sexta-feira, 6 de março de 2020

Minha Experiência com Up!ABC

~Legends Hunter~

Senta que lá vem história
 
Aviso: Essa é uma história real, sendo a MINHA experiência com os eventos Up!ABC de 2014 e 2018. Também, como ainda não havia me aceitado como mulher-trans, estarei descrevendo os fatos no sentido MASCULINO!

Up!ABC comemora 15 anos de eventos com mais um evento em Abril, no dia 18 e 19. Algo muito bacana, já que não fazia ideia da existência disso até 2014. Por que não comemorar esse aniversário contando um pouco da MINHA experiência com os eventos?

Evento de  2014
Em 2014, eu e uma amiga (Francielle, que também já fez parte do blog) fomos ao Up!ABC 2014 (Caça ao Tesouro, se não me engano). Como esse era o meu PRIMEIRO evento de anime que eu iria ir, estava nervoso e confuso. Saímos de Ribeirão Pires e fomos para Santo André. De lá, pegamos a van que nos levou até o evento, como combinado. Chegando lá, encontramos mais algumas amigas que temos em comum e outras pessoas que elas conheciam. Dali em diante, coisas aconteceram.
    O evento em si era como qualquer evento de anime: Grande, cheio de gente com cosplay e vários lugares para comer e jogar. Passamos as primeiras horas do evento andando pelo prédio, olhando o lugar, tirando fotos (Pelo menos ELAS estavam) e depois fomos comer. Havia muitas salas de jogos mas, infelizmente, não me sentia confortável o suficiente para jogar. Nada realmente relevante aconteceu esse ano, mas vale a pena citar por motivos comparativos. A única parte ruim do evento foi a ansiedade que estava me atacando ali. Pois estava em um lugar desconhecido, cheio de gente que não conheço e com temática que eu NÃO era totalmente ligada. Sem falar que, como essas amigas eram os únicos rostos conhecidos dali, raramente me distanciava delas. Foi uma primeira impressão esquisita, o que me deixou bem distante por 4 anos.

O Evento de 2018
Em 2018, eu já estava decidido que não iria em eventos de animes. Não era meu lugar, não me sentia confortável em eventos e já havia entendido isso. Porém, nesse ano, uma amiga insistiu que eu e mais um grupo fossemos ao evento. Enquanto elas já estavam querendo, eu ainda estava bem relutante. Depois de um tempo, acabei concordando. Olhei no site e nas páginas do Facebook sobre o evento e o que teria lá e acabei concordando em ir. Comprei o ingresso antecipado, deixei esse dia em especifico livre e o grupo já havia CONFIRMADO que iria ir. ÓTIMO!
    No dia, eu apenas tinha dinheiro para passagem de ida, comida e volta. SÓ! (Nessa época, ainda não estava trabalhando. Quando cheguei em Santo André como instruído pelo site, fiquei na entrada da estação aguardando pela Van que iria buscar quem fosse para o evento. Aguardei 1 HORA ali, esperando a tal Van e nada apareceu. Como eu ainda não sabia a direção para chegar lá e muito menos sabia que a Estação Utinga parava na FRENTE do prédio do evento, tive que dar meu jeito de chegar lá e não fazer os 30 reais que gastei no ingresso fosse gasto em vão.
    Ao lado da estação havia um posto policial. Perguntei para eles se eles sabiam onde ficava a Universidade Anhanguera. Eles me deram a direção exatamente para a Universidade... Mas deram para a Universidade ERRADA! Saí da estação e fui direto para o centro de Santo André, onde encontrei o prédio que eu já sabia que era o errado. Como a merda já tava feita, precisava voltar para a estação. Tecnicamente, era só voltar pelo mesmo caminho que fui, correto? Sim. Uma pena que meu senso de direção me falhou nesse dia, pois me perdi completamente no centro. Assim começou jornada para voltar para a estação de trem.
    Enquanto procurava o caminho de volta, comecei a pedir informações para quem podia. Nessa brincadeira, encontrei uma moradora de rua que não sabia o caminho para a estação, mas sabia a história e origem de navios da marinha; Uma palhaça de rua que estava com raiva do governo e o quão injusto é o Brasil. Então, finalmente encontrei a estação.
    Quando FINALMENTE encontrei a estação, descobri que, atrás do ingresso, havia o endereço EXATO de onde era o lugar. Preciso nem dizer o quão estupido estava me sentindo, certo? (E isso era só a ponta do iceberg). Dali, comecei a minha jornada pelo VERDADEIRO prédio do evento. E isso me levou para a maior caminhada que já tive em minha vida: Da Estação Santo André até Utinga.
    Novamente, segui caminho perguntando a direção para pessoas na rua. Muitas não sabiam onde era, outras sabiam que era só seguir reto pela estrada. Mas, no geral, todas me pediam para pegar um trem e ir até Utinga. Como não tinha dinheiro para pegar trem novamente, tive que seguir o caminho a pé.
    Nessa jornada encontrei vários tipos de pessoas, incluíndo duas travestis super gente boa que até fiz um pouco de amizade. Infelizmente, elas também não sabiam a direção (Mas se vestiam muito bem). Eventualmente, comecei a encontrar mais pessoas que sabiam o caminho exato. Estava chegando perto!
    Depois de quase duas ou três horas de caminhada, eu já não estava mais aguentando. O sol estava quente, não estava aguentando o calor e meus pés estavam me matando. Em certo ponto, já não estava mais nem conseguindo ficar de pé direito. Depois de tanto descer e subir rua, errar caminhos e ter que parar pessoas estranhas na rua, tive que parar para descansar, nem que tivesse que sentar na rua mesmo. Nesse momento, tirei a blusa que estava usando, me sentei na calçada e parei para descansar e respirar. Quando finalmente consegui um pouco mais de folego para continuar, encontrei um barzinho que parecia que estava ali apenas para me salvar. Com peso na consciência em ter que gastar parte do dinheiro da comida, comprei um picolé, o mais barato possível e uma garrafinha de água. Com isso, pude recuperar um pouco das minhas energias e descansar. De certo modo, eu me arrependi dessa escolha, pois, depois de mais alguns minutos andando, finalmente encontrei o prédio do evento. O alivio que senti é indiscritível. Apenas queria entrar e encontrar minhas amigas.
    Assim que entrei no evento, já notei logo de cara que as coisas mudaram bastante de 2014 para 2018, mas, por algum motivo, sentia que havia MENOS salas e atrações que 2014, o que me deixou bem incomodada. Mas havia acabado de entrar no evento, então podia ser só impressão. Continuei andando pelo evento procurando minhas amigas até que, finalmente, encontrei UMA delas e ela estava acompanhada de gente que eu não me misturava, gente que eu realmente detestava. Quando pergunte a ela onde as outras estavam, imagine minha raiva e surpresa ao ouvir que ela foi a ÚNICA que estava no evento. Não apenas havia me matado para ir em um evento que não estava afim, mas também as pessoas que eram o motivo de ter ido não foram e a única que foi iria ficar acompanhada de gente que detesto.
     O resto do evento foi pura lástima. As atrações não eram interessantes. As comidas eram caras, os jogos que haviam disponíveis não me interessavam e os jogos que disseram que iria ter não tinham. Todo o evento e a situação em si me deixou num estado miserável. Para piorar a situação, comecei a passar mal no evento. Pensei que fosse fome, pois havia passado muito tempo andando e não havia comido nada significativo. Com o pouco de dinheiro que eu tinha, comprei um pacote de batatas chips e uma coca pequena, sobrando dinheiro apenas para as passagens de volta. Mas, mesmo depois de comer, ainda estava passando mal. O que era um pequeno mal estar virou uma dor insuportável pelo corpo, dores estomacais e uma dor angustiante nas pernas. Para piorar a situação, aquela única amiga sumiu completamente do evento. Não importa o quanto eu andasse, não a encontrava de jeito nenhum. Eventualmente, desisti completamente do evento e fui embora, seguindo caminho o mesmo caminho que fiz para chegar.
     Dessa vez, eu já sabia o caminho que devia tomar, mas o que eu havia esquecido é que havia estações de trem próximas, que facilitariam muito minha vida. Andei todo o caminho de volta, fazendo mais pausas para descansar que o normal, já que estava completamente frágil de tanta dor.
     Depois de tanto sofrimento (desnecessário), finalmente peguei o trem de volta para Ribeirão Pires, peguei o ónibus de volta para casa e ainda tive que andar mais 20 minutos. Quando finalmente cheguei, tomei uma garrafa de água e pude descansar finalmente. Infelizmente, depois desse dia, passei 15 dias de cama sofrendo de uma dor horrível que não esperava sentir. Desde então, decidi nunca mais ir em um evento nem que me arrastem. Obviamente, toda vez que vejo algo da Up!ABC eu tenho flashbacks do vietnam.
Tudo isso foi horrível. A perda de dinheiro, a falta de comprometimento das minhas amigas, a falta de informação e atualização dos sites e páginas, mas também tudo por minha culpa por não ter pesquisado uma rota mais rápida e fácil de ir até o local. Hoje em dia eu trabalho como entregadora e tenho meu dinheiro, mas a vontade de ir em eventos morreu completamente. Sem falar que eu fico levemente engatilhada quando vejo aquele prédio laranja toda vez que passo por Utinga.

E essa é minha história. Absolutamente irrelevante, desnecessária e totalmente fora dos meu planos, mas é algo que achei interessante de públicar. Afinal, pessoas gostam de ver idiotas se fodendo. Se há uma história que levarei pelo resto da minha vida, essa com certeza é a história.

Vejo vocês na próxima postagem!
 

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