direção pronto pra me abraçar.
Leon: ALANIS!
Alanis: LEON!!!
Não demorou pra lembrar que me deixaram pra trás e rapidamente me enfureci só de ver eles ali, parados, fazendo nada.
Assim que Leon se aproximou pra me abraçar, eu chutei seu estomago e o empurrei no chão. Logo depois, o agarrei pelo pescoço.
Alanis: POR QUE DIABOS VOCÊS NOS DEIXARAM PRA TRÁS?! QUAL É A BOSTA DO PROBLEMA DE VOCÊS???
Leon: DESCULPAAAaaghggh
Instintivamente, comecei a estrangular o Leon, até que a Camila se aproximou e me fez o soltar.
Camila: Alanis, acalme-se!
Alanis: Me acalmar? ME ACALMAR?! VOCÊS ME DEIXARAM PRA MORRER!
Leon: Nós achamos que você já estava morta!
Camila: Nós tentamos te tirar, mas você não reagia e umas coisas estranhas começaram a nos perseguir.
Kathy: MAS E EU? POR QUE ME DEIXARAM LÁ?
Leon: Eu não consegui te achar. Nos desculpem.
Alanis e Kathy: Hmm... Por agora. Mas que não se repita de novo.
Alanis: Seus idiotas.
Camila: Bem, vai se juntar a nós?
Alanis: Não. Vim tirar vocês daqui. Arrumei alguém que pode nos ajudar.
Camila: Sério? Com quem?
Alanis: A Stacy concordou em nos deixar ficar na mansão dela.
Camila apenas levantou a cabeça e revirou os olhos.
Camila: Uugghhh. Sério? Ela? Aquela garota é estupida.
Leon: Quem é Stacy?
Camila: Uma idiota naqual Alanis tem amizade... por algum motivo.
Alanis: Olha, ela pode até ser meio idiota, mas ela é uma boa pessoa e é o que temos no momento. Preferem ficar em uma mansão ou passar dias de baixo de uma caverna?
Fresh: Ela está certa.
Nita: Não temos muita escolha. E eu não quero ficar nesse lugar abandonado.
Camila: Hm... Certo, nós vamos.
Alanis: Ótimo. Me sigam.
Todos que estavam próximos da fogueira se levantaram lentamente e começaram a nós seguir enquanto nós voltavámos pro Reino Strife.
No meio do caminho, nós fomos surpreendidos por um trio de ladrões mascarados segurando cimitarras em suas mãos.
Ladrão um: Ei ei ei, onde pensam que vão?
Ladrão três: Por acaso se perderam?
Ladrâo dois: Se perder por aqui não é muito legal.
Alanis: Suma do nosso caminho.
Leon: Vocês mexeram com as pessoas erradas.
Ladrão três: Oh, eles pensam que são durões. Vamos dar um...
Sem pensar duas vezes, dei um soco direto no rosto de um dos ladrões, o apagando na hora.
Alanis: Eu não tenho tempo pra essa palhaçada.
Ladrão um: Sua vadia!
Um dos ladrões veio na minha direção com suas cimitarras em mãos pronto pra me atacar, mas segurei suas mãos, lhe dei uma cabeçada, peguei sua cimitarra e cortei seu pescoço, o fazendo cair agonizando e sangrando.
O ultimo ladrão tentou fugir horrorizado, mas Fresh o matou na hora com um tiro na cabeça.
Fresh: Patético.
Alanis: Ladrões... escória da nossa existência.
Me abaixei e comecei a analisar suas roupas. Ao mesmo tempo que eu nunca havia as visto, ainda era um tanto familiares... O que estou tentando encontrar afinal? Essa terra é feita de ladrões.
Alanis: Hm. Inuteis. Vamos continuar.
Agora sem interrupções, continuamos nosso caminho indo em direção à mansão. Assim que chegamos no pé da montanha, presenciamos um bêbado sendo arremessado pra fora do bar por um homem.
Nita: Esse é o lugar que vamos ficar?
Helo: A Caverna parecia ser mais agradável.
Alanis: Olha, não é bonito e nem confortável, mas ao menos é o mais perto que vamos chegar de um lugar civilizado... ou quase.
Continuamos a subir a montanha até chegar na mansão. Assim que chegamos, Stacy abriu a porta e bloqueou nossa passagem.
Stacy: Então... é todo esse pessoal que você vai enfiar na minha casa?
Alanis: Sim.
Stacy: Hm... Desde quando você virou ajudante de moradores de rua?
Nita: O que ela acabou de dizer?
Camila: Quem você está chamando de morador de rua?!
Nita e Camila tentaram pegar Stacy, mas as parei antes que matassem ela de socos.
Alanis: Podemos?
Stacy: Hm... Pode. Só não esquece do que falei. O que eles fizerem, a culpa é sua.
Alanis: Tá.
Stacy saiu da frente da porta e entrou na sua casa. Nós entramos logo em seguida e o grupo se dispersou, indo cada um pra um canto da mansão. Eu segui Stacy até o segundo andar e a encontrei parada em um corredor de frente com a escada.
Alanis: Obrigada por nos deixar ficar.
Stacy: Hm... Sem problemas. Mas por que logo minha casa?
Alanis: Porque você teve a infelicidade de estar na rua e no meu campo de visão.
Stacy: Droga!
Alanis: Escuta, por que você está tão nojenta assim? Qual é o problema de ajudar uma antiga amiga? Caso não tenha percebido, esse pessoal que você chamou de "moradores de rua" são gente importante. Rainhas e guerreiros que já fizeram mais do que você fez em toda sua vida.
Stacy: Como você ousa falar assim comigo na minha própria casa?!
Alanis: Como VOCÊ ousa chamar quatro rainhas e vários guerreiros de moradores de rua e trata-los como lixo? Tenha mais consciência e respeito antes de abrir sua boca.
Stacy: Hm... Tá certo, desculpa pelo o que disse.
Alanis: É o minimo que pode fazer. Adoraria mesmo que mudasse mais sua atitude.
Stacy: Veio pra me deixar mal? Porque está conseguindo.
Alanis: Se "deixar mal" é colocar consciência na sua cabeça, então sim, eu vim.
Stacy: Hmph.
Alanis: E também preciso saber onde fica o banheiro e se tem roupas sobrando.
Stacy: Nem isso vocês trouxeram?
Alanis: ... Stacy, nós só estamos do jeito que estamos porque somos sobreviventes de um acidente. Se não fosse por isso, com certeza eu nem estaria te incomodando agora. Então, você tem ou...
Stacy: Tenho, tenho. Tenho algumas caixas no porão com algumas roupas velhas. Se servirem em vocês, podem usar. Eu ia me livrar delas mesmo. O Banheiro fica no fim do corredor.
Alanis: Obrigada.
Stacy: Tenho um quarto nos fundos que foi feito pra convidados. Podem dormir lá.
Alanis: Obrigada.
Stacy: Só pra garantir que não vou ter que ouvir mais nada, já vou indo dormir. Vejo vocês amanhã.
Stacy entrou numa porta à esquerda e se fechou lá dentro. Garota estupida.
Depois de um longo dia cansativo e estressante, tudo que eu precisava era de um banho e uma noite de sono. Já deu demais pra mim por hoje.
Peguei algumas roupas no porão, tirei um pouco da poeira que estava e fui tomar um banho. Por sorte, o banheiro dela havia chuveiro. Não esperava esse tipo de tecnologia alcançar esse buraco de rato.
Após um bom banho quente e relaxante, coloquei minha nova roupa, segui em direção ao dormitório que estava em uma casa separada nos fundos da mansão e fui dormir sem nem esperar os outros. Boa noite.
Próximo Capitulo: Conflitos Familiares
A Lenda Eterna III - Outono Paradoxal
------------------- Capítulo 13: Alma Negra ---------------
Navio, Mar próximo ao continente Blacksoul
12:24
Narrativa: Alanis
Já havia se passado quatro dias desde que partimos do continente Greentouch em direção ao continente Blacksoul. Nós estocamos comida o suficiente pra, pelo menos, uma semana de viagem. O que não era esperado era que os garotos tinham uma fome gigantesca e estavam acabando com a comida mais rápido do que o esperado. Felizmente, já estavamos nos aproximando da terra firme.
Apesar do tédio e dos constantes enjoos, tudo parecia tranquilo. Todos jogavam conversa fora, jogavam cartas e faziam competições de pesca. Enquanto isso, eu ficava no leme, observando e cuidando pra que nosso navio chegasse inteiro. Alguém precisava fazer o trabalho pesado.
Após duas horas, já podia ver a terra firme ficando mais próxima. Estavamos indo em direção a um pântano cheio de árvores grandes e verdes. Não era o melhor lugar pra se parar, mas era melhor do que ficar mais algumas horas no mar. Melhor que isso, só indo pra outro continente.
Segui em direção pro interior do navio pra avisar todos, mas, enquanto corria, o navio pareceu ter batido em algo brevemente e me fez cair. Com o abalo, todos saíram do navio e vieram pra proa.
Leon: O que foi isso? Nós acertamos algo?
Alanis: Ah... Creio que não.
Me levantei calmamente e chequei o lado esquerdo do navio, percebi que algo havia quebrado uma pequena parte da madeira, mas daria pra seguir tranquilamente, apenas teriamos que ficar atentos.
Alanis: Não deve ter sido nada. Provavelmente só alguma pedra que não vi. Se puderem... WHOA!
De repente, todos nós caímos no chão com um outro impacto, porém mais forte, no lado esquerdo do navio. Me levantei do chão rapidamente e corri pra checar. O impacto causou um buraco razoavelmente grande no navio.
Camila: Mas o que diabos foi isso???
Alanis: Acho que algo bateu em nós, algo grande. Fiquem atentos e avisem...
Antes que pudesse terminar de falar, um tentáculo prateado se enrolou na proa e começou a balançar o navio e a esmaga-lo. Rapidamente, me segurei nas bordas do navio, enquanto os outros se seguravam onde podiam.
A Criatura balançava o navio com ódio, incansavelmente e com uma incrível força. Se eu não fizesse algo, todos nós iriamos encontrar a tal fera cara-a-cara no mar. Peguei meu cajado com uma mão, me segurando com a outra e lancei uma Adaga Relampago contra o tentáculo, o fazendo soltar o navio na hora e voltar pro mar. Rapidamente, me levantei do chão, peguei minha lança e corri pra proa.
Nita: O que era aquela coisa!? Era enorme!
Leon: Se armem, ele pode voltar.
Alanis: Aquilo vai voltar. Essa coisa não vai des...
De repente, o navio começou a ser erguido lentamente no ar por baixo. Eu sabia que ele iria voltar! Começamos a procurar a criatura por todos os cantos, mas ninguém tinha visão dele. Sem prévio aviso, o navio foi lançado com força em direção ao pântano. Não sei se isso seria bom ou ruim, apenas sabia que não iria terminar bem.
Alanis: SEGUREM-SE FIRME!
Rapidamente, todos nós nos seguramos em algo. Me segurei no leme com força enquanto o navio voava em alta velocidade em direção ao pântano. Enquanto isso, olhando brevemente, pra trás, pude ver a cabeça da criatura prateada com olhos vermelhos olhando diretamente pra mim. Aquela coisa não era normal.
Antes que pudesse terminar, nós batemos entre as árvores, onde tudo ficou escuro.
Pântano dos Vazios, Sudeste de Blacksoul
16:27
Acordei desesperada após a queda e tentei me mover rapidamente, mas, ao tentar sequer mover as costas, senti uma forte dor na perna direita, na coluna, na cintura e no braço direito. Não estaria surpresa se eu tivesse quebrado uns quinze ossos, mas não estaria nada feliz em saber disso também. Cada movimento minimo parecia uma facada... até que eu olhei pro meu peito esquerdo e pude ver claramente um galho atravessando minha cintura, me deixando pendurada no topo de uma árvore. QUE ÓTIMO!
Alanis: Mas que merda! Quanta sorte eu tenho!
Ao menos se eu não fosse morrer por sangramento, morreria de doenças.
Pude ver os destroços do navio próximo de onde estava. Estava partido ao meio com a parte traseira levantada e a da frente caída de pra baixo. Com sorte, alguém estaria vivo no meio de tudo.
Alanis: LEON, CAMILA, ANNA, ALGUÉM ME AJUDA!
Aguardei um pouco, mas não podia ouvir ninguém.
Alanis: ALGUÉM ME AJUDA, POR FAVOR!... Droga, isso é inútil.
Usando minha mão boa, tentei me empurrar pra frente fazendo força contra a árvore, mas, assim que cheguei na metade do galho, ele se rompeu e cai de cara no chão, fazendo o galho sair pelas costas. Sentindo uma dor insuportável, rapidamente retirei o galho e sentei no chão com as mãos nos furos. Se eu não encontrasse alguém logo, iria morrer na certa.
???: ALANIS, CAMILA, LEON, CADÊ VOCÊS???
De repente, pude ouvir gritos da Kathy ao longe. Assim como eu, ela deveria estar com problemas também.
Alanis: KATHY, ONDE ESTÁ VOCÊ?
KATHY: PRECISO DE AJUDA!
Alanis: CONTINUE GRITANDO, EU VOU TE ACHAR!
Enquanto Kathy gritava coisas sem sentido, eu me levantei com muito esforço e comecei a seguir mancando a voz da Kathy tentando encontra-lá.
Atravessei os destroços do navio pra ver se encontrava alguém, mas não havia nada. Eles já devem ter seguido ou devem ter sido arremessados muito longe.
Alanis: Droga, eles não estão aqui. Merda!
Kathy: ALANIS!
Alanis: EU ESTOU INDO!
Continuei andando pelo pântano até encontrar Kathy sentada em um galho no topo de uma árvore encima de um lago com dois crocodilos famintos por carne de fada.
Alanis: Kathy, voe pra longe!
Kathy: Eu não consigo! Minhas asas quebraram na queda. Você acha que eu já não teria feito isso!?
Alanis: Droga. Se acalme, vou tentar tirar eles daí.
Kathy: Tenha cuidado!
Coloquei minha mão nas costas e puxei minha lança... ou metade dela.
Alanis: Ah, que ótimo. Era só o que precisava.
Minha lança deve ter partido ao meio com o impacto. Ao menos a parte que ficou era a parte afiada.
Entrei cuidadosamente no lago e perfurei a cabeça de um crocodilo com minha lança. Mas, ao tentar me levantar novamente, acabei desequilibrando e caí dentro do lago, soltando a lança que também caiu no lago. O Crocodilo veio na minha direção enquanto eu procurava a minha lança no meio daquela água suja. Assim que ele ia me agarrar, achei minha lança e atravessei sua boca de baixo pra cima, retirei e depois finalizei perfurando no meio dos seus olhos. Assim que acabou, Kathy planou até a terra firme e me puxou pelas pernas pra fora do lago.
Alanis: UGHHHH! QUE NOJO!
Kathy: Muito obrigada pela ajuda.
Alanis: É Bom agradecer mesmo. Ugh, estou ensopada de água suja!
Kathy: Você não parece estar bem. O que aconteceu?
Alanis: Um galho me atravessou. Precisamos achar uma vila ou uma cidade rápido.
Kathy: Calma, eu posso cuidar disso.
Usando suas mãos curativas, Kathy regenerou os ferimentos e os ossos quebrados, me deixando inteira novamente. Não é hoje que vou morrer de doenças.
Alanis: Obrigada.
Kathy: É o minimo que posso fazer. Você encontrou os outros?
Alanis: Não. Precisamos acha-los rápido.
Kathy: Eu vou te acompanhar. Não quero ficar aqui sozinha.
Kathy se encolheu e pulou no meu ombro. Juntas, nós seguimos em frente ao pântano procurando os outros.
O Pântano sempre tinha aquela sua caracteristica cor podre que todo o pântano poderia ter, com várias árvores mortas e muitas crescendo da lama. Porém, após quase oito minutos seguindo ao norte (eu acho), podiamos notar que as árvores estavam mudando de várias formas. Algumas eram mais verdes que as outras, algumas eram escuras demais, e outras eram gigantes e tinham buracos enormes ocos. As coisas mudaram estranhamente por aqui.
Kathy: Eu nunca vi árvores assim.
Alanis: Eu também.
Kathy: Poderia ser alguma coisa na água?
Alanis: Não acho que água faça tantas mudanças assim.
De repente, ouvimos algo se mexendo a nossa esquerda mas, quando olhamos, não havia nada além de árvores. Não havia como alguém se esconder, pois hávia pouquissimo mato e alguém poderia ser facilmente comido por um crocodilo nas águas.
Alanis: Hm... deve ter sido o vento.
Assim que comecei a andar novamente, pude ouvir novamente algo se mexendo, mas não parecia ser sons de passos. Era como se algo grande estivesse tentando andar com os pés presos na terra. Quando olhamos, ainda não havia nada.
Alanis: Mas que droga é essa? De onde veio esse som?
Kathy: Eu não sei. Eu também ouvi, mas não vejo nada.
Alanis: Se incomodaria em cuidar das costas?
Kathy: Sem problemas!
Voltei a caminhar enquanto Kathy permanecia olhando pra trás, até que ela começou a me cutucar.
Kathy: Ali!
Assim que olhei pra trás, ainda não via nada.
Alanis: Ali o que? Onde?
Kathy: Ali!
Kathy começou a apontar pra uma árvore verde próximo à um lago.
Alanis: Tem alguém atrás daquela árvore?
Kathy: Não, eu vi a árvore se mexendo!
Alanis: O que? Do que está falando?
Kathy: Eu juro, eu vi a árvore se mexendo!
Alanis: Hm... Estranho, mas tudo bem. Não creio que consiga nos alcançar. Vamos continuar.
Kathy: Certo. Fique longe dessas árvores.
Quando me virei vi que havia várias árvores verdes iguais a aquela no caminho todo. Só espero que não tenham essa mesma caracteristica...
Após mais cinco minutos caminhando pelo pântano, finalmente saímos da parte mais suja e entramos em uma floresta de árvores longas cheias de buracos e com folhas que quase não permitiam entrada do sol.
Kathy: O que é esse lugar?
Alanis: É tudo tão estranho aqui. Não me sinto nada confortável por aqui.
Kathy: Eu muito menos.
Alanis: Se importa se eu acelerar um pouco? Realmente não quero ficar aqui por muito tempo.
Kathy: Apenas vá. Eu também não quero.
Comecei a acelerar o passo seguindo uma trilha de terra na esperança de levar pra qualquer lugar fora dessa floresta. O desconforto que sentia era enorme, como se algo pudesse surgir a qualquer momento de todos os cantos. Nem as árvores eram confiáveis. Desarmada em um lugar estranho e sem luz é pouco provável a sobrevivência.
Após alguns poucos minutos, podiamos ouvir barulhos estranhos vindo de dentro de algumas árvores. Comecei a acelerar ainda mais meus passos quase correndo. Até que, de repente, um dardo passou próximo de mim e acertou o chão a minha frente.
Alanis: Mas que...
Olhei pra trás rapidamente e não via ninguém. Mas, ao olhar pra cima, pude ver vários homens de madeira (Homoroots) no topo das árvores segurando zarabatanas na minha direção.
Alanis: Eu sabia que esse lugar ia tentar algo!
Antes, que pudessem me atingir, eu peguei meu cajado... espera... CADÊ!?
Alanis: ONDE ESTÁ MEU CAJADO???
Aquela porcaria deve ter caído em algum canto quando o navio bateu. Agora eu estou sem minha lança e sem meu cajado. ÓTIMO!
Alanis: Se segura firme, Kathy!
Como meu plano fracassou completamente, apenas decidi correr o mais rápido possível pra evitar aquelas coisas.
Por mais rápida que eu podia ser, os Homoroots persistiam em continuar me seguindo e atirando dardos. Comecei a correr em zigue-zague passando pelas árvores. Em alguns momentos, Kathy até lançou alguns raios de luz nos Homoroots, mas mal surtia efeito.
Kathy: Como vamos despistar essas coisas?!
Alanis: Assim que acharmos a saída.
Kathy: Mas isso pode demorar horas!
Alanis: Então é aqui que morreremos.
Continuamos a correr frenéticamente até encontrarmos uma parede de pedra natural. Comecei a seguir ela pra ver até onde dava, até que chegamos em um portão de madeira. A nossa saída! Sem pensar duas vezes, dei um forte empurrão com o ombro e fechei o portão. Finalmente saímos daquele inferno!
Alanis: Finalmente... ufa...
Kathy: Pensei que era o nosso fim.
Alanis: Não hoje, minha amiga... não hoje.
Com a vista um pouco embaçada pelo cansaço e suor, eu ainda não conseguia ver o que havia adiante, mas preferi me sentar um pouco e descansar antes de avançar.
Alanis: Ufa... espero nunca mais ter que entrar ali. Estou exausta. Quero me deitar e dormir.
Kathy: Acho que deveriamos voltar.
Alanis: ... Não teste minha paciência.
Kathy: Não estou testando. Cadê os outros? Eles devem ter ficado pra trás!
Alanis: Não vimos ninguém durante o caminho todo. Não duvidaria que eles já tenham indo pra alguma cidade e nos abandonaram lá.
Kathy: Eles não fariam isso... fariam?
Alanis: Pro bem deles, espero que não.
Por que eles iriam nos deixar pra trás? Isso não me faz sentido... mas sinceramente, não descarto essa possibilidade. Pode ser coisa da minha cabeça, só precisava deitar um pouco e descansar.
Após alguns minutos deitada, podia me sentir mais revigorada e podia seguir em frente.
A primeira coisa que vi assim que me levantei a abri os olhos era um caminho de terra levando pra uma subida no meio de duas paredes de pedras naturais. Assim que subimos, tive uma visão do que havia pela frente...
Alanis: Então era isso... Eu lembro desse lugar.
Kathy: Isso... Isso é incrível!
Paramos no topo da subida e tivemos a visão da cidade montanhosa, o Reino Strife, minha terra natal. Um reino construído em uma montanha que vai do chão até o topo. A Vista de longe parecia ser linda, podendo ver luzes, várias casas de pedra e algumas de madeira e palha e toda a montanha pra enfeitar. Mas, na minha cabeça, eu só via desgraça e o fedor de urina de rato. Eu não tenho boas recordações desse lugar. Ao oeste, um reino em decadência; ao leste, um vasto campo verde com vários rochas grandes que levam direto ao mar; ao norte, a Torre Carcerária Strife, próxima ao Vale Real. Blacksoul é um lugar e tanto.
Kathy: Vamos pra cidade! Talvez eles já estejam lá!
Alanis: Então... Eu não...
Eu quero passar longe daquele lugar. Se eu tivesse opção entre ir pro campo ou ir pra Strife, eu definitivamente escolheria o campo. Mas creio que não estou em posição de escolher no momento.
Alanis: Certo, vamos pra lá.
Mas que inferno!
Reino Strife, Blacksoul
17:06
Nós descemos o morro indo em direção ao Reino Strife. O caminho não era tão longo, só precisamos atravessar algumas árvores e um campo e já estavamos no pé da montanha e na entrada do reino. Havia um caminho de pedra na nossa frente que levava montanha acima e de casa em casa. Também à nossa frente, havia um pequeno bar com alguns bebados do lado de fora. Cheiro de pinga pra acompanhar o cheiro de urina.
Kathy: Uau... esse lugar é tão... tão... Qual era a palavra mesmo?
Alanis: Horrível?
Kathy: Majestoso!
Eu esperava que as fadas fossem mais espertas. Tenho um caso raro bem do meu lado.
Alanis: É, se você diz.
De repente, pude ver uma mulher, ruiva, branca e vestindo uma blusa rosa saindo de uma farmácia e subindo a montanha.
Alanis: Stacy!
Kathy: Quem?
Rapidamente, corri montanha acima tentando alcançar Stacy. Mas, assim que ela me viu, ela começou a correr fugindo de mim.
Alanis: Por que ela está fugindo? EI, STACY, SOU EU!
Stacy: FIQUE LONGE DE MIM!
Ela começou a correr ainda mais rápido indo pra sua mansão no ponto medio da montanha e se trancou lá. Eu corri atrás e comecei a bater na porta.
Stacy: SAIA DA MINHA CASA!
Alanis: Eu nem estou em sua casa! Me deixe entrar, preciso de sua ajuda.
Stacy: EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ME ROUBAR!
Kathy: Do que ela está falando?
Alanis: Queria entender também.
Stacy: DESAPARECE LOGO!
Alanis: Stacy, sou eu, Alanis.
Stacy: Alanis...?
Stacy lentamente abriu a porta acorrentada e olhou pra mim desconfiada.
Stacy: Alanis?
Alanis: Conhece outra?
Rapidamente, Stacy abriu a porta e me puxou pra dentro, trancando novamente logo em seguida.
Alanis: Por que você...
De repente, ela me deu um abraço apertado, prendendo meus braços. Por mais que eu sentia falta dela, não consegui esconder o leve desgosto por abraços.
Stacy: Eu senti tanto sua falta, sua idiota!
Alanis: É, é, é. Agora pode me soltar, por favor?
Stacy: Ah... claro.
Rapidamente, ela me soltou e podia respirar novamente.
Alanis: Obrigada. Por que você fugiu de mim?
Stacy: Eu não vi que era você. Achei que era algum ladrão. Você está tão... diferente. A Vida em
Greentouch realmente te mudou.
Alanis: É, foi uma maravilha comparado ao tempo que tive aqui.
Stacy: Ainda guarda raiva de sua terra natal?
Alanis: Por causa de todos os problemas desse lugar? Não não, imagina.
Stacy: Ainda continua sarcástica. O que te traz de volta?
Alanis: Bem... é uma longa história. Vou direto ao que interessa, tá?
Stacy: Tudo bem.
Alanis: Por acaso você viu alguns rostos novos vindo pra cá?
Stacy ficou pensativa tentando lembrar.
Stacy: Acho que eu vi. Não tenho certeza.
Alanis: O que você viu?
Stacy: Bem, eu vi um mendigo com roupas elegantes e um gato com um braço estranho algumas horas atrás.
Leon e Fresh. Perguntei pra pessoa certa.
Alanis: Obrigada Deusa! Pra onde eles foram?
Stacy: Bem, eu os vi indo pro oeste.
Alanis:Oeste?
Stacy: Sim, onde fica a caverna que leva pra antiga vila na beira do mar.
Alanis: Ah, ao sul você quis dizer.
Stacy: É, acho que sim. Nunca fui boa com direções.
Alanis: Percebe-se.
Stacy: Mas enfim. Por que a pergunta?
Alanis: Preciso busca-los. Sem querer abusar, mas eu poderia deixar eles aqui?
Stacy apenas encolheu e fez um sinal de "não" com a cabeça.
Alanis: Por favor!
Stacy: Eu não quero mendigos na minha casa!
Alanis: Eles não são mendigos! Eles estão protegendo outras rainhas que também estão juntas.
Stacy: Rainhas?
Alanis: Rainha Anna e a Princesa Camila estão com eles.ç
Stacy: A Rainha? Por que ela iria se juntar a esses mendigos?
Minha única reação foi suspirar. Garota estupida.
Alanis: Eu posso ou não?
Stacy: Hm... Tá, pode. Contanto que você cuide deles. Só deixo porque a rainha tá com eles.
Alanis: Muito obrigada! Eu volto logo logo.
Stacy: Tome cuidado!
Destranquei a porta da mansão e corri junto com a Kathy montanha abaixo. Assim que cheguei no pé da montanha, já conseguia ver a caverna próxima do morro de onde viemos.
Alanis: Ali estão os idiotas. Vamos lá.
Nós corremos em direção a caverna, onde vimos todos sentados em volta de uma fogueira. Levou dois minutos pra chegar próximo da caverna e eles finalmente notarem. Mais precisamente, o Leon. Ele se levantou rapidamente e começou a correr na minha direção pronto pra me abraçar.
Leon: ALANIS!
Alanis: LEON!!!
Não demorou pra lembrar que me deixaram pra trás e rapidamente me enfureci só de ver eles ali, parados, fazendo nada.
Assim que Leon se aproximou pra me abraçar, eu chutei seu estomago e o empurrei no chão. Logo depois, o agarrei pelo pescoço.
Alanis: POR QUE DIABOS VOCÊS NOS DEIXARAM PRA TRÁS?! QUAL É A BOSTA DO PROBLEMA DE VOCÊS???
Leon: DESCULPAAAaaghggh
Instintivamente, comecei a estrangular o Leon, até que a Camila se aproximou e me fez o soltar.
Camila: Alanis, acalme-se!
Alanis: Me acalmar? ME ACALMAR?! VOCÊS ME DEIXARAM PRA MORRER!
Leon: Nós achamos que você já estava morta!
Camila: Nós tentamos te tirar, mas você não reagia e umas coisas estranhas começaram a nos perseguir.
Kathy: MAS E EU? POR QUE ME DEIXARAM LÁ?
Leon: Eu não consegui te achar. Nos desculpem.
Alanis e Kathy: Hmm... Por agora. Mas que não se repita de novo.
Alanis: Seus idiotas.
Camila: Bem, vai se juntar a nós?
Alanis: Não. Vim tirar vocês daqui. Arrumei alguém que pode nos ajudar.
Camila: Sério? Com quem?
Alanis: A Stacy concordou em nos deixar ficar na mansão dela.
Camila apenas levantou a cabeça e revirou os olhos.
Camila: Uugghhh. Sério? Ela? Aquela garota é estupida.
Leon: Quem é Stacy?
Camila: Uma idiota naqual Alanis tem amizade... por algum motivo.
Alanis: Olha, ela pode até ser meio idiota, mas ela é uma boa pessoa e é o que temos no momento. Preferem ficar em uma mansão ou passar dias de baixo de uma caverna?
Fresh: Ela está certa.
Nita: Não temos muita escolha. E eu não quero ficar nesse lugar abandonado.
Camila: Hm... Certo, nós vamos.
Alanis: Ótimo. Me sigam.
Todos que estavam próximos da fogueira se levantaram lentamente e começaram a nós seguir enquanto nós voltavámos pro Reino Strife.
No meio do caminho, nós fomos surpreendidos por um trio de ladrões mascarados segurando cimitarras em suas mãos.
Ladrão um: Ei ei ei, onde pensam que vão?
Ladrão três: Por acaso se perderam?
Ladrâo dois: Se perder por aqui não é muito legal.
Alanis: Suma do nosso caminho.
Leon: Vocês mexeram com as pessoas erradas.
Ladrão três: Oh, eles pensam que são durões. Vamos dar um...
Sem pensar duas vezes, dei um soco direto no rosto de um dos ladrões, o apagando na hora.
Alanis: Eu não tenho tempo pra essa palhaçada.
Ladrão um: Sua vadia!
Um dos ladrões veio na minha direção com suas cimitarras em mãos pronto pra me atacar, mas segurei suas mãos, lhe dei uma cabeçada, peguei sua cimitarra e cortei seu pescoço, o fazendo cair agonizando e sangrando.
O ultimo ladrão tentou fugir horrorizado, mas Fresh o matou na hora com um tiro na cabeça.
Fresh: Patético.
Alanis: Ladrões... escória da nossa existência.
Me abaixei e comecei a analisar suas roupas. Ao mesmo tempo que eu nunca havia as visto, ainda era um tanto familiares... O que estou tentando encontrar afinal? Essa terra é feita de ladrões.
Alanis: Hm. Inuteis. Vamos continuar.
Agora sem interrupções, continuamos nosso caminho indo em direção à mansão. Assim que chegamos no pé da montanha, presenciamos um bêbado sendo arremessado pra fora do bar por um homem.
Nita: Esse é o lugar que vamos ficar?
Helo: A Caverna parecia ser mais agradável.
Alanis: Olha, não é bonito e nem confortável, mas ao menos é o mais perto que vamos chegar de um lugar civilizado... ou quase.
Continuamos a subir a montanha até chegar na mansão. Assim que chegamos, Stacy abriu a porta e bloqueou nossa passagem.
Stacy: Então... é todo esse pessoal que você vai enfiar na minha casa?
Alanis: Sim.
Stacy: Hm... Desde quando você virou ajudante de moradores de rua?
Nita: O que ela acabou de dizer?
Camila: Quem você está chamando de morador de rua?!
Nita e Camila tentaram pegar Stacy, mas as parei antes que matassem ela de socos.
Alanis: Podemos?
Stacy: Hm... Pode. Só não esquece do que falei. O que eles fizerem, a culpa é sua.
Alanis: Tá.
Stacy saiu da frente da porta e entrou na sua casa. Nós entramos logo em seguida e o grupo se dispersou, indo cada um pra um canto da mansão. Eu segui Stacy até o segundo andar e a encontrei parada em um corredor de frente com a escada.
Alanis: Obrigada por nos deixar ficar.
Stacy: Hm... Sem problemas. Mas por que logo minha casa?
Alanis: Porque você teve a infelicidade de estar na rua e no meu campo de visão.
Stacy: Droga!
Alanis: Escuta, por que você está tão nojenta assim? Qual é o problema de ajudar uma antiga amiga? Caso não tenha percebido, esse pessoal que você chamou de "moradores de rua" são gente importante. Rainhas e guerreiros que já fizeram mais do que você fez em toda sua vida.
Stacy: Como você ousa falar assim comigo na minha própria casa?!
Alanis: Como VOCÊ ousa chamar quatro rainhas e vários guerreiros de moradores de rua e trata-los como lixo? Tenha mais consciência e respeito antes de abrir sua boca.
Stacy: Hm... Tá certo, desculpa pelo o que disse.
Alanis: É o minimo que pode fazer. Adoraria mesmo que mudasse mais sua atitude.
Stacy: Veio pra me deixar mal? Porque está conseguindo.
Alanis: Se "deixar mal" é colocar consciência na sua cabeça, então sim, eu vim.
Stacy: Hmph.
Alanis: E também preciso saber onde fica o banheiro e se tem roupas sobrando.
Stacy: Nem isso vocês trouxeram?
Alanis: ... Stacy, nós só estamos do jeito que estamos porque somos sobreviventes de um acidente. Se não fosse por isso, com certeza eu nem estaria te incomodando agora. Então, você tem ou...
Stacy: Tenho, tenho. Tenho algumas caixas no porão com algumas roupas velhas. Se servirem em vocês, podem usar. Eu ia me livrar delas mesmo. O Banheiro fica no fim do corredor.
Alanis: Obrigada.
Stacy: Tenho um quarto nos fundos que foi feito pra convidados. Podem dormir lá.
Alanis: Obrigada.
Stacy: Só pra garantir que não vou ter que ouvir mais nada, já vou indo dormir. Vejo vocês amanhã.
Stacy entrou numa porta à esquerda e se fechou lá dentro. Garota estupida.
Depois de um longo dia cansativo e estressante, tudo que eu precisava era de um banho e uma noite de sono. Já deu demais pra mim por hoje.
Peguei algumas roupas no porão, tirei um pouco da poeira que estava e fui tomar um banho. Por sorte, o banheiro dela havia chuveiro. Não esperava esse tipo de tecnologia alcançar esse buraco de rato.
Após um bom banho quente e relaxante, coloquei minha nova roupa, segui em direção ao dormitório que estava em uma casa separada nos fundos da mansão e fui dormir sem nem esperar os outros. Boa noite.
Próximo Capitulo: Conflitos Familiares
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