~Taynori Hunter~
Capítulo 4
Passado Esquecido
Aos poucos, Zaki desperta em uma sala com iluminação fraca, paredes escuras e com corpos pendurados no teto por ganchos. Ele não consegue sentir seu corpo, mas consegue mover a cabeça, observando os arredores com a visão turva. Ele vê um médico mexendo com vários equipamentos tecnológicos em um lado. Do outro lado, uma mesa com várias ferramentas de cirurgia podem ser vistas. Ele olha para seu corpo e vê um enorme corte em seu peito suturado, como se houvesse acontecido algum tipo de experimento. Ele fica apavorado, mas não consegue se mover, gritar ou gemer. Então, o médico se vira, revelando ser um homem velho, com barba rasa e uma aparência sofrida. Ele caminha em direção ao Zaki e pega uma faca da mesa.
— Sinto muito, minha filha. Você não deveria ter se envolvido nisso. Eu não vou deixar você cair nas mãos deles. Absolutos monstros! — O médico diz em um tom de remorso e culpa.
O médico segura a faca com firmeza, pronto para enfiar no coração de Zaki. Mas, de repente, um tremor o abala e o faz cair. Então, de repente, um soldado vestindo uniforme branco invade a sala e puxa o médico.
— O que está acontecendo??? — O médico pergunta apavorado.
— Temos que tirá-lo daqui. O prédio vai desabar! — O soldado respondeu calmamente.
— O que!? Não! Temos que tirar eles daqui primeiro! — O médico vociferou.
— Outra equipe resgatará as cobaias prontas. Vamos! — O soldado ordenou.
— E ele? Seu desenvolvimento ainda não foi concluído! — O médico avisou apontando para Zaki.
— Deixe-o morrer. Não é ninguém importante. — O soldado diz calmamente. — Agora vamos! — Ordena.
Deixado para morrer, Zaki fica deitado em uma mesa, observando o prédio tremer violentamente. Eventualmente, a mesa tomba, o fazendo cair de costas no chão, imóvel. Com a queda, ele acaba apagando novamente, sendo passos a última coisa que ele consegue ouvir antes de desmaiar.
Zaki desperta em uma cama de hospital, confuso, fraco, visão turva e severas dores pelo corpo. Ele olha ao seu redor tentando ver algo reconhecível, mas ele sente como se fosse tudo novo. De repente, ao ouvir um barulho vindo do corredor, ele se assunta ao ver uma mulher correndo passando por sua porta. Então, após alguns segundos, a mesma mulher entra em seu quarto com um médico ao seu lado.
— Oh, vejo que finalmente acordou. Bem-vindo ao mundo real! — O médico diz em um tom amigável.
— Onde estou? Quem são vocês? — Zaki perguntou lentamente com a voz fraca.
— Não importa quem somos, apenas que você está vivo. Você esteve nesta cama por um longo tempo, sabe. Já estávamos preocupados, não sabíamos se você conseguiria sobreviver. — O médico diz.
— Eu estive aqui por quanto tempo? O que aconteceu? — Zaki pergunta.
— Bem, você foi resgatado de um desmoronamento e trazido para cá com severos ferimentos e cortes. E… bem, surpreendentemente, você apenas ficou em coma. — O médico explica.
— Coma!? — Zaki se espanta. — Por quanto tempo??? — Pergunta.
— Temo que já faz sete meses. — O médico responde.
Em silêncio, Zaki absorve as palavras do médico. Ele fica pensativo, com os olhos inquietos, pensando no que poderia ter acontecido nesses sete meses. De repente, Zaki começa a convulsionar na cama, como se tivesse tentando escapar, mas seu corpo não responde como deveria. A enfermeira, então, o segura enquanto o médico o seda, o fazendo dormir mais uma vez.
No dia seguinte, Zaki desperta ainda mais fraco no anoitecer. Com pouques médiques e enfermeires, Zaki arrisca tentar se levantar da cama. Lentamente ele se senta, move suas pernas para fora da cama e as deixa caírem, como se fossem duas bigornas presas em seu corpo. Ele fica relutante, sem saber se conseguiria levantar com tamanha fraqueza. Mesmo sabendo do risco, ele decide pular da cama, o fazendo cair como uma pedra no chão frio. Vendo uma cadeira próxima da janela, ele se arrasta até ela apenas para sentar e observar a cidade no por do sol. Por estar anoitecendo, as ruas não estavam tão movimentadas. A cidade parece estar normal, como se nada tivesse acontecido. Aliviado, ele apenas fica sentado na janela, observando o por do sol.
Alguns minutos depois, uma enfermeira entrou no quarto com uma bandeja com comida, maioria líquidos, como sopas e sucos. Espantada ao ver Zaki fora da cama, ela coloca a bandeja em uma mesa de canto e corre até ele.
— Senhor, por favor, volte para a cama! — A enfermeira berra.
— Não. Por favor, me deixe aqui. Quero observar a cidade por enquanto. — Zaki pede.
— Você ainda não está recuperado! Seu corpo precisa passar por vários exames até você poder voltar a andar normalmente. — A enfermeira alerta.
— Tudo bem. Mas me deixe aqui por enquanto. Se puder trazer a bandeja até aqui, ficaria grato. — Zaki insiste.
— Tá… se é o que quer… — A enfermeira diz, se afastando logo em seguida.
Atendendo o pedido de Zaki, a enfermeira leva a bandeja até Zaki e sai do quarto. Zaki apoia a bandeja em suas pernas, tendo um pouco de dificuldade para equilibrar. Sem muitas opções, ele decide comer a sopa com uma mão enquanto mantêm a bandeja em suas pernas. Ele pensa o quão bom seria se a enfermeira tivesse deixado a mesa ao seu lado.
De repente, um médico novo entrou no quarto e parou na porta, observando Zaki antes de começar a falar.
— Rika… Yato? — O médico perguntou calmamente.
Ao ouvir seu antigo nome, uma súbita e angustiante dor atingiu Zaki, o fazendo derrubar a bandeja no chão. Imagens de um passado distante veem em mente, mas ele não consegue identificar nada, muito menos saber o que está acontecendo. Ele sente como se fossem memórias de uma vida que ele nunca viveu.
— Vejo que este nome lhe causou uma reação estranha. Você conhece essa pessoa? — O médico pergunta.
— Não mas… me é familiar. Quem é Rika Yato? — Zaki pergunta, ainda sofrendo com dores.
O médico murmura sons de interesse, como se soubesse de algo.
— Ninguém importante, acredito. — O médico responde.
Mais uma vez, sua mente dói ao ter memórias. Dessa vez, algo que aconteceu no seu despertar.
— Ninguém importante… Ninguém importante… Deixe morrer… — Zaki repete lentamente a frase que ecoa em sua mente.
— Por acaso você se recorda de algo? — O médico pergunta.
— Eu lembro… de uma sala escura… havia gente pendurada e… grandes computadores… — Zaki lembra com dificuldade.
— Hm… entendo. Lembra de mais alguma coisa? — O médico pergunta intrigado.
Várias memórias surgem em sua mente, mas ele é incapaz de entendê-las e identificá-las. Para ele, não passam de momentos foscos, grandes borrões de uma outra vida.
— Eu não consigo lembrar de mais nada… Eu não entendo… — Zaki responde confuso e sofrendo.
— Então já basta. Tente não se forçar. Chamarei uma enfermeira para limpar a bagunça e lhe trazer mais comida. Até… depois. — O médico diz calmamente, em um tom neutro e calmo.
Assim que o médico sai da sala, a dor começa a piorar. Eventualmente, Zaki cede e desmaia mais uma vez.
Em seus sonhos, ele consegue ver uma mulher ruiva de óculos escuros. Uma mulher sorridente, brincalhona e com um estilo chamativo. Ele tenta focar nela, mas não consegue lembrar quem ela é e nem como ela é com clareza. Diversas pessoas começam a passar por ele, diversos rostos, corpos e sexos, pessoas que parecem familiares, mas ele não é capaz de lembrar quem são. Eventualmente, o mundo ao seu redor escurece e ele cai em um abismo.
Acordando algumas horas depois, ele está de volta na sua cama. Todas as luzes estão apagadas e a única coisa iluminando seu quarto é uma TV antiga ligada, exibindo algum filme desconhecido. Seu coração bate acelerado, assustado com sua própria mente, mas aliviado de ter sido só um sonho. Então, de repente, a TV explode em um súbito clarão azul. Logo em seguida, as lâmpadas começam a explodir. Ele se esconde de baixo do cobertor tentando se proteger dos estilhaços. Então, logo após isso, todas as luzes de todo o hospital começaram a explodir uma atrás da outra.
— Mas que porra tá acontecendo!? — Zaki grita apavorado e confuso.
Desesperado, Zaki se levanta da cama e tenta se manter em pé, mas cai e se vê forçado a se rastejar pelo corredor em busca de ajuda. Então, como um milagre, um enfermeiro surge no corredor correndo desesperado tentando fugir das explosões elétricas. Ao ver Zaki no chão, ele o socorre, o levantando e o apoiando no ombro.
— O que está acontecendo??? — Zaki pergunta desesperado.
— Eu não faço ideia! Todos os equipamentos elétricos começaram a explodir de repente! — O enfermeiro explicou apavorado.
No caminho, eles encontram uma cadeira de rodas no corredor. O enfermeiro ajuda Zaki a se sentar e, então, seguem o caminho até a saída com mais agilidade.
Em uma ação burra, o enfermeiro e Zaki tentam escapar usando o elevador principal, onde outros pacientes aguardavam sua vez. Todos se apertando na porta esperando o momento que o elevador chegasse. Mas, assim que a porta se abriu, os pacientes caíram para dentro do poço do elevador, pois o elevador não estava lá. Logo em seguida, um forte estrondo nos assustou. Então, o elevador pôde ser visto caindo do andar superior direto para o fundo do poço.
— MERDA MERDA MERDA!!! — O enfermeiro repete apavorado.
— Use as escadas! — Zaki sugere.
— Você está louco!? Sem chance que vamos conseguir fugir pelas escadas. Ainda mais com uma cadeira de rodas! — O enfermeiro discorda.
— É a única forma de escapar. Prefere ficar aqui? — Zaki argumenta.
O enfermeiro ficou pensativo, pois sabia que Zaki está certo. Com o único elevador de acesso destruído, eles tiveram que usar as escadas para descer. Sendo obrigado, a descer as escadas de costas apenas para evitar que Zaki caia, o ritmo da fuga foi severamente diminuído, o que deixa ambos apreensivos. Mas, eventualmente, ambos chegaram ao térreo, onde corpos chamuscados aguardavam sua chegada.
— Deus… O que aconteceu aqui!? — O enfermeiro sussurra.
— Não pare! Estamos perto já. — Zaki ordena.
Continuando a fuga, eles passam pelo corredor de corpos a frente, mas, de repente, o teto desaba na frente deles, bloqueando o caminho. Sem alternativa, eles voltam o caminho e seguem por outro corredor, passando por uma sala de recepção devastada onde vários outros corpos chamuscados estavam sentados nas cadeiras, vítimas inocentes de algo sobrenatural.
De repente, ao passar pela sala de recepção, Zaki sentiu uma forte energia ao seu redor. Então, eles pararam no caminho. No momento em que Zaki ia dizer para o enfermeiro continuar, ele sentiu algo cair em seu pescoço. Quando ele botou a mão para ver o que era, viu sangue em suas mãos. Ele olhou imediatamente para trás, apenas para ver o enfermeiro morto, caído no chão com sua cabeça estourada em pedaços. Zaki arregalou os olhos, chocado com a rapidez da morte daquele que estava lhe ajudando.
Sem perder tempo, Zaki se viu obrigado a tentar fugir sozinho. Ele empurra as rodas com as mãos o mais rápido que pode indo em direção à saída. Então, de repente, ele voltou a sentir a mesma energia estranha ao seu redor. Ao olhar para trás, ele viu uma figura bizarra lhe seguindo, uma criatura humanoide de pele azul, brilhante como um sol. Imediatamente, Zaki começou a empurrar as rodas o mais rápido que consegue, mas a figura estranha já está em sua cola. Sem qualquer remorso, a figura eletrifica a cadeira e lança Zaki para o chão. Ele continua a tentar escapar se rastejando pelo chão. A saída já está visível, mas, para ele, ainda está distante.
A figura agarra Zaki pelas costas e o levanta como se fosse apenas um saco de lixo, o agarrando pelo pescoço e o eletrocutando levemente. Zaki tentou se soltar, mas a figura nem sequer se movia. Enquanto isso, a figura observa Zaki com curiosidade, inclinando a cabeça como se estivesse vendo alguém conhecido. Mas, inesperadamente, a figura levantou a mão e formou uma espada elétrica como se fosse mágica. Ele tenta atacar Zaki, mas é interrompido por um chute certeiro no rosto, fazendo a figura soltar Zaki.
— Vamos, temos que sair logo daqui! — Diz uma voz feminina.
Ao olhar para o rosto de sua heroína, Zaki viu uma mulher ruiva de óculos escuros, exatamente a mesma que ele havia visto em seu sonho.
— N-Na… — Zaki tentou falar aquilo que sua mente tentava lembrar, mas foi interrompido.
Sem qualquer aviso, a mulher levanta Zaki e o coloca em seu ombro, o carregando até a saída. Enquanto isso, a figura se levanta do chão e voa em direção a eles. Zaki, em um momento sagaz, puxa a arma que ele viu na cintura da mulher e dispara três vezes na figura, acertando dois tiros em sua perna e um no peito, dando tempo suficiente para fugirem.
Do lado de fora, a mulher joga Zaki no banco de trás do seu carro conversível e pula para dentro, direto no banco do motorista. Sem perder tempo, ela liga o carro e acelera, disparando para o mais longe possível daquele hospital maldito. Zaki consegue se levantar e observa a figura azul assistir eles indo embora. Então, em um piscar de olhos, a figura desaparece em um clarão. Zaki deita novamente no banco, aliviado de finalmente ter escapado daquele inferno.
— Você teve sorte. Ainda bem que cheguei a tempo. — A mulher comenta.
— Pode se dizer que sim… — Zaki diz apreensivo, ainda tentando entender o que havia acabado de acontecer. — Muito obrigado… huh… — Zaki agradece tentando lembrar o nome da mulher, mas falha miseravelmente.
— Nana. Nana Yamane. Não se lembra da sua amiga, Zaki? — Nana se apresenta de forma sorridente e brincalhona antes de perguntar.
— Mais ou menos… — Zaki diz incerto, coçando a cabeça. — Zaki? Esse é meu nome? — Pergunta surpreso.
Enquanto segue em frente, Nana fica em silêncio, pensativa se ela realmente havia resgatado seu amigo ou se havia confundido com outra pessoa.
— Sim… eu acho… — Nana responde incerta. — Huh… você se lembra do nome Rika Yato? — Pergunta.
Assim como a última vez, a cabeça de Zaki começou a doer severamente, memórias que ele não conseguia lembrar, mas persistem em sua mente, passam diante de seus olhos, o deixando cada vez mais confuso.
— Eu não faço ideia de quem seja essa tal de Rika, mas já é a segunda vez que fazem minha cabeça doer por causa desse nome. — Zaki reclama.
— Hm… Eu vou te levar pra uns amigos. Talvez eles consigam descobrir o que tá acontecendo. Se quiser tirar um cochilo, fique à vontade. A viagem vai ser longa. — Nana avisa.
— Ainda bem que você permite. Preciso descansar depois daquilo. — Zaki boceja, terminando com a voz cansada.
Sem contrariar, Zaki se ajeita no banco de trás do carro e dorme, enquanto isso, Nana continua a dirigir, indo em direção ao oeste, uma viagem que demoraria horas.
Depois de três horas e meia de viagem, Nana para o carro na frente de uma fábrica abandonada e acorda Zaki.
— Acorde, bela adormecida. Chegamos. — Nana diz.
Zaki acorda levemente atordoado com as luzes dos postes. Ele olha ao seu redor tentando identificar alguma estrutura familiar mas, o elefante na sala, a fábrica abandonada, chama sua atenção.
— Onde diabos você me levou!? — Zaki pergunta incomodado.
— Bem-vindo ao nosso novo lar. Rustico, não acha? — Nana apresenta abrindo os braços, como se fosse algo magnífico.
— Eu odiei. Que droga de lugar é esse? — Zaki pergunta extremamente incomodado.
— Nosso novo lar! — Nana exclama.
— Eu to falando sério! — Zaki esbraveja.
— Eu também! — Nana exclama. — Não precisa ter medo. Vem, eu vou te apresentar o pessoal. — Encoraja.
Nana pega Zaki pela mão e o arrasta para fora do carro. Mas, esquecendo do seu problema, Zaki cai no chão imediatamente.
— Ai, desculpa! — Nana grita espantada. — Eu esqueci que você ainda não tá bem das pernas. Vem, deixa eu te ajudar. — Diz levantando Zaki.
Nana apoia Zaki em seu ombro e caminham para dentro da tenebrosa fábrica. Passam por corredores escuros com paredes enferrujadas, escadas em espiral levando cada vez mais fundo no subsolo e, eventualmente, chegam no núcleo.
— Que lugar é esse? — Zaki pergunta surpreso.
— Nosso lar. Nossa zona segura. — Nana responde enquanto ajuda Zaki a se sentar em uma cadeira. — Bem-vindo à nossa base! — Anuncia.
A base, um lugar no fundo da fábrica abandonada, é o refúgio de Nana e seus amigos. Uma cúpula com uma aparência velha, com paredes enferrujadas e sujas, mas com energia elétrica, luzes e computadores funcionais, incluindo um grande computador no centro da sala. Várias passagens são perceptíveis, portas que se destacam do resto do ambiente, sinalizando uma possível reforma que eles fizeram no local quando decidiram tomar conta.
— Base? — Zaki pergunta intrigado.
— Ah, meu amigo. Muita coisa aconteceu enquanto você esteve naquele hospital maldito. Mal posso esperar para lhe contar tudo! — Nana diz empolgada.
— Contar tudo!? Eu nem sequer sei quem sou! Se você puder começar por ai, eu já ficaria muito grato! — Zaki esbraveja.
Nana fica em breve silêncio, envergonhada.
— Você… pode esperar um pouco aqui? Eu preciso falar com uma pessoa. Já volto. — Nana pede envergonhada, correndo para a sala à esquerda sem sequer esperar a resposta de Zaki.
De longe, é possível ouvir várias pessoas discutindo, mas não dá para entender o que estavam falando. Após meio minuto, Nana e mais quatro pessoas caminham até Zaki.
Assim que ele olha para o rosto dos quatro, mais memórias engatilham em sua mente. Como as outras, ele não consegue reconhecer ninguém, mas ele consegue lembrar de um lugar enorme, cheio de luzes brilhantes, música alta e cheio de pessoas dançando.
— Muito vê-lo novamente, Zaki Yato. Me chamo Satoshi Sakuraba. — Satoshi se apresenta formalmente. — Esses são Satoru, Michiru e Yoko. — Os apresentou.
Mais uma vez, memórias engatilha. Dessa vez, ele se vê na calçada de uma rua. Carros passam por trás deles, enquanto pessoas passavam por Zaki, entrando em um enorme prédio.
— Satoshi… Yoko… Mi… Mas que droga… — Zaki resmunga. — Eu não entendo por que minha cabeça dói tanto toda vez que começo a lembrar de algo. — Queixa-se.
— Algo deve ter acontecido durante o processo de transição. Claramente você tem suas memórias, mas não consegue vê-las. Isso, por si só, já é um bom sinal. Mas, ainda assim, é preocupante. — Satoshi comenta.
— Transição? — Zaki pergunta.
— Você consegue se lembrar disso? Você havia se cadastrado para um processo inovador de mudança de sexo. — Nana explica.
Zaki tenta se lembrar do momento, mas falha miseravelmente. Invés disso, só piora sua dor. Conformado, ele apenas balança a cabeça negativamente.
— Ah… — Nana suspira decepcionada.
— Talvez ele precise de um tempo para se lembrar. Além do mais, um tempo seria muito bom para ele se recuperar do que aconteceu lá. — Satoshi sugere.
— Definitivamente preciso de um descanso. — Zaki concorda.
— Então descanse. Infelizmente, não posso te levar para casa. — Nana anuncia.
— Por que não? — Zaki pergunta.
— É suicídio sair da base no momento. — Michiru diz.
— Soldados da DreamLand estão nos caçando dia e noite. Não podemos fazer nada. — Nana explica entristecida.
— Não AINDA! — Satoru interrompe. — Ainda nos levantaremos com garra e fúria e faremos aqueles cães americanos fugir com o rabo entre as pernas de nosso país! — Terminou nos encorajando, dizendo em forte e bom tom.
— Zaki, bem-vindo ao grupo Degeneração! — Satoshi apresentou em um tom calmo, mas empolgado. — Este é nosso abrigo e central de operações. Você é muito bem-vindo aqui e adoraria que você pudesse se juntar a nossa causa. Estaria fazendo uma grande diferença em nossa causa. — Apresenta o local superficialmente, sugerindo participação logo em seguida.
— Ah, finalmente você colocou um nome no grupo. — Nana diz surpresa.
— Tá… eu não entendo nada do que vocês estão falando e estou com medo de saber. — Zaki diz nervoso.
— Você vai entender. Tudo em seu devido tempo. — Satoshi diz calmamente. — Preciso que descanse primeiro e tente recuperar seus movimentos. Depois lhe explicarei melhor a respeito de nosso trabalho. — Sugere.
— Ahn… — Zaki suspira pensativo. — Tá. Eu vou pensar nisso. — Termina.
— Nana, pode levar seu amigo para os quartos? — Satoshi pede.
— Claro! Venha. — Nana concorda, levantando seu amigo e o apoiando em seu ombro.
Nana carrega nana para os quartos, caminhando lentamente para não machucar seu amigo.
— Eu preciso muito que você explique o que está acontecendo. Quem são eles, por que vocês formaram uma gangue e o que diabos tá acontecendo com o mundo! — Zaki suplica.
— Ah… É uma longa história. Mas, se quiser uma explicação curta e rápida: Nós caímos no truque deles. Eles nos empurram para uma ditadura mundial. — Nana explica.
— Ditadura!? — Zaki pergunta surpreso.
— Os malditos conseguiram tomar controle de tudo. Não tem uma rua nas cidades que não exista uma câmera. Não tem um eletrônico sem algum tipo de escuta. E pior, eles foram implementando tudo por debaixo dos panos. Quando percebemos, já era tarde demais. Perdemos acesso a todas as redes de comunicações, não podemos ouvir músicas, não podemos nos expressar e nem pedir ajuda. — Nana explica.
— Por que não? — Zaki pergunta.
— Eles dominaram todos os países. — Nana explica.
Assim que chegam no quarto, Nana coloca Zaki sentado em uma das camas.
— Mas confio na causa de Satoshi e acredito que ele é um homem de ação, não só de palavras. Nós vamos tornar nosso mundo nosso novamente. Recuperaremos nossa liberdade! — Nana diz empolgada.
— Certo… E por acaso você sabe o que aconteceu comigo? — Zaki pergunta.
— O que quer dizer? — Nana pergunta.
— Como eu fiquei assim? Quem eu era? — Zaki pergunta.
— Eu adoraria saber a resposta da primeira pergunta… Todos nós adoraríamos. — Nana diz decepcionada.
— E a segunda? — Zaki pergunta.
— Hm… É uma longa história. Mais uma para contar. Mas, quer a explicação curta? — Nana pergunta.
— Se for elaborar melhor depois, aceito uma curta. Diga. — Zaki aceita.
— Você é quem você sempre quis ser. E fico feliz de ver o resultado. Muito muito feliz. — Nana diz com um sorriso no rosto.
De repente, Nana corre para abraçar Zaki, o apertando com força, caindo no choro logo em seguida.
— Eu estava tão preocupada que eu nunca mais lhe veria outra vez. Estou feliz em vê-lo como você sempre foi por dentro. — Nana desabafou.
— Huh… Obrigado. Mas eu definitivamente vou querer a explicação inteira depois. — Zaki exigiu.
— Pode deixar. Eu explicarei tudo. — Nana diz sorrindo, soltando seu amigo. — Agora descanse. Vamos tentar fazê-lo andar novamente amanhã. — Termina.
— Obrigado. E obrigado por me salvar. — Zaki agradece.
— É o mínimo que posso fazer. Boa noite. — Nana se despede, apagando a luz antes de sair.
— Boa noite… — Zaki diz, apreensivo.
Com poucas horas até o nascer do sol, Zaki tem uma curte noite de sono. Com seus pensamentos a mil, ele não consegue relaxar direito para dormir. Tudo que ele deseja é explicações. Infelizmente, para ele, explicações viriam em migalhas, depois de meses com a equipe Degeneração.
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