~Taynori Hunter~
Prólogo
Rika Yato é uma mulher comum. Nascida em dois mil e quatro (2004), Ela passou toda sua vida morando no Japão, onde cresceu, estudou e fez fortes amizades. Porém, Rika se destacava em círculos sociais pelo seu jeito “masculino”. Mas, criada em um ambiente onde atos tradicionais eram mantidos, Ela não conseguiu explorar esse lado até completar dezessete anos, quando Ela pôde finalmente se conhecer e se descobrir como homem. Levaria ainda algum tempo para Ele se assumir Trans para sua família.
Nesse meio tempo, Rika estudou e se formou em medicina, buscando entender mais a respeito do corpo humano e desejando poder ajudar pessoas. Seus estudos o levou a conhecer Nana Yamane, a mulher que se tornaria sua melhor amiga. Aos vinte e quatro anos, com suporte e motivação da Nana, Rika, agora conhecido como Zaki, havia começado seu tratamento e, então, finalmente se assumiu Homem Trans para sua família, que o recebeu de braços abertos, mas ainda estranhando a “escolha” do homem.
Porém, as coisas mudavam rapidamente no mundo. Em dois mil e vinte nove (2029), DreamLand Labs, uma indústria farmacêutica Estadunidense, colocou os pés no solo nipônico, o que parecia ser algo maravilhoso no começo, considerando sua fama internacional. Porém, aos poucos, Japão foi mudando. Novas leis foram criadas e as pessoas estavam mudando junto. Eventualmente, tais leis começaram a afetar a rotina de Zaki. Ele, que já estava se acostumando a usar roupas masculinas e a ser tratado como homem, teve que voltar a sua antiga rotina feminina. Infelizmente, sendo apenas um cidadão comum, nada pode ser feito… Ao menos era o que ele achava. A vida de Zaki sofrerá mudanças bruscas.
Capítulo 1
Vivendo Uma Farça
Toyama, Japão
7 de Março de 2029
17:53
Após um longo dia de trabalho, Zaki e Nana caminham cansadas pela cidade durante o anoitecer. É possível ver o céu avermelhado do pôr do sol enquanto a dupla caminha pela longa calçada movimentada da cidade. Não há um momento sequer que ambos não param no meio do caminho para olhar alguma loja que lhes interessam. Mas, na realidade, só querem ir para o shopping para comer alguma coisa. Como uma boa dupla, ambos conversavam o caminho inteiro, contando o dia de cada um como se fosse a coisa mais horrível da vida. Mas, apesar do cansaço, Zaki e Nana arrumavam forças para se divertirem.
Eventualmente, a dupla chegou em uma das várias redes de fast food e ficaram esperando na fila até serem atendidos. Mesmo com todo mundo ao redor, isso não os impedia de continuar a falar como dois Uguisus*.
— Eu juro por tudo que é mais sagrado, se ele me chamar mais uma vez pra segurar as merdas dele só porquê ele quer parar pra fumar, eu vou enfiar todos aqueles cigarros dele onde o sol não bate! — Nana ameaça brincando.
— Nunca vi alguém que fuma tanto igual ele. Nem uma chaminé solta tanta fumaça igual aquele idiota. — Zaki comenta, também brincando.
— Tipo, ele só tem um trabalho: Cuidar dos pacientes internados. Ai o que ele faz? “Oh, eu vou fumar e já volto. Olha eles ai pra mim”. — Nana zombou imitando seu colega. — Ai eu tenho que parar o que to fazendo só pra garantir que ninguém vai se jogar da cama sem querer ou algum aparelho vai desligar. Nunca vi alguém tão irresponsável na minha vida! — Termina levemente irritada.
— Eu só me pergunto como foi que ele conseguiu doutorado. Ele é o menos apto para estar lá, mas está mesmo assim. — Zaki queixa-se.
— Na real? Eu acho que nem doutorado ele tem. — Disse Nana convencida. — Quer dizer… ao menos eu nunca vi. Mas também nem o chefe viu. — Termina.
— É cada merda que a gente testemunha… — Zaki resmunga.
— Próximo! — Grita a atendente.
— Pede os nossos lanches. Vou procurar uma mesa. — Zaki a avisa.
— Tá, vai lá. O de sempre, certo? — Nana pergunta.
*Uguisu: Pássaro japonês cujo o canto pode ser escutado a quilômetros.
— O de sempre. — Zaki confirma enquanto já se distancia.
Deixando Nana no balcão de atendimento, Zaki começou a procurar uma mesa vazia, de preferência, longe de outras pessoas. Não demorou para encontrar uma mesa para quatro pessoas próximo de outra rede de fast food. O diferencial de um para outro é que esse tem uma TV no balcão de atendimento para os clientes assistirem enquanto esperam.
Decidido, Zaki se sentou naquela mesa e ficou esperando por Nana. Enquanto isso, ele pegou o celular e começou a checar suas redes sociais. Mas, enquanto esperava, algo na TV chamou sua atenção. Era o noticiário das dezoito. A repórter está em frente a um dos prédios da DreamLand Labs.
— Estamos no centro de Toquio, em frente a um dos prédios da DreamLand Labs. Estou aqui com Keiji Yamachita, atual chefe da divisão japonesa e inventor da primeira máquina de mudança de sexo. Poderia nos explicar como isso funciona? — Apresenta o repórter.
Ao ouvir isso, Zaki concentrou toda sua atenção para ouvir a TV em meio a uma sinfonia de vozes ao seu redor.
— É uma máquina complexa em sua funcionalidade, mas simples em seu dever. O usuário entra na capsula e a máquina analisa o corpo do usuário e determina como sairá no resultado final. É uma cirurgia completa, menos complicada e menos arriscada do que seria de métodos convencionais. — Keiji explica calmamente.
— Será vendida para hospitais ou será exclusiva da DreamLand? — Pergunta o Repórter.
— No momento, distribuiremos para seletos hospitais e abriremos as portas para os primeiros trezentos pacientes que se cadastrarem nos próximos cinco dias. Caso todas as cirurgias sejam um completo sucesso, distribuiremos para hospitais do mundo todo. — Keiji explica.
— Muito obrigado, Sr. Keiji. Continuaremos com as principais notícias do estúdio. — Disse o Repórter encerrando a transmissão.
De repente, Nana apareceu colocando as bandejas com os lanches em cima da mesa, assustando Zaki.
— O que foi? Viu um fantasma? — Nana pergunta rindo.
— Você chega sem fazer nenhum barulho, assombração! — Zaki responde rindo envergonhado.
— O que foi, por que tava tão vidrado na TV? Tem alguma coisa boa passando? — Nana pergunta.
— Não não, eu só tava prestando atenção no noticiário. — Zaki responde.
— Tava falando do que? — Nana pergunta enquanto segura seu lanche, pronta para dar a primeira mordida.
— A DreamLand Labs criaram uma máquina de mudança de sexo. Consegue acreditar? — Zaki ironiza.
— Os mesmos responsáveis pela lei que tá atrasando sua vida? — Nana pergunta ironizando.
— Os mesmos. — Zaki responde enquanto come suas batatas.
— O que será que deu neles pra mudarem de ideia? — Nana se questiona.
— Não sei, mas acho que vou lá. — Zaki diz enquanto come suas batatas.
— Sério? Sem mais nem menos? — Nana pergunta surpresa.
— Eu to esperando a chance pra me livrar desse corpo faz anos. Essa é a oportunidade de ouro! Eu finalmente vou poder ser eu mesmo! — Zaki responde animado.
— Bem… sim. Mas aconselharia a procurar mais a respeito. Afinal, é a DreamLand que estamos falando. — Nana aconselha com um leve tom de alerta.
— Eles são bem quadrados, mas acho que não devem ser tanto assim. Afinal, eles estão se redimindo. — Zaki argumenta.
— Ou estão fazendo isso pra tirar uma grana extra. — Nana argumenta.
— Pode ser também. — Zaki concorda.
Assim que terminaram de comer, a dupla se levanta e saem da praça de alimentação. Alimentados e com tempo sobrando, eles decidem dar uma caminhada pelo shopping apenas para olhar as lojas.
Durante a caminhada, a dupla encontra uma loja de roupas. Atraídos pelas roupas na entrada, decidem entrar e olhar o que mais eles têm no estoque. Mas, ao entrarem, a dupla se separa. Nana foi direto para a seção feminina enquanto Zaki foi para a seção masculina.
Olhando as roupas masculinas, Zaki encontrou uma jaqueta de couro bege e começou a analisar a peça de roupa como um tesouro sagrado. Lentamente, ele começou a trazer a peça de roupa para si, como se fosse vestir a qualquer segundo. Mas, de repente, uma funcionaria da loja o chama.
— Boa noite, senhora. Procura alguma roupa para presentear seu namorado? — A Atendente pergunta gentilmente.
— Er… sim… estou sim. Você tem alguma peça tamanho M? — Zaki pergunta envergonhado.
— Temos sim. — A Atendente responde enquanto mexe na pilha de roupas.
Enquanto a atendente procura outra jaqueta, Nana surge salteando com um vestido azul com fitas vermelhas na cintura por cima da sua roupa comum.
— E ai, o que acha? — Nana pergunta posando com uma mão na cintura e outro no peito.
— Melhor que você com esse vestido é você sem ele. — Zaki responde soltando um sorriso malicioso.
— Isso que dizer que está horrível ou foi um elogio? — Nana pergunta confusa.
— O que soar mais interessante pra você. — Zaki responde tirando o sorriso do rosto.
— Aqui, Senhora. — A Atendente diz entregando a jaqueta tamanho M.
— Obrigada… — Zaki agradece nervoso. — Eu vou pro caixa. Quer que eu leve seu vestido? — Pergunta.
— Leva, mas vou dar mais uma olhadinha e já te encontro lá. — Nana diz enquanto retira o vestido e entrega para Zaki.
Enquanto Nana escolhe mais alguma roupa, Zaki foi para o caixa com sua jaqueta e o vestido. Infelizmente, uma fila com três pessoas o impede de pagar e sair logo da loja. A sua interação com a atendente, por mais que miníma, foi o suficiente para incomodá-lo. Com seu tratamento paralisado, Zaki continua sendo assombrado pela realidade na qual ele vive. Se sente deprimido por continuar a alimentar uma mentira, continuar sendo quem ele nunca foi. Quanto mais tempo naquela fila, mais inquieto sua mente fica, apenas pensando no quão bem aquela cirurgia o faria. Mas, com as novas leis, nem corrigir as pessoas que o chamam pelo sexo errado ele podia. Um deslize e mais um pescoço pararia na forca.
Após dez minutos, a vez de Zaki chegou. Ele colocou as roupas no balcão e disfarçou um sorriso para falar com o atendente.
— Boa noite, senhora. É só isso que vai levar? — O atendente pergunta gentilmente.
— Não não, estou esperando minha amiga. — Zaki responde dando uma leve risada de nervoso.
Milagrosamente, Nana surge na melhor hora carregando uma saia de couro curta dourada e uma jaqueta de couro dourada. Vendo que o amigo já está sendo atendido, ela coloca tudo em cima do balcão.
— Desculpa a demora. Eu tava muito indecisa do que levar. — Nana explica apressada.
— Relaxa. Chegou bem na hora. — Zaki diz aliviado.
Sem qualquer aviso, Zaki entrega parte do seu dinheiro para Nana e começa a caminhar em direção à saída.
— Obrigada pelo dinheiro, mas tá indo onde? — Nana pergunta.
— É o dinheiro da minha jaqueta. Vou esperar aqui fora. — Zaki responde neutro se encostando na porta.
Zaki ficou evidentemente entristecido pelo tratamento. A cada segundo que ele se lembra da realidade, seus pensamentos pioram. Sua mente entra em um severo conflito entre tristeza e raiva, incerto se tudo isso não se passa apenas de uma piada de muito mal gosto de Deus. Novamente, sua mente flutua no pensamento de que sua existência não passa de um erro e seus sonhos, por mais próximos que pareçam, estão distantes e inalcançáveis. Felizmente, Nana surge com as compras e chama a atenção de Zaki, cortando seu pensamento.
— Tó, segura. — Nana diz entregando a sacola com a jaqueta.
— Hã?… ah, obrigada. — Zaki agradece se confundindo por um momento.
— Oi? O que foi que você disse? — Nana estranha.
— E-Eu só me confundi um pouco. Ignora. — Zaki explica.
— Você não parece muito legal hoje. O que foi? — Nana pergunta preocupada.
— Eu só to me arrependendo de não ter ido direto pra casa. Só isso. — Zaki explica entristecido.
— Ah… acho que sei o que é… Quer que eu te leve pra casa? — Nana pergunta.
— Se não for pedir muito. — Zaki responde.
Com Zaki entristecido e Nana subitamente cabisbaixa, a dupla foi para o estacionamento a algumas quadras dali pegar o carro de Nana. Eles caminham silenciosamente por toda a rua como se estivessem de luto. Zaki olha evita olhar para Nana e Nana não tira seu olhar de preocupação do rosto. Ao chegarem no estacionamento, Nana entra primeiro e abre a porta do passageiro para Zaki, que entra e se senta sem falar nada.
De repente, Zaki começa a chorar em silêncio, ainda evitando olhar para Nana, direcionando seu olhar para a janela. Os pensamentos haviam retornado. Mesmo sabendo que ainda existe um pingo de esperança, sua mente diz incessantemente frases negativas como: “Você nunca será normal.”, “Você não passa de um fracasso.” e “Sua existência é nada além de um fardo na terra.”. Essas frases o acompanham por um longo tempo, sempre retornando e o ferindo cada vez mais como uma faca constantemente rasgando o coração. Mas, de repente, sua tristeza foi, novamente, tomada por raiva, pois ele sabe quem é o responsável por sua vida ter sido paralisada dessa forma. Sem qualquer aviso, Zaki bate na porta do carro gritando.
— MALDITO TOM REED!!! — Zaki vocifera.
De repente, pessoas que caminham pela calçada olham assustadas em direção ao carro de Nana. Então, após poucos segundos, eles continuam indo em frente.
— Obrigada pela atenção. Muito bom. — Nana reclama.
— Desculpa, eu só… — Zaki tenta se explicar, mas as palavras lhe escapam.
— Tudo bem, eu entendo. Tenho meus motivos pra odiá-lo também. — Nana admite. — Desgraçado fez o mundo inteiro regredir. Havíamos feito tantos progressos… — Explica enquanto liga o carro.
— É… — Zaki concorda desmotivado.
— Mas enfim, vamos logo pra casa. — Nana diz enquanto acelera o carro.
Após alguns minutos dirigindo pela cidade, A dupla sai do centro e chegam em uma área um pouco mais verde. Longe do foco de olhares, ambos começam a se sentir confortáveis.
— Finalmente! Esse silêncio já estava me deixando agoniada. — Nana resmunga enquanto liga o rádio do carro.
— Por que não ligou antes? — Zaki pergunta levemente desinteressado na resposta.
— Porque eu só ouço música proibida. — Nana responde com um sorriso no rosto enquanto coloca o CD no rádio.
Por curiosidade, Zaki pega a capa do álbum e começa a analisar estranhando a arte bizarra: Um esqueleto com as tripas saindo do corpo vestindo um colete e pilotando um trator-tanque enquanto bebe cerveja, em um mundo cheio de crânios e ossos no chão.
— Fastkill, Bestial Thrashing Bulldozer… Que arte estranha. — Zaki comenta.
Quando a música começa a tocar, Zaki se assusta com o súbito grito seguido dos sons frenéticos de guitarra, bateria e baixo tocando ao mesmo tempo em um ritmo veloz e sombrio. Enquanto isso, Nana começa balançar a cabeça para cima e para baixo como louca enquanto balança a perna sutilmente. Zaki, por outro lado, apenas a olha com estranheza, tentando entender o que diabos está acontecendo com a música e com Nana.
— Você tá bem? Tem certeza que está boa pra dirigir? — Zaki pergunta estranhando.
— Apenas relaxe e curta o som. Ainda temos alguns minutos de viagem pela frente. — Nana responde calmamente.
Zaki se encosta no passageiro e checa mais uma vez se o cinto de segurança está bem preso. Sem muitas opções do que fazer, ele apenas tenta relaxar e absorver a estranha música. Não demora para ele começar a mexer seu pé involuntariamente ao ritmo da bateria. Antes que pudesse perceber, ele já está balançando a cabeça como Nana. Apesar de achar estranho, ele não queria parar.
— Isso… esse som é legal. — Zaki admite enquanto acompanha o ritmo.
— Não é? E o governo quer que a gente ouça aquelas músicas sem graça das rádios. — Nana resmungou.
Neste momento, finalmente a mente de Zaki havia silenciado, sendo tomado pela música. O clima de tristeza abandonou completamente o veículo.
Quando a dupla finalmente chega na casa de Rika, Nana se obriga a abaixar o som do rádio. Se alguém ouvisse, as chances de chamarem algum policial era enorme.
— Tá, é aqui que nos despedimos. Vai trabalhar amanhã? — Nana pergunta.
— Infelizmente. Antes de qualquer coisa… posso te fazer uma pergunta? — Zaki pergunta receoso.
— Claro. Diga. — Nana responde.
— Você vai se incomodar se eu… fizer… a cirurgia? — Zaki pergunta nervoso.
Sem falar nada, Nana encosta a cabeça no banco, olhando para o teto do carro pensativa.
— Você realmente quer fazer isso, não é? — Nana pergunta calmamente.
— Eu tenho outra escolha? — Zaki pondera.
— Adoraria que tivesse… — Nana admite. — Não, eu não me incomodo. Quer dizer, eu me incomodo, mas não pela cirurgia…
— Então? — Zaki pergunta.
— É a DreamLand que está envolvida. Eu não sei por que, mas eu não estou confiando muito nisso. Deve ter algo errado. — Nana admite preocupada.
— Eu sei que eles estiveram fazendo muitas idiotices ultimamente, mas eu não tenho outra escolha! Eu já estou cansado de alimentar essa mentira. Eu só fiquei mal hoje porquê me lembraram o dia todo que eu ainda sou uma mulher. Pareço uma? Sim. Eu SOU uma? Eu passo longe de ser! — Zaki desabafa. — Você não faz ideia do que é viver uma vida toda com o sentimento de que você não pertence ao próprio corpo. Isso me corrói tanto por dentro que eu não sei mais até quando eu vou aguentar. Isso só piora quando lembro que eu já teria resolvido esse problema se aquele filho da puta do Tom Reed não tivesse se intrometido! — Continua a desabafar.
— É… eu sei. — Nana responde decepcionada. — Se você quiser fazer, faça. Afinal, eu quero o melhor pra você. Eu ainda vou ser sua amiga. Eu só me preocupo com aquele nome maldito envolvido nisso. — Explica.
— Não precisa se preocupar. Tenho certeza que vai dar tudo certo. Posso contar com você? — Zaki pergunta levantando o punho esperando que Nana saiba o que fazer.
— …É, talvez eu esteja pensando demais. Vai lá, gato! — Nana responde batendo punhos.
— Obrigado. Te vejo amanhã. — Zaki despede com um sorriso no rosto. O único durante toda a viagem.
— Se cuida. Até. — Nana despede com um leve tom de preocupação.
Ao sair do carro, Zaki vai direto para a casa enquanto Nana vira o carro para retornar o caminho que fizeram.
— Mãe, cheguei! — Zaki grita ao entrar em casa.
Zaki retira os sapatos na entrada e vai direto para sala, onde ele encontra sua mãe, Misa Yato, uma senhora de idade, sentada no sofá assistindo TV. Cansado devido a mais um dia de trabalho, ele decide fazer companhia à sua mãe no sofá. Mas, antes eles se abraçam.
— Boa noite. Como foi o trabalho, filha? — Misa pergunta gentilmente.
— Poderia ter sido melhor. Ao menos saí mais cedo hoje e pude ficar um tempo com a Nana. — Zaki responde sem muita empolgação. — E a senhorita Misa, comeu o almoço que deixei preparado ou esqueceu de novo? — Pergunta.
— Claro. Não é todo dia que esqueço. — Misa responde soltando uma leve risada. — Aliás, estava uma delicia! Você melhorou bastante seus dotes culinários. Andou buscando por receitas novas, não? — Pergunta.
— Obrigado. — Zaki agradece soltando um sorriso — E sim, andei dando uma olhada em algumas receitas novas. Posso fazer uma sobremesa pra nós amanhã. — Sugere empolgado.
— Se não for pedir muito. Tenho certeza que vai ser uma delicia. — Misa incentiva.
Sem mais o que acrescentar naquele assunto, Zaki fica em silêncio, apenas observando a TV sem sequer ouvir o que estava passando. Ele só quer ouvir a opinião de sua mãe em um tópico que ele já havia discutido com Nana.
— Mãe, você assistiu ao noticiário da tarde? — Zaki pergunta.
— Sim, por quê? — Misa responde.
— Você viu o novo anúncio da DreamLand Labs? — Zaki pergunta, ficando um pouco nervoso.
— Eu ia lhe perguntar a mesma coisa. Você quer fazer? — Misa pergunta com um sorriso.
— Sim, eu adoraria fazer. Eu só queria saber sua opinião a respeito. — Zaki responde nervoso.
— Você esteve esperando muito tempo por isso, não esteve? Eu adoraria ver minha filha feliz. Eu deveria dizer… filho. — Misa incentiva com um sorriso no rosto.
— Obrigado, Mãe! — Zaki agradece alegremente dando um abraço em sua mãe.
— Mas você promete que você será você mesmo, né? Eu não quero ter que criar minha filha tudo de novo. — Misa pergunta preocupada.
— Sem tirar, nem por. Pode ficar tranquila! — Zaki responde animado. — Eu vou ir fazer meu cadastro. Já volto! — Informa enquanto se levantando do sofá e correndo para seu quarto.
Sem perder tempo, Zaki sobe animado as escadas até seu quarto como um jato. Ele liga seu computador e pega o celular na sua bolsa, jogando a bolsa na cama logo em seguida.
— Não esperava que minha mãe fosse dar mais apoio do que a Nana. Incrível. — Zaki comentou para si mesmo.
Assim que o computador liga, Zaki procura o número para ligação e o site principal da DreamLand Labs. Encontrando ambos, Zaki começa a ligar e, ao mesmo tempo, acessa o site.
— Boa noite, este é o número da DreamLand Labs? — Zaki pergunta.
— Sim, como posso ajudar? — A atendente responde e pergunta.
— Meu nome é Rika Yato. Eu gostaria de fazer meu cadastro para o programa de transição de sexo que vocês anunciaram hoje. — Zaki responde animado.
— Boa noite, Rika. Você vai mudar para homem, correto? — A Atendente pergunta.
— Sim, isso mesmo. — Zaki confirma.
— Certo. Felizmente, você pegou a última vaga disponível. Estou marcando sua cirurgia para o dia de inauguração, tudo bem? — A Atendente pergunta.
— Claro, melhor ainda! — Zaki responde eufórico.
— Certo. O local da cirurgia será no Hospital Fujikoshi. — A atendente informa.
— Obrigado. Tenha uma boa noite. — Zaki despede.
Ao desligar o celular, Zaki começa a rir, saltitar e dar socos no ar de felicidade. Uma súbita corrente de euforia começou a passar pelo seu corpo. Depois de anos de espera, finalmente Rika Yato se tornaria Zaki Yato. Agora, tudo que bastava era esperar
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