terça-feira, 14 de setembro de 2021

Metal OPS - Replicante - Capítulo 2 - Sábado é um Bom Dia Para Brigar

 ~Taynori Hunter~

Toyama, Japão

10 de Março de 2029

17:54

Após um dia exaustivo, Zaki e Nana são liberadas mais cedo do trabalho no hospital. Com bastante tempo livre, a dupla decide passear pela cidade em busca de diversão. Com a noite se aproximando, a cidade fica movimentada, tanto com pessoas saindo do trabalho e pessoas em busca de diversão. A dupla, sem muitas ideias do que fazer, decidem dar uma passada no shopping para comer e conversar até que alguma ideia simplesmente caia nas mãos de alguém.

Elus vão no mesmo fast food, pedem as mesmas coisas e, se não fosse por um casal, teriam sentado na mesma mesa.

Nenhuma ideia do que fazer hoje? Nenhuminha? — Nana pergunta entediada.

Zaki nega apenas balançando a cabeça.

UGH! — Nana murmura. — Sério que ninguém tem nada de bom pra fazer hoje? Não quero ter que passar meu sábado em casa! — Reclama.

Quero dizer, tem um arcade nesse shopping que a gente podia dar uma passada. Pode ser divertido. — Zaki sugere.

Mas ali só tem máquinas velhas. — Nana resmunga com o rosto na mesa.

Eu vi aquela antiga máquina de dança que eu jogava quando era criança. Você gosta de dançar, não? — Zaki pergunta.

Sim, mas eu quero me divertir também. Se a gente for, você vai ter que me ensinar como funciona aquele negócio. — Nana exige.

Relaxa, você vai gostar. Talvez você já até tenha jogado quando era criança. — Zaki incentiva enquanto se levanta da mesa.

Não que eu lembre. Nunca tive tanto acesso a jogos quando criança. — Nana admite enquanto se levanta.

Mas você deve conhecer sim. Vamos, ainda temos uma noite toda pela frente. — Zaki encoraja.

Zaki e Nana saem da praça de alimentação e decidem ir direto para o arcade no shopping. O arcade, sendo um dos poucos que ainda resta no japão desde a chegada da DreamLand Labs, é um dos arcades mais antigos da região. Antes da chegada da DLL, eles já não recebiam tantos jogos novos como antigamente, já que o povo já havia migrado para os consoles e celulares. Mas, depois do banimento seletivo de jogos eletrônicos, eles já não recebiam mais nada, vivendo apenas do que eles tinham.

Ao chegarem, a dupla fica impressionades com a pouca movimentação no local. Ainda não era possível contar usando os dedos, mais o número não passava de trinta.

— Uau… cadê todo mundo?! — Zaki se espanta.

Provavelmente na balada. No cinema… talvez se pegando. Aqui, com certeza, eles não estão. — Nana ironiza.

Bem, isso é decepcionante… — Zaki diz envergonhado, coçando a nuca. — Não, esquece o que eu disse. Isso é ótimo! Na realidade, odiaria saber que tem gente me olhando dançar. — Admitiu, mudando de humor rapidamente.

— Qual é a graça do show se não tem plateia? — Nana ironizou.

Atrairemos a plateia. Não é mesmo, diva? — Zaki encorajou, dando um tapa na bunda da Nana antes de entrar mais fundo no arcade.

A poucos metros da entrada, a dupla encontra o tal máquina de dança. Uma máquina onde, seguindo o ritmo, dois jogadores devem pisar em setas coloridas em uma plataforma para ganhar pontos. As setas na plataforma representam os movimentos que o jogador deve fazer indicado pelo jogo. Acertando maior parte dos movimentos, o jogador ganha pontos. O jogador que tiver a maior pontuação ganha.

Antes de ter acesso à máquina, a dupla precisa ter as fichas para poderem jogar. Sem querer ter que lidar com pessoas, Zaki entrega sua parte do dinheiro para Nana e ela compra doze fichas, seis para cada. Agora, com as fichas compradas, elus vão até a máquina brincar.

Então, já se lembrou? Sabe como jogar? — Zaki pergunta.

Não. Não nem faço ideia. — Nana responde nervosa.

É bem simples. Tá vendo essas setas? Você só precisa pisar nelas conforme o jogo indicar. Por exemplo, se jogo mostrar uma seta indo pra esquerda, você pisa na seta esquerda. Se aparecer uma seta pra direita, você pisa na direita. — Zaki explica se movimentando, pisando nas setas indicadas. — Agora, se aparecer duas setas ao mesmo tempo, você pisa nessas duas ao mesmo tempo também. Acho que dá pra configurar a dificuldade, então podemos nos aquecer primeiro só pra pegar o jeito. — Terminou.

Tá… acho que eu entendi. Nana diz incerta.

Certo, vamos começar! — Zaki diz empolgado.

Zaki pega sua ficha e a ficha da Nana e insere na máquina. Ele configura a dificuldade para “nível três” e escolhe a música “Butterfly” do grupo Smile.dk.

Boa sorte. — Zaki diz com um olhar confiante.

Lhe desejo o mesmo. — Nana retruca com o mesmo olhar.

A música começa lenta, com as cantoras cantando. Mas, poucos segundos depois, a música começou de fato, trazendo uma batida eletrônica cativante e animada. Junto da música, as notas começaram a aparecer, fazendo a dupla se mover no ritmo da batida. Mesmo com poucas notas, Nana tem um pouco de dificuldade para aprender a usar a máquina. Mas, aos poucos, ela começa a acertar notas perfeitamente. Inevitavelmente, Zaki ganha essa partida. Porém, ainda não havia acabado. Com o jogo funcionando em um modo “Melhor de três”, ainda há mais duas músicas para competirem.

É, você mandou bem. Tá pegando o jeito. — Zaki parabeniza.

Calado. Vou fazer você lamber o chão quando acabar com você! — Nana provoca.

É o que eu quero que você faça, vadia. — Zaki provoca de volta, continuando com o olhar confiante.

Aumentando a dificuldade, Zaki escolhe a próxima música: That’s The Way, do grupo KC and the Sunshine Band. Ao contrário da música anterior, essa começa com uma batida mais rápida e um ritmo contagiante, um som que move até a alma, fazendo ser impossível ficar parado.

Com a dificuldade alterada, a dupla tem dificuldade de, não apenas de acertar as notas, mas também manter o ritmo. A situação fica ainda pior ao perceberem que, logo atrás, pessoas se juntavam para vê-les dançar e. também, dançar junto da música. Isso já não era mais uma competição amigável, mas sim um grande teste para provar quem é mestre da pista de dança. Eventualmente, com muito sofrimento, Nana havia ganhado essa partida. Zaki não é páreo contra o gingado de Nana.

Por fim, é hora do momento decisivo, a última música que dançarão: Night of Fire, de Niko. Sem perder tempo, Zaki escolheu a música e encarou Nana. Os olhares confiantes foram trocados por olhares sérios e amedrontadores.

Assim como a primeira música, ela não começava imediatamente, mas criava um clima de tensidade, empolgação e intensidade, o que fazia o clima entre a dupla aumentar. Mas, quando a música começou, as notas, acompanhado do ritmo e das batidas, vieram frenéticas. O ritmo acelerado, batidas intensas e um som eletrônico que não só dá vontade de dançar, mas te empolga para fazer diversas loucuras, tomou conta da dupla. O público havia parado de dançar e só ficaram atentos na tela de cada desafiante. O clima acirrado não dava espaço para erros, mas, tanta tensão fazia elus errar algumas poucas notas. No fim, Zaki havia ganhado de Nana usando as barras atrás dele para se apoiar e apenas concentrar nas setas.

NÃÃÃÃOOOO! PORRAAAA — Nana grita furiosamente surpreendida. — ISSO NÃO VALEU, VOCÊ TRAPACEOU! — Acusa.

hã hã, essas barras servem pra isso. Eu só esqueci de lhe avisar. — Zaki discorda com um sorriso esnobe.

Oh, filho da puta! — Nana exclama soltando uma leve risada.

Mas você dançou bem, gata. — Zaki admite se agarrando na Nana. — Você mandou muito bem. Pegou o jeito mais rápido do que eu esperava. — Elogia.

Você também mandou muito bem, mas vai ter próxima. Quero ver você tentar me enganar de novo! — Nana alerta brincando.

De repente, um homem magro, alto, de cabelo longo e roupas escuras se aproxima da dupla com um papel em sua mão. Mas, sem prestar atenção em Zaki, ele apenas quer falar com Nana.

Oi, perdão por interromper, mas eu não pude deixar de observar vocês dançando. O homem diz um pouco tímido. — Me chamo Satoshi Sakuraba. Sou dono de uma boate não muito longe daqui. Eu adoraria se você pudesse ir lá hoje. — Termina entregando o papel.

O papel, nada mais, nada menos é um ingresso V.I.P. para entrar na tal boate. Aquilo que muitos matariam para conseguir, Nana recebe em suas mãos de graça! Apesar da sua sorte e estar de frente com um cara desconhecido e bonito, Nana estranhou brevemente o convite.

Uau… Obrigada, Satoshi. Mas por quê? — Nana pergunta desconfiada.

Eu só achei você bem interessante. Gostei dos seus passos e do seu estilo. E também, é uma noite de sábado. Imagino que gostaria de um lugar mais movimentado para se divertir. — Satoshi explica tímido. — Se quiser, posso lhe apresentar o lugar. — Termina sugerindo.

Nana fica brevemente pensativa, mas não demorou para um sorriso malicioso aparecer em seu rosto. Zaki, por outro lado, apenas observa com interesse.

Sabe, eu aceito, mas com uma condição. — Nana avisa.

Claro, apenas diga. — Satoshi diz.

Quero um ingresso pra minha amiga também. — Nana exige.

O quê?! — Zaki se assusta.

Claro, sem problemas. Aqui. — Satoshi concorda entregando mais um ingresso nas mãos de Zaki. — Avenida Joshi, próximo do Castelo Toyama. Espero encontrar com vocês lá. Tenham uma boa noite. — Se despede.

Com um olhar esnobe e malicioso, Nana olha para Zaki levantando as sobrancelhas, mas ele apenas retribui com uma careta de surpresa. De repente, Nana desce da plataforma de dança e vai atrás do Satoshi. Sem muita opção do que fazer, Zaki vai atrás.

Satoshi, posso lhe perguntar uma coisa? — Nana pergunta.

Uh, claro. Pergunte. — Satoshi diz.

Você… Vai fazer alguma coisa? — Nana pergunta levemente tímida.

Bem… Eu vou ir com uns amigos em um Karaokê. Gostaria de vir com a gente? — Satoshi sugere.

Claro claro! Adoraria! — Nana concorda felizmente.

Nana olha feliz para Zaki, que apenas troca com um olhar desinteressado. Ele começou a entender os planos de sua amiga. Infelizmente, para ele, agora teria que segurar vela para sua amiga, enquanto assiste duas pessoas tentando se pegarem em uma noite de sábado.

O trio se encontra na saída do shopping com os amigos de Satoshi, um trio formado por um homem e duas mulheres de aparências chamativas.

Nana, Zaki, esses são Yoko, Satoru e Michiru. — Satoshi apresenta formalmente.

Prazer em conhecê-los. — O trio e a dupla dizem ao mesmo tempo.

Yoko e Michiru são as mulheres da turma, com Michiru aparentando ser a mais velha daquele trio com seu corpo alto e forte, cabelos longos e roupas estilosas. Yoko, por outro lado, é baixinha e possui cabelo curto, também optando por roupas chamativas como um short curto e um vestido vermelho curto.. Satoru, além de ser o segundo homem daquela turma, é o mais ameaçador. Alto, forte, cabeludo e com um olhar sério, ele facilmente bota medo em qualquer um.

Então, já decidiram onde vamos? — Satoshi pergunta.

Karaokê, rua Himawari-Dori. — Yoko responde friamente.

Uau, vocês precisavam pegar um lugar tão longe? — Satoshi pergunta inconformado e surpreso.

É bem próximo do clube, sem falar que ouvi falar muito bem de lá. — Michiru responde calmamente.

Hm. Pode ser bom até. Ao menos podemos mostrar o clube para as garotas novas. — Satoshi se conforma. — Vocês dirigem? — Pergunta para a dupla.

Eu dirijo. Eu vou pegar meu carro e vocês só lideram o caminho. — Nana sugere.

Tá. Qual é a cor do seu carro? — Satoshi pergunta.

É um conversível vermelho, bem estilo “princesinha de Beverly Hills”. Não tem como errar. Eu vou pegar no estacionamento e vou esperar vocês na avenida. — Nana informa.

Tá, encontro vocês na avenida. — Satoshi diz enquanto se afasta com seu grupo.

Com cada um indo pegar seu carro, os grupos se afastaram. Nana e Zaki seguem em direção ao estacionamento e conversam sobre os eventos recentes no meio do caminho.

Tá, qual é o seu plano? — Zaki pergunta incomodado.

Não sei. Vou pensar depois que colocar aquele homem na minha mão. — Nana responde confiante.

Sério que vamos sair com estranhos só pra você poder fazer aquele cara de puta?! — Zaki diz indignado.

Em nenhum momento eu disse que ia fazer ele de puta. — Nana argumenta, parando no meio do caminho. — Mas é uma boa ideia. Gostei. — Termina voltando a caminhar.

Ai Nana… — Zaki resmunga decepcionado.

O que foi? Vai ser bom! Se nada der certo, a gente só volta pra casa e esquece o dia de hoje. — Nana argumenta. — Além do mais, a gente conseguiu algo pra fazer de graça! Conseguir acesso à área V.I.P. em uma balada top e ainda ter a chance de sair com um cara bonito não é oportunidade que aparece todos os dias. — Completa.

Tá, mas não dá mole desse jeito não. Não conhecemos eles e muito menos essa tal balada. — Zaki avisa.

Com sorte, até você sai com alguém hoje. — Nana diz maliciosamente.

Tu me deixa fora disso! — Zaki esbraveja.

Ui ui, até parece que é santo. — Nana zomba. — Para de ser chato! Vamos nos divertir! Você tava tão solto lá no arcade. Vamos aproveitar a noite, aproveitar o momento. Você é que merece mais, já que essa é a última semana da Rika, correto? — Estimula.

É… de certo modo, sim. — Zaki diz pensativo. — Tá, vamos ver no que dá. — Se conforma.

Isso ai. Agora vamos, não podemos deixar eles esperando. — Nana diz apertando o passo.

Ao chegar no estacionamento, a dupla entra no carro, Nana paga o horário e partem em direção à avenida, esperando pela turma do Satoshi. Após cinco minutos, um carro modelo Corolla Levin azul encosta ao lado do carro da Nana e abaixa o vidro do passageiro.

Belo carro, dona Beverly Hills. Mas será que esse carro corre? — Satoshi elogia, antes de perguntar em um tom provocativo.

Mas é claro! Minha filha corre igual ao demônio! — Nana responde confiante, dando uns tapas leves na porta.

É isso que quero ver! Topa uma corrida até Himawari-dori? — Satoshi pergunta.

NÃO- — Zaki responde imediatamente.

— Mas claro! — Nana responde empolgada, ignorando Zaki.

Que o melhor vença. Boa sorte. — Satoshi diz enquanto fecham o vidro do passageiro.

VOCÊ TÁ LOUCA?! VOCÊ VAI NOS MATAR!!! — Zaki vocifera.

Você não confia não direção da mãe não? Vai dar tudo certo. Sossega ai. — Nana encoraja. — Himawari-dori não é longe daqui. Cinco minutos só. Com minha habilidade, talvez três. — Acrescentou.

Três minutos é o suficiente pra bater esse carro e parar no rio! — Zaki argumenta.

Sossega vai. Se quiser, fecha os olhos. — Nana ralha.

Mesmo com a avenida movimentada, Nana e Satoshi alinharam seus carros um do lado do outro, aguardando o momento para disparar em direção à linha de chegada. Ambos começam a queimar pneu, apenas para aquecer. Então, em um toque de três segundos, ambos saíram em disparada pela avenida. Indo em direção ao castelo Toyama, em uma virada brusca, elus viram para a direita, sentido rio Matsukawa. Zaki observa tudo amedrontado enquanto sente seu corpo ser forçado contra o banco conforme Nana acelera loucamente. Ela, por outro lado, está com um olhar confiante e destemido.

Ao se aproximarem da ponte do rio, elus deslizam seus carros para continuar na estrada contornando o rio. Sendo ali a parte menos movimentada da região, agora podiam correr como loucos, apenas prestando atenção nas curvas. Assim que chegaram no final da rua, elus pegam a próxima ponte na direita e, logo em seguida, deslizam para a esquerda, ainda seguindo o rio. Atrasada pela última deslizada, Satoshi ultrapassa Nana e continua seguindo pela rua, até finalmente chegar em Himawari-dori. Ele decide esperar por Nana na frente de um salão de beleza, em uma pequena parte não-comercial da região. Assim que ela chega, ela estaciona do lado de Satoshi.

Finalmente acabou! — Zaki diz aliviado.

De repente, Nana abaixa o vidro junto de Satoshi.

Você roubou! — Nana acusa.

Eu roubei? Logo eu, um absoluto gentleman? Eu acho que você virou demais naquela curva hein, não acha não? — Satoshi ironiza. — Que coisa, achei que você ia ganhar. Você disse que seu demônio corria bem. — Continua.

— Hmph. Não importa. Você teve sorte. — Nana resmunga. — E ai, onde fica esse Karaokê? — Pergunta.

Logo em frente. Me segue. — Satoshi responde.

Ambos continuam indo em frente apenas alguns metros. Satoshi estaciona seu carro no estacionamento em frente a um prédio vermelho e Nana estaciona logo ao lado. Ambos fecham os vidros do carro e todos se encontram do lado de fora.

Tá… Esse é o lugar, né? — Nana pergunta.

É esse mesmo, né? — Satoshi pergunta para Yoko.

Sim. — Yoko responde neutra.

Tá, é esse. Vamos? — Satoshi pergunta abrindo a porta para o pessoal passar.

Finalmente em seu destino, todos ficam impressionados com o local. Luzes de neon vermelhas por todos os cantos, uma enorme pista de dança no solo e uma outra menor no mezanino, e três salas privadas para Karaokê. Enquanto todos observam o local, Satoshi cuida de alugar uma sala.

— Isso é uma boate. Por que um dono de boate nos levou em outra boate??? — Zaki questiona.

Deve ter um motivo lógico. — Nana comenta.

Não gostamos. — Yoko responde neutra.

Nossa boate é muito maior e muito mais elegante do que essa cópia imperfeita e minúscula, mas não vemos graça em buscar diversão em nossa zona de trabalho. afinal, passamos boa parte de nossos dias lá. — Michiru explica orgulhosa.

Além disso, Satoshi gosta de checar a concorrência. Isso é bom para os negócios. — Satoru acrescentou.

Ah… entendi. Obrigado. — Zaki agradece tímido.

Vocês fazem alguma outra coisa nos dias de folga? Algo radical? — Nana pergunta interessada.

Por que pergunta? — Michiru pergunta suspeitando de Nana.

Eu adoraria repetir mais uns dias assim. Não é todo dia que tenho oportunidade de tirar um racha em um sábado. — Nana responde contente.

Sala à direita. Vamos. — Satoshi diz enquanto surge sem ninguém perceber.

O grupo segue Satoshi até a sala de karaokê. A sala, razoavelmente grande, possui três sofás para três pessoas, duas caixas de som presas nas paredes e uma TV OLED de cinquenta e cinco polegadas presa em um buraco na parede.

Oh, isso é tão fofo. — Michiru comenta de forma arrogante.

O que foi? — Nana pergunta.

Isso é tão minúsculo comparado ao nosso. — Michiru responde rindo.

Yoko, você tem certeza que esse é o lugar mesmo? Eu esperava algo mais sofisticado. Mais… luxuoso. — Satoshi pergunta decepcionado.

Sim, esse mesmo. — Yoko responde neutra.

Não tinha um lugar melhor? — Michiru pergunta.

Não. Já vimos maioria. — Yoko responde.

Nessa discussão, Nana e Zaki se olham. Nana, olhando para Zaki com uma expressão de desconforto, como se estivesse deslocada. Zaki, por outro lado, apenas a olha com uma expressão morta, sem interesse. Como se estivesse dizendo silenciosamente “Você quem se enfiou nesse meio”.

Bem, ao menos do que NÃO fazer na nossa sala de karaokê. — Satoshi comenta. — Alguém quer começar? — Pergunta.

Enquanto o grupo discute entre si para ver quem vai ser o primeiro, Satoshi checa a TV e o aparelho apenas para garantir que não há nenhuma surpresa. Não encontrando nada fora do comum, ele apenas se senta no sofá com os outros.

Após muita discussão, Michiru decide ser a primeira a cantar. Todos se sentam no sofá atrás dela enquanto ela vai até o aparelho buscar uma música. Mas, para a surpresa de todos, não há uma forma de “pesquisar” músicas. O aparelho contém uma seleção específica de músicas para escolher, sendo maioria delas músicas populares que não foram barradas pela lei.

Isso é decepcionante… — Michiru diz decepcionada.

Sem muito interesse, Zaki se encosta no sofá e, sem querer, acaba vendo Satoshi e Satoru cochichando alguma coisa. Então, de repente, Satoru se levanta e começa a checar a sala toda, cada buraquinho e cada fresta existente. Ao olhar atrás do sofá, sua expressão neutra dá lugar para um olhar irritado. Então, logo em seguida, ele se senta junto de Satoshi novamente e eles voltam a cochichar.

Tá conseguindo ouvir alguma coisa que esses dois estão falando? — Zaki pergunta cochichando para Nana.

Nada. O grandão parece estar preocupado com algo. — Nana responde.

Jura?! Não brinca! Obrigado, Sherlock. — Zaki diz sarcasticamente. — Esse grupo é muito suspeito. Tem certeza que quer continuar com isso? — Pergunta com uma forte preocupação.

Relaxa, caralho! — Nana esbraveja. — Cara, você tá chato hoje! Consegue se divertir por alguns segundos pelo menos??? — Continua.

Eu só quero garantir que vamos sair com vida desse rolê mirabolante que você nos meteu! — Zaki retruca.

Invés de responder, Nana apenas fecha a cara e ignora Zaki olhando para Michiru. Zaki retribui olhando para a porta, evitando olhar com qualquer um.

Enquanto isso, Michiru checa todas as músicas do aparelho, mas nenhuma lhe interessa. Os poucos gêneros e assuntos similares fazem todas as músicas parecem as mesmas, o que desanima todo o grupo. Eventualmente, ela desiste e se senta no sofá .

Bem, isso foi um absoluto desperdício de dinheiro. — Satoshi diz calmamente se levantando.

E tempo. — Yoko complementa.

Não exatamente. Ao menos sabemos que eles estiveram aqui. — Satoshi diz calmamente. — Bem, vamos voltar para a boate. Daqui a pouco Jun nos liga pedindo reforço. — Termina.

Sem questionar, todos se levantam do sofá e seguem Satoshi para fora do prédio, cada um indo para o carro em que vieram. Porém, assim que Nana entraria em seu carro, Satoshi chama sua atenção.

Ei, quer revanche? — Satoshi pergunta confiante.

Eh, não, obrigada. Eu vou passar dessa vez. Quem sabe uma próxima. — Nana responde desanimada. — Apenas lidere o caminho que eu lhe sigo. — Diz enquanto entra em seu carro.

Hm… Tá. Que seja. — Satoshi diz decepcionado.

Partindo do estacionamento, Satoshi sai primeiro do estacionamento, liderando o caminho. Passando pela ponte cruzando o rio, elus seguem um caminho reto em direção à avenida Joshi. Com o trânsito mínimo, não demora nem quatro minutos para chegarem. Com apenas uma virada para a esquerda, elus seguem a avenida até chegarem na tal boate, a poucos metros do castelo Toyama.

De fora, é possível ver uma densa névoa azul saindo de dentro da boate pelas portas guardadas apenas por um segurança. Nos cinco segundos que o grupo ficou no carro, três carros foram vistos entrando no estacionamento, o que era um bom sinal, significando que a boate realmente é movimentada. Nana não conseguia conter sua empolgação para ver o que lhe aguarda. Zaki, por outro lado, continua sendo uma âncora, afundando todo o clima com o seu desanimo.

Assim que os carros entraram, Satoshi entrou logo em seguida, abrindo caminho para Nana entrar logo atrás. O estacionamento subterrâneo, que não é muito grande para começar, está razoavelmente cheio, com pouquíssimas vagas disponíveis. Com Satoshi estacionando em um canto e Nana em outro, o grupo sofre uma rápida separação, isso é, até se reunirem novamente na saída do estacionamento. De lá, o grupo se dirige à entrada da boate. Sendo uma estranha pela região, Nana deixa Satoshi liderar o caminho já que, afinal, ele é o dono da boate. Só bastava passar pelo segurança sem qualquer problema.

Com Satoshi liderando, ele se encontra com o segurança, que o cumprimenta com um toque de mão bem padrão e um abraço rápido.

Boa noite, Keiichi. Alguma coisa aconteceu enquanto estávamos fora? — Satoshi pergunta neutro.

De repente, Keiichi responde sussurrando no ouvido de Satoshi, garantindo que ninguém fosse ouvir. Pela súbita mudança de expressão de Satoshi, não eram boas notícias.

Sério? De novo!? — Satoshi pergunta furioso.

Keiichi confirma com um simples balançar de cabeça.

Porra… Me avise se eles voltarem. — Satoshi ordena. — Vamos! — Termina sinalizando para o grupo.

Satoshi abre a porta para o grupo entrar mas, na vez de Zaki e Nana, o segurança lhes barra com a mão.

Pode deixar. Estão comigo. — Satoshi ordena.

O segurança olha desconfiado para Satoshi, como se estivesse dizendo silenciosamente “Você tem certeza?”. Mas, seguindo as ordens, ele apenas abaixa a mão, dando passagem para a dupla. Assim que passaram, Satoshi entrou e encostou a porta.

Passando por um corredor azul enevoado, a dupla finalmente entra no coração da boate. Zaki, por mais que ainda esteja desanimado, levantou as sobrancelhas de espanto. Nana, por outro lado, ficou boquiaberta. A névoa artificial, combinando com as fortes luzes azuis e uma sútil escuridão, davam um ar de boate underground, algo secreto e ilegal.

O interior da boate é enorme, chegando a ser surreal. A pista de dança por si só já é algo que chama atenção; Uma grande área circular com três áreas circulares menores que empilham em si mesmos, com o topo sendo o menor círculo, permitindo apenas duas pessoas dançarem, os deixando como foco. Ao redor da pista há duas escadas levando para uma área superior, onde é possível ver cadeiras e um bar. Abaixo da plataforma fica o palco, uma área elevada contendo vários equipamentos de sons e uma grande mesa de som, onde um DJ estava no momento. Ainda é possível ver mais escadas logo acima da área superior, mas apenas é visível uma janela coberta com filme preto, supondo que seja esta a área VIP.

Cara… eu nunca vi um lugar assim na minha vida! — Nana exclama admirada.

De repente, Satoshi dá um tapa leve na bunda de Nana e continua andando, indo em direção às escadas.

Vamos? — Satoshi pergunta.

Sem dizerem nada, a dupla apenas segue Satoshi pelas escadas, passando pelo bar e subindo mais escadas até chegar na área VIP. Chegando lá, a dupla encontra todo o grupo de Satoshi, cada um fazendo alguma coisa.

Enquanto isso, o DJ trocou de música, sendo “I Remember” do Deadmau5 a escolhida. Música eletrônica de uma época mais simples, algo dançante e com batidas cativantes, mas segue a música inteira com um ritmo lento, suave e, de certo modo, romântico, algo que você poderia facilmente dançar agarrado com seu par, trocando olhares apaixonados. Isso, claro, graças ao vocal suave como veludo da cantora. Sendo uma das músicas liberadas, não havia problema nenhum tocar no som mais alto possível.

A sala VIP, por mais que não seja uma área muito grande, tem seu charme. A entrada dá logo em uma sala oval, mas com duas paredes circulares entre um corredor estreito com apenas uma janela com visão para fora. Nessa sala, além da janela que dava para ser vista logo da entrada, também há serviçais, um minibar, uma TV 88’ OLED, uma sala particular para karaoké e o escritório de Satoshi.

Esse lugar é fenomenal! — Nana admira-se.

Sabemos disso. Não é a toa que fomos classificados como a melhor boate da cidade em dois mil e vinte e sete. — Michiru informa de forma metida.

Então por que não ficamos sabendo dessa boate até hoje? — Zaki debocha.

Surpresa com o comentário de Zaki, Nana olha de canto para Zaki, com uma ligeira vontade de esganá-lo.

Bem, você não parece muito com tipo que costuma sair de casa com muita frequência. Talvez esse seja o motivo. — Michiru caçoa. — Quero dizer, nada contra sabe, mas seu visual… exótico, entrega um pouco. — Termina.

Visualmente, Zaki parece inabalado, mas ele estava tremendo um pouco.

Hm… justo. — Zaki comenta neutro.

Vamos, sentem-se. — Satoshi diz se sentando ao lado de Michiru.

Com a sugestão, Nana senta ao lado de Satoshi, bem próxima da sua presa. Zaki, por outro lado, vendo que não havia espaço para ele no mesmo sofá, senta ao lado de Yoko, que estava calada apenas mexendo em seu celular. Compartilhando do mesmo clima, Zaki pega seu celular do bolso e se fecha daquele mundo.

Garotas, por favor, nos tragam duas garrafas de vinho e… — Satoshi orderna, chamando atenção estalando os dedos. — gostaria de algo? — Pergunta para Nana.

Um uísque e uma garrafa de saquê, por favor. — Nana pede.

Ouviram a mulher. — Satoshi ordena.

Enquanto as serviçais buscam bebidas, Satoru decide largar o grupo, indo para o escritório do Satoshi. De repente, Yoko se levanta sem dizer nada e o segue, deixando Zaki sozinho no sofá.

No sofá ao lado, Satoshi coloca sua mão por trás de Nana e a puxa para mais perto de si. Nana, surpresa com sua atitude, apenas arregala os olhos e solta um sorriso malicioso.

Então, Nana, agora temos mais tempo para conversar e nos conhecer melhor. Vi que você manda muito bem na dança e gosta de umas coisas mais radicais. Me diga, o que mais você faz? — Satoshi pergunta gentilmente.

Eu trabalho como enfermeira no hospital local. Fora isso, não tenho muito o que contar. — Nana responde desinteressada. — Eu gosto mesmo de me divertir por ai, conhecer pessoas novas. Não diria que gosto de coisas radicais, mas consigo aprender a gostar. Aquele racha que tivemos foi emocionante. — Admite.

A gente sempre pode repetir um dia desses. — Satoshi sugere.

Só me dê dia e horário que estarei lá rapidinho. — Nana aceita felizmente.

Zaki, em silêncio, olha de relance irritado para Nana, incomodado com o quanto ela se enfia em qualquer coisa por macho.

De repente, as serviçais surgem com duas bandejas nas mãos com as bebidas e alguns petiscos. Elas colocam as bebidas, copos e os petiscos na mesa e se afastam, aguardando próximas ordens no minibar.

E você, me conte mais sobre você. — Nana sugere.

Eu? — Satoshi pergunta enquanto coloca vinho nos copos. — Eu diria que sou uma pessoa com gostos diferenciados. Pode ser pela minha idade, pela minha criação, mas apenas possuo uma mentalidade que… não bate com os novos padrões. — Se explica calmamente antes de tomar um gole do vinho.

Isso quer dizer que você não gosta das novas leis impostas? — Nana pergunta.

É uma boa forma de se dizer. Mas sim, eu odiei. — Satoshi afirma.

Obrigada! — Nana grita para o teto antes de beber o copo inteiro de vinho. — Eu ODIEI essas novas leis! São tão estúpidas e desnecessárias. Fizeram nada além de nos atrapalhar. — Desabafa.

São horrorosas! Proibir rock, Rap, pop e outros gêneros? Pra quê? Muito idiota. — Satoshi acrescenta.

De repente, Michiru se levanta, enche um copo com vinho e vai para o escritório com o copo na mão. Finalmente os pombinhos estavam a sós.

Uma pena que aquele karaokê não tinha músicas legais. Eu tava doida pra soltar a voz. — Nana lamenta.

Tem uma sala de karaokê logo atrás de nós. Se você quiser… — Satoshi sugere.

Só se você se juntar a mim. Eu conheço umas músicas bem excitantes. — Nana diz maliciosamente.

Se nada lhe agradar, a gente pode fazer nossa própria música, não acha? — Satoshi sugere maliciosamente enquanto beija o pescoço da Nana.

Eu só espero que você saiba compor. — Nana diz sorrindo maliciosamente.

Quer fazer um ensaio? — Satoshi pergunta com um sorriso galanteador.

Logo depois de você. — Nana aceita com um olhar provocante.

Ao se levantarem do sofá, ambos notam que a sala está mais vazia que o normal.

Cadê seu amigo? — Satoshi pergunta.

Ele estava aqui… — Nana responde confusa.

Rapidamente, Satoshi checa o escritório, mas apenas sues amigues estão lá.

Seu amigo sumiu. — Satoshi diz preocupado.

De repente, o celular de Nana vibra fortemente. Ao checar, ela vê uma notificação de diversas mensagens não lidas, duas sendo do Zaki.

Onde diabos ele foi??? — Nana pergunta para si mesma.

“Desculpa, mas estou muito desconfortável com esse pessoal. :( Estou indo pra casa.”

“Boa sorte com o garoto.”

— Filho da puta… — Nana diz furiosa.

Enquanto isso…

Enquanto Nana se diverte com seu novo namoradinho, Zaki está voltando sozinho para casa em um ônibus relativamente vazio, um dos últimos que passaria por aquela região. Ele, entristecido, se recusa a soltar qualquer lágrima, pois não via motivo para isso. Mas um sentimento de estranheza o machuca por dentro. Estar em um lugar estranho com gente estranha e poderosa não é algo que Zaki está acostumado. Então, depois do comentário de Michiru, isso só piorou. Apesar de ter feito isso pela Nana, ele chegou no limite e saiu sem que ninguém percebesse. Infelizmente, considerando a distância entre a boate e a sua casa, Zaki ainda teria muito tempo para ficar imerso em seus pensamentos.

Depois de duas horas de viagem, Zaki finalmente chega na sua rua. Ainda faltava algumas quadras para chegar em casa, mas ao menos estaria em casa. Ele caminha de cabeça baixa pela rua, com as mãos nos bolsos, levantando a cabeça apenas quando precisa atravessar alguma rua para checar se algum carro vindo.

Ao chegar na porta de casa, seu celular começa a tocar diversos sons de notificações. Mesmo sabendo que as mensagens são da Nana, ele decide parar e checar as mensagens.

“SEU ARROMBADO MISERÁVEL, ONDE VOCÊ TÁ??? *Três rostos vermelhos de raiva*”

“Cara, tu podia ter me dito que você não estava se sentindo bem. Não precisava sair assim.*Rosto triste*”

“Nesse exato momento acabei de ter a melhor foda que tive em semanas e não estou feliz, apenas porque meu amigo saiu sem falar nada! *Rosto vermelho de raiva*”

“Sorte sua que estou muito bêbada e só volto pra casa na segunda. Se não fosse por isso, eu já estava batendo na sua porta nesse exato momento.”

“Ao menos me avise quando chegar, ok? Preciso saber se você está bem.”

Zaki para e pensa por um momento. No fundo, ele adoraria deixar a mensagem em branco só de raiva. Mas, por valorizar sua amizade com Nana, ele apenas deixa um sinal de joia e desliga o celular logo em seguida. Então, ele entra em casa, deixa seus sapatos na porta e dá uma rápida olhada na sala para ver sua mãe.

Boa noite, mãe. — Zaki diz desmotivado.

Boa noite, filho. Como foi hoje? — Misa pergunta carinhosamente.

Ah… eu falo depois. Preciso de um banho. — Zaki diz desmotivado.

Após isso, Zaki subiu até seu quarto, largou suas coisas na sua cama e se jogou nela, caindo de cara no travesseiro, exausto.

Inferno de vida!!! — Zaki grita no travesseiro.

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